segunda-feira, dezembro 17, 2007

1 ano depois...


Esse post está um pouco atrasadinho.

Afinal, ontem as 16:10 fez exatamente um ano que vi meu nome encabeçando a lista dos aprovados para cursar o mestrado em História Política na UERJ. Depois do espanto natural de ver meu nome lá em cima, logo pensei:” isso tem que virar post do meu blog, eu preciso contar a todos essa vitória!”.


E demorei 1 ano para tocar no assunto simplesmente pq não vi necessidade de espalhar aos quatro ventos. Pra quem me conhece um pouquinho sabe que até fico envergonhado em falar com boca cheia que “Fui o primeiro no concurso do mestrado na UERJ”, sobretudo pq isso soa pra mim a arrogância, que é o mais odioso de todos os defeitos que o homem pode ter.

Um ano após essa “conquista”, posso falar com conhecimento de causa: sabe o que mudou na minha vida por ter conseguido tal fato? Porra nenhuma (advérbio de intensidade significando “nada”). Não me sinto maior e nem melhor que ninguém, pelo contrário. Posso até dizer: “Sobre anticomunismo na imprensa entre 1935 e 1937, dificilmente alguém saberá mais do que eu”, mas tal não me autoriza a andar pelos outros e dizer (ou pensar): “Eu sou o intelectual-sábio-ancião-mestre Miyagi e vcs são um bando de ignorantes, quem ousa discordar de mim?”. E,acredite,não é exagero meu: muitos pensam assim.

Lá na UERJ eu já encontrei um monte assim. Mas também encontrei na UFF, UFRJ, Unirio, USP e em qualquer lugar. E não precisa estar no mestrado não. Seja percebendo que se destaca entre os seus colegas de turma, ou tendo algum defeito na transição do mundo do ensino médio para a da graduação, cada vez mais jovens estão se tornando “arrogantes intelectuais”. Confesso que já quis ser um, mas também confesso que o queria como instrumento de poder, como forma de ter voz reconhecidamente respeitada no grupo social que vivo.

Tem a postura de superior, de achar que o mundo deve gravitar em torno dele. Entende-se por mundo desde o universo inteiro até o seu mundo particular: família e amigos. Acha que com seu desenvolvimento intelectual é equivalente a seu crescimento como pessoa. Pobre coitado.

Um pseudo-intelectual também se fecha no seu mundinho e não permite novas aventuras e experimentações. Não se permitem ousar, brincar, enfim, viver. Pior. Tudo aquilo que ele não se permite, ele põe a etiqueta de “errado”, “medíocre” ou de “ridículo”. Enumero as criticas mais freqüentes:

“Como você pode ver novela da Globo?” “Funk? Isso não é música, é coisa de ignorante” “Estou lendo Tolstoi, como vc pode ler Harry Potter?” “Que Perfil é aquele no Orkut?”

E aí vem a última característica que mais me irrita: não saber discutir. Discussão, para mim, sempre foi um diálogo entre vozes diferentes, buscando o levantamento de opiniões, e que, num segundo momento optativo, pode gerar uma terceira opinião adotada por um, pelo outro, ou pelos dois. Mas não, discutir com pseudo-intelectual requer dizer: guerra por ter razão. Ele já vem todo armado, com frases de efeito prontos e táticas de persuasão aprendidas em internet. Aí qualquer coisa que vc possa discordar, qualquer debate se torna um inferno. Quem disse que eu quero ter razão? Quem disse que eu não posso mudar de opinião? Quem disse que eu sei tudo sobre tudo? Mas não, eu sou o primeiro lugar no mestrado na UERJ, eu sou o cara, eu tenho que ter uma opinião formada sobre tudo e tenho que impô-las a todos aqueles que estão abaixo de mim. Acredite, já me disseram isso. Mais: aqueles que não disseram, pensam assim. Nessas horas , eu tenho que gritar aquele palavrão libertador, que te desestressa e coloca vc no eixo:

FODA-SE!

Por essas e por outras que eu não tive vontade de escrever sobre a minha vitória. Para que não soasse assim. Melhor que expô-las, é ter em sua memória cada segundo da batalha, de passar um ano inteiro sem dinheiro algum, trancado no quarto se matando para passar, mesmo sabendo que no ano anterior a mesma banca que me passou em primeiro, chamou a mim de “fraude”. É saborear cada instante e desfrutá-lo numa posição neutra, equilibrada, sensata: não em cima de um pedestal de uma intelectualidade falsa e que só vai te atrapalhar. Em resumo: no final, todos vamos morrer, seja menos intelectual, e mais humano.

Texto completo em www.nelton.blogspot.com

P.S.: A foto foi da época quando entrei. Hoje em dia, o tema da minha dissertação é, provisoriamente, “A fabricação do Perigo Vermelho – O discurso anticomunista em “O Jornal”” (1935-1937).

domingo, outubro 07, 2007

A CRIANÇA QUE VIVE EM VOCÊ



(Quase) tudo que alguém precisa saber aprende na infância. Relembre as regras daquela época e melhore sua vida.


1 - Perguntar é a palavra de ordem para descobrir e entender como as coisas realmente são. Perguntar, perguntar e perguntar.


2 - Beijar aquela(e) garotinha(o) bonita(o) no rosto é algo importante. Dar um selinho, então, nem se fala. Vê-la(o) nu(a) pela primeira vez é um superevento que vai alterar sua vida para sempre.


3 - Uma das piores da vida é um adulto dizer: "Amanhã eu penso nisso". Não é porque você cresceu que isso se tornou aceitável. Portanto, não procrastine.


4- Lição de casa é um saco: enquanto você não pode terminá-la, não pode assistir à Tv ou brincar com seu pai. Só leve trabalho para casa se você quiser acabar com sua noite, sua família e sua vida.


5 - Seu mundo pode ser meio real, meio imaginário.


6 - Mijar tentanto acertar um alvo faz o tempo voar. (e leva a sua mãe a loucura)


7 - AMIGOS SÃO PESSOAS DIVERTIDAS, AMOROSAS, LEAIS E LIVRES DE GRANDES EXIGÊNCIAS OU COMPROMISSOS. TENTE SER HOJE, MESMO COM TANTOS COMPROMISSOS E TÃO POUCO TEMPO, O AMIGO QUE VOCÊ ERA QUANDO TINHA 12 ANOS.


8 - Chuva não merece ser amaldiçoada. Pelo contrário, voc~e deve curtí-la ao máximo. Corra para o quintal antes que ela pare.


9- Há uma razão os bancos não darem cartões a crianças de 8 anos. E ela é muito simples: antes de comprar um brinquedinho novo, você precisa ter o dinheiro guardado.


10 - Diversão é tão importante quanto a obrigação. Use e abuse de seu tempo livre com a mesma seriedade e dedicação que você tinha aos 5 anos, quando brincava de caça tesouro no quintal de casa.


11 - Entupir-se com alguma coisa va dar a você uma bela dor de barriga. E essa regra vale para balas, chocolates, picanha e cervejas.


12 - O café-da-manhã é a mais important refeição do dia. Ainda que ele não venha mais com o brinde da caixa de cereais.


13 - A janela da varanda é até melhor para ver o que acontece no mundo do que a TV de última geração que está na sala.
Aliás, feliz Dias das Crianças.

quinta-feira, maio 31, 2007

Viagem Ao Pólo


Eu estava dentro de um bloco de gelo. E como qualquer pessoa de bom senso, estava lá sem saber que estava. Juro, realmente não percebi do inverno que se encontrava meus sentimentos. Meu coração, acostumado a bater descompassado, quiçá arritimado, esquecera-se disto e batia até agora tranqüilo, morno, resignado.

Não que isto me surpreendesse totalmente. Não que isso seja regra, mas as vezes escolhemos a razão (na falta de uma palavra melhor) sob o preço de nos distanciarmos do coração (na falta tb de uma palavra melhor). Em certos momentos da vida, parece que o mundo vai cair sobre seus ombros, e eu tenho o dever de não poder hesitar um segundo. Enquanto a avalanche de compromissos, responsabilidades, tarefas, livros me bombardeiam a torto e a direita, chego a conclusão de que é hora de começar a realizar – conquistar, digo – aqueles meus sonhos, desejos, estes que tantos têm e tão poucos alcanço, menos por falta de vontade do que por oportunidades. E eu tenho essa oportunidade nas minhas mãos! E lá fui eu, nessa caminhada espinhosa, não tendo a percepção que a medida em que eu ia buscar meu lugar ao sol, minha alma se dirigia rumo ao Pólo Sul.

E por um bom tempo permaneci inerte dentro desta geleira. O corpo humano possui a capacidade incrível da adaptabilidade. E só agora, a distância e sob uma segunda perspectiva, vejo que não somente tinha me congelado sem saber como tinha me acostumado com as baixas temperaturas. Mas para mim, estava tudo normal: tinha meus amigos, família, continuava rindo, pranteava em outras. De diferente somente aquela sensação incômoda de que faltava alguma coisa, de uma relativa “incompletude” que me deixava hermeticamente fechado aos outros. Aqueles – poucos - que me amam, eu deixava a distância com aquele meu humor, meu jeito desajeitado e irônico. Sim, o humor é uma ferramenta excelente para deixar as pessoas a margem do seu verdadeiro eu, não pq eu seja uma pessoa triste, que não sorri, mas o meu lado sacarstico é apenas uma pequena faceta do que realmente sou. Assim, poucos sabiam das minhas desilusões, dos amores não correspondidos, das cicatrizes que os outros – e muitas vezes eu mesmo – deixaram em meu peito, e de que aqui estou eu: dentro desse bloco em derretimento.

Derretendo, sim, porque por alguns belos e fugidios minutos, uma fonte intensa de calor apareceu nessas terras geladas. Fechando os olhos me lembrando exatamente como aconteceu: primeiro como num ato impulsivo e imprevisível, um pequeno e brilhante raio de sol penetrou entre uma miríade de nuvens escuras que pintavam o meu céu. Depois, de maneira ousada, como deve ser, foi lentamente competindo seu calor, sua luz, com os ventos gélidos e as nuvens cinzentas, recolorindo a paisagem até então monocromática, chegando,doravante, aquele bloco de gelo que me encontrava. Logo, logo foi ganhando espaço, deixando de ser um simples raio, aumentando consideravelmente seu diâmetro, e meu corpo, outrora acostumado com o breu da noite fria, começou a reagir à claridade e ao brilho daquela luz. O bloco já dava os primeiros sinais de que estava se deformando por conta do calor. Enquanto isso passei a olhar ao meu redor, e me surpreendi ao ver o verde vivo dos campos, as primeiras flores querendo desabrochar. Contemplei o céu e via que as nuvens ainda estavam lá, mas num cantinho minúsculo, ao contrário daquele céu azul de brigadeiro que ali sorria para mim. Finalmente, olhei para mim e maravilhei quando percebi que estava ganhando co, tal como aquelas pessoas da cidade de Pleasentiville em “A Vida em Preto e Branco”.

E foi aí que aquele calor me atingiu em cheio, não mais timidamente como no início, mas agora intenso, forte, porém doce, suave, acolhedor. Percebi que meu coração se aquecia: que saudade tinha – e não sabia – desse calor, deste sentimento tão aconchegante, paz.... Se outrora, estava dormindo mesmo de olhos abertos, agora estou realmente desperto, saboreando cada instante, respirando fundo para não esquecer daquele frescor.

Estava prestes a me desvencilhar de toda aquela crosta de gelo presa em meu corpo, daquela hipotermia que impedia que meu coração fosse completamente aquecido, quando aquele lindo raio de sol se foi. E de volta vieram as nuvens, o frio, o sentimento de solidão. Já não estava tão preso naquele bloco como antes, mas continuo lá. Se é temporário ou não? Se é um prenúncio de uma nova estação? Não sei, acho melhor não me preocupar tanto com isso e deixar de aproveitar esse restinho de calor, que trouxe esse meu sorriso no cantinho da boca e a certeza de que vou sair desse bloco de gelo. Não sei quando, mas vou sair.

Enquanto isso fecho meus olhos, tentando não esquecer um segundo dessa breve primavera, poetizando, mesmo que levianamente, o instante de um beijo.

terça-feira, fevereiro 13, 2007

Se é bom ouvir, imagina tocar...



No início de minha adolescência eu descobri uma brincadeira, no mínimo, diferente: eu me trancava no quarto, desligava as luzes, colocava uma boa música, pegava um violão -que não sabia tocar- e simplesmente fingia ser o guitarrista. Falando assim, de forma impessoal e distanciada, parece meio insano (meio?), mas me lembro como se fosse hoje do que sentia: minha pele toda ficava arrepiada, eu tinha calafrios e tinha uma sensação muito aliviante. Eram os primórdios da minha relação com essa dona tão fascinante: a música. O que era uma mera brincadeira, virou terapia: com toda tensão que um rapaz um tanto diferente de 16,17 anos, acrescida do fato nunca antes pensado que seus pais estavam se separando, eu precisava ter alguma válvula de escape para não surtar. E aí, ficava no quarto alguns minutos, antes que a irmã entrasse e confirmasse que eu era doido, e voltava anestesiado.

É bem intensa minha relação com a música: chego ao extremo de dizer que posso ficar sem livros, sem computador, sem televisão, mas sem música eu não vivo. O efeito terapeutico dela é melhor que muito antidepressivo. A cada melodia, uma estrada rumo a um lugar novo. A cada acorde, um sentimento aflorado, uma retrospetiva. É aquela musica do primeiro beijo, daquela viagem inesquecível, daquele amor platônico que nunca soube o que você sentia por ela...enfim, quando você se dá conta, você tem uma trilha sonora sem perceber. Meu mundo é o da música: meu melhor amigo é o mp3 player e o meu violão. Sim, ele mesmo. Depois de alguns anos, aprendi contrabaixo, e violão. Não vejo a hora passar, noites de sono já foram perdidas...

Mas não é só o som do violão que me inebria. Na verdade, todos os intrumentos são fascinante para mim (eu ainda vou aprender teclado e trompete), mas eu tenho meu xodó: o contrabaixo. É instrumento que é alma da banda, mas ninguém sabe o que ele é:alguns dizem que ele é uma guitarra com menos corda, alguns nunca perceberam o som gravinho, gravinho dele. Foi o primeiro instrumento que estudei (o violão eu aprendi sozinho depois), e a paixão é cada dia maior: tão bom quanto um bom solo é o aquele peso de um bom baixo tocado sendo captado pela sua alma. Sim, a música tem que ser ouvida pela alma, mais do que pelo ouvido.

Hoje, 10 anos depois da criação da minha estranha brincadeira, mais maduro e sabendo o que fazer com o instrumento que to segurando, me vejo fazendo a mesma coisa: desligando as luzes e tocando junto com o rádio. E saio igualmente relaxado, pronto para esse mundo musical que me cerca. Sou um autista por opção: em geral estou na rua, com o mp3 nas alturas, fingindo estar tocando uma guitarra, o baixo, a bateria...E as sensações que tenho são as mesmas de outrora. Eu já disse a terapeuta q não preciso de remédio, eu preciso de música.

E não é que ela concordou?

quarta-feira, dezembro 20, 2006

Toque

[Toque]

Nunca é muito tempo e é uma palavra muito forte. Mas, embora eu seja irremediavelmente apaixonado, certamente um relacionamento virtual não duraria muito tempo comigo. Não, é menos pela distância em si, posto que os corpos podem estar a quilômetros de distancia, mas as almas, os corações, podem estar a milímetros. (ok, há controvérsias, mas isso é outra conversa, mesmo pq não escrevo para convencer... Ta, há controvérsias, mas posso continuar a escrever, posso?). Também é menos pela inevitável máscara que usamos no mundo virtual, mesmo que involuntariamente. É, sobretudo, pela falta do toque. Não, não to falando do toque subjetivo, o na alma, que é lindo, sublime, extraordinário, etc e tal. To falando do físico mesmo, o pele na pele, o cafuné, o carnal...

O toque é uma arte, e antes que vc diga que acabei de falar um chavão horroroso, eu peço as próximas linhas para explicar. O toque a qual me refiro não é apenas o pegar na mão, no cabelo, na bochecha. Isso qualquer um faz: seu pai, sua tia, seus avós (os seus avós nunca fizeram isso? Penas, os meus sim...). O toque é a arte de passar uma mensagem com um movimento. Sutil, leve, sem necessidade de explicação. É aquela mão na sua que sussurrou na sua alma vem comigo, juntos somos imbatíveis e fez com que vc se tornasse capaz e segura para fazer qualquer coisa. Aquela cabeça no seu colo, naquele final de tarde chuvoso, vendo qualquer coisa na tv. Afinal, ninguém ta vendo nada mesmo. É aquele emaranhar nos seus cabelos pela sua amiga, que vale mais de cem “to aqui, conte comigo para tudo...”. O beijo não deixa de ser um toque. Mais. O primeiro na hierarquia. Há dois tipos de pessoas: aquelas que não vivem sem um beijo, e aquelas que mentem. Naqueles micros segundos (ou não...) é o sopro de vida que te invade sem pedir , um lembrete em néon de que vc está viva. Já o abraço é o meu predileto pq há entrega, renuncia do outro. Naquele instante, você é do outro, e o outro é seu.

Um relacionamento, seja qual for, tem que ter este elementos. Não esses expressos necessariamente, nem numa ordem. Mas vc já viu dois amigos que nunca se abraçaram, que não se tocam, como se existisse uma parede dividindo-os? Nem eu. Um casal de namorados, que mesmo que não sejam dois chicletes, não trocam carícias? Uma relação entre pais e filhos onde um evita o outro? Este eu tb já vi: para um lado, o medo do mico, para o outro lado, o medo de não constranger, e assim, pais e filhos se tornam, cada vez mais, dois estranhos que dividem um mesmo teto.

Poderia fazer um tratado do toque aqui, mas longe desta vã pretensão, só desejo lembrar que um mísero contato, um mísero cafuné, pode trazer a tona um turbilhão de emoções, sensações, podem nos levar a lugares longínquos, te tirar do chão, te fazer voar, transcender o tempo, o espaço, a distancia. E nos levar a fazer digressões, devaneios, dos mais bobos, dos mais infantis...


...Como este.

sexta-feira, outubro 20, 2006

Faltando um pedaço...


Para quem não me conhece, que fique sabendo da minha característica mais evidente: falo pra caramba. Minto. Não é pra caramba, é pra carambaaaaaaaaaa. Sou daqueles que viram a noite no msn com amigo, que discute sobre futebol com o porteiro, sobre política com o jornaleiro, culinária com o vizinho no elevador, que tem que ser lembrado pelos alunos que vc já ultrapassou 20 minutos da aula, e em vez de responder “Ok, gente , vamos embora!”, diz “Gente me dá mais 10 minutos”...

Então, seja normal que eu mesmo, mais do que qualquer um, estranhe essa sombria quietude, essa minha falta de vontade de falar, essa melancolia no meu olhar.

Nessas horas peço perdão aos meus amigos, mas me torno um chato. Nada está suficientemente bom, há um vazio que, aos berros, diz que tá faltando alguma coisa, algum pedaço. Tédio: pior do que a vontade fazer alguma coisa é a vontade de não fazer aquilo que vc precisa fazer. Em questão de segundos, parece que seus 21 Gb de música não tem nada que interesse. Acho que a jam session do silêncio da madrugada com o som de teclar farão a trilha. Hiato no word: as incontáveis idéias na cabeça confabularam e resolveram de lá não sair.

Olho para o lado e vejo um sofá vazio, uma sala escura e em silêncio. Os poucos amigos estão em duas categorias: ou estão dentro da caixinha do msn, acreditando que está tudo bem comigo (talvez uma vergonha de parecer um Jeremias e usar o msn como um muro de lamentações), ou estão longe, fisica ou emocionalmente, tão preocupados com seus problemas que esquecem que um “oi, to cheio de coisa para fazer e pra pensar, mas não esqueci de vc, tá?” num scrap, telefone, carta, telegrama, código morse, pode me fazer ganhar o dia... Esquece isso, Nelton! Vc tb age assim de vez em quando...Enfim, olho para meus irmãos de fé e percebo que eles me vêem como o mais herege de todos. O erro não é pensar diferente deles, ter uma outra idéia sobre nossa relação com Deus, tentar não emocionalizar a fé ou mesmo ter um gosto diverso da cultura cristã: o erro é você expor isso. Não com o proselitismo que é peculiar deles, mas com intenção de aceitar a opinião contrária. Mas, mesmo assim, acho melhor estar recluso aqui a ser apedrejado.

Resolvo ir a janela, vejo corpos em direções diversas:dentro de carros, em ônibus, a pé, sozinhos, abraçados, alguns estão se beijando em alguma esquina.Tento advinhar o q uma pessoa dentro desse avião, que passa em cima de mim agora, está pensando. Cada um com seus objetivos, seus medos, seus pensamentos... Subitamente me sinto sozinho. Desprotegido seria a palavra ideal. Todos na casa dos 20, com algum juízo, já se perguntou o que fez até agora, o que contribuiu, que marca deixou nesse mundo tão efêmero.E a resposta não é a das melhores. Mas,e minha fé nunca foi abalada, e clamo para que alguma coisa aconteça, que esse silêncio enlouquecedor se dissipe. Que a carência que sinto do toque do outro seja suprida de alguma outra forma.Meu desejo é desejo do Outro. Sinto falta da pele de seda, da minha mão no cabelo dela, descendo pela nuca, de seu cheiro,da sua voz doce e apaixonante no ouvido, do seu sorriso contagiante,e do seu beijo, daqueles que ainda está para se criar o adjetivo ideal para qualificá-lo...Não, ninguém em especial, pelo contrário, luto em vão para não me apaixonar pela imagem abstrata que criei de mulher ideal. O apaixonar é combustível para mim, e na falta do grande amor, que só encontrei uma vez (e perdi), me reapaixono por esse holograma. Assim, me apaixono por todas as mulheres, todas me fascinam, cada uma de uma forma. É a busca pela musa, tão citada por mim, aquela que me distrairá dos meus dilemas. E essa busca termina, provisoriamente, quando vejo apenas meus 2 pés na areia. Ali, parado,forçando para enxergar outro par ao meu lado, entendo o que é estar desprotegido, vulnerável. Não fomos feitos para sermos lobos, solitários, nômades. Não mesmo...

...

Hesito em continuar.Não quero que as pessoas me entendam pela forma mais fácil:sentindo pena. Isso aqui não é um atestado de infelicidade, apenas uma descrição breve para alguém, que só conheço o seu vulto, em algum tempo imprevisível, perceba o quão necessária é para mim. Isso mesmo, da forma mais sombria e negativa, isso é uma declaração de amor. Talvez seja para essa minha abstração, esse alguém que um dia hei de conhecer. Ou não. Muitas pessoas lerão essas palavras, talvez alguns amores, talvez elas achem, com razão, que isso seja para ela. Mas, quando for a pessoa certa e a hora certa, faço questão de mostrar. Se bem que nessa sociedade, de sobrenome efêmero, tenho minhas dúvidas...

E amanhã será um outro dia. Encontrarei pessoas, amigos, amores,e parecerei menos desprotegido. Irei conversar, rir, amar, beijar, andar na praia, tomar chuva deliberadamente, debater, falar (e muito...). Mas, mesmo assim,quando cair a noite, vou sentir a falta desse pedaço que não encontrei,sentirei a agonia da incompletude. Mas isso tem fim: do outro lado do labirinto tem alguém procurando por alguém que pode ser eu. Eu sei disso. Não sei se dá para sair do labirinto e encontrá-la ao mesmo tempo?

Enquanto isso, vou sorrindo, ou seja, como diz o poeta, mentindo a minha dor,para que ao notar que quando estou sorrindo, todo mundo irá supor que sou feliz.

Musica do Post – Sorri (Smile), Charles Chaplin (cantada em português pelo Djavan)

quarta-feira, setembro 27, 2006

Lar, novo lar!

Há várias razões para mudar de lar. E nem sempre é porque o antigo lar seja ruim, mas pq você encontrou um lugar melhor. E é este o caso de minha mudança: sou eternamente grato ao blogspot nesses 2 anos de blog,um lugar que nunca me deu problema algum. Contudo, estamos na época da convergência e me vi tentado a ter em um endereço só um lugar para postar meus devaneios, minhas fotos e, ao mesmo tempo, algumas (só uns 5 gigas, coisa pouca) músicas. Penso que será uma experiência bem interessante, por isso, resolvi me mudar: www.nelton.multiply.com .

Então, é com pesar que deixo tão aconchegante lar e parto para o duvidoso. A ousadia é uma estrada interessante para se percorrer!

terça-feira, setembro 05, 2006

Um doce passado...

22 horas. Era para ser mais um programa de futilidades, que prende atenção por alguns minutos, me ninando para mais uma noite de sono. Mas, diferentememte do que tinha planejado, fui tragado pela tela e transportado para alguma segunda entre 1998 e 2001. A melodia vocalizada de Paula Cole me conduzia prazerosamente aos velhos amigos das segundas às dez da noite. Eu, um rapaz entre 15 e 18 anos, via meus anseios, desejos, medos, frustrações, minha realidade refletida naquele grupo de jovens de Dawson’s Creek.

23 horas. Click! Num piscar de olhos, estava de volta, aos 22 anos, mudado em alguns pontos, conservado em outros tantos, dizendo “já passou?”. E percebi que oitos anos podem passar tão rápido quanto sessenta minutos. Não, não é pra eu começar a bravejar aos quatro cantos que “to ficando velho!”, contudo, é estranho você ver que o tempo está escorrendo pelas suas mãos. Lembro-me como se fossem a cinco minutos atrás da dor de cabeça que tive a exatos quinze dias.Olho para meu blog, agora com dois anos de vida, e lembro do dia que resolvi criar um. Lembro (com um sorriso no canto da boca de alguém que sempre gostou de estar apaixonado) de todas as especificidades do dia que sua paixão platônica me chamou de anjo por eu ter emprestado o walkman para ela em...1997!(mais exatamente no dia 27 de dezembro de 1997, por volta das 17h, dentro de um ônibus de viagem). Vejo meu pai se casando pela segunda vez por esses dias, e fico me perguntando se não foi na quinta-feira passada que ele se separou da minha mãe. Não, não foi, isso aconteceu a cincos atrás. Que sensação estranha é essa? Onde eu estou? Cadê meu chão chamado presente?

Conforme o programa ia mapeando a trajetória de Dawson’s Creek, percebia que ele tinha invadido minha privacidade e mapeando a minha adolescência. Percebi como achava o Dawson molenga, sobretudo quando ele não conseguia se resolver com a Joey, enquanto eu mesmo nem beijar tinha beijado, mas dizia que não seria assim, e hoje sou, talvez, o próprio. A tv mostrava como a Joey era a minha mulher ideal. E ainda continua sendo meu biotipo de mulher perfeita: um óculos ali, um cabelo ruivo aqui de diferente, mas em essência, eu ainda continuo em busca de minha Josephine Poter. Foi a época que comecei a trazer minhas paixões platônicas para a vida real, põe platônicas nisso. O Pacey era o ideal de jovem que gostaria ser: extrovertido, falastrão, e com um barco para passar um verão inteiro sozinho com a Joey, como fizeram no final da 3ª temporada. Jen me fez querer ter alguém cuja amizade transcenda qualquer segunda intenção. E, felizmente, percebi que isso é possível. Kiss me embalava meu radinho e foi um choque perceber, mesmo que sem querer, que eu agora posso tocar a música quando quiser no meu violão. O que antes era algo inacessível, agora está em meus dedos e eu posso desconstruir, reconstruir, colocando um novo tom, um novo acorde. Alguns namoros passaram, todos com muita intensidade, e embora tenha, em certos momentos, achado que tinha encontrado, continuo em busca de minha Joey.

O primeiro beijo,um tanto quanto roubado por...ela(!) , o primeiro beijo ‘oficial’- aquele que todo mundo pensa que foi o primeiro, o primeiro amor, o primeiro fora, a primeira fossa, a primeira desilusão, a primeira vez...Caramba, tudo isso passou e nem percebi. Não tenho as dúvidas de outrora, não quero mais ser programador, nem sou mais o goleiro federado que todos os sábados viajava em busca de mais um vitória nas quadras. Minha máquina de escrever era minha confidente numa época que o computador era um sonho pouco irrealizável. Em vez de emails, scraps, msn, skype, eu tinha cartas. O cuidado de escrever, o zelo e o carinho em ir aos correios para enviá-la, a ansiedade da resposta, tudo isso ainda possui um perfume que, quando fecho os olhos, consigo sentir. Os acordes de um novo dia, que sempre trazia uma nova descoberta, formavam quem sou hoje. E meu quarto, num instante, se encheu desse som e daquele aroma, sendo irresistível eu não me levar a uma época onde tudo era mais inconseqüente, mais tranqüilo, mais inocente.

Não, a minha vida não anda tão chata a ponto de eu ter esse ataque de nostalgia, pelo contrário. Mas quero ser justo e dar honra a uma fase tão transformadora, mas tão desvalorizada por aqueles que não querem se lembrar que já foram aborrencentes.São épocas distintas, e eu sei que daqui a oito anos vou me fazer a mesma pergunta, “mas já?”. Afinal, se somos ‘convidados’ a caminhar pela inexorável maratona do tempo, o que nos resta além de viver intensamente, como se fosse o último capítulo da temporada?


Musica do Post - I Don't Want To Wait (Paula Cole)

quarta-feira, julho 19, 2006

Humano, Demasiadamente Humano

Você certamente vai esquecer de tudo que lerá aqui. Não é pessimismo e/ou sofisma para prestar mais atenção: simplesmente você vai ler essas palavras, concordará com algumas, outras nem tanto, vai parar para pensar um pouco –espero-, e como ta na internet mesmo, vai a outros links, se afogará na corrente contínua de informações que a rede virtual oferece: e-mails, msn, orkut etc. Pronto, quando for se dar por conta, já esqueceu o que eu vou terminar de escrever. Não se culpe: fazemos isso o tempo todo: seja com filmes, conversas, livros, ou coisa que valha, sempre deixamos essas coisas escaparem pelos nossos dedos. Supérfluos, superficiais, fugazes estão as coisas, afinal o mundo ta cada vez mais rápido, e devemos acompanha-lo, não é? Exames de consciência são cada vez mais raros...

E é sabendo dessa nossa amnésia coletiva que vou querer falar de algo diferente, cotidiano, menos intelectualizado. Vou propor que nessa globalização, onde tudo se torna igual, banal e sem graça com a rapidez da luz, reivindiquemos nosso direito a humanidade. Sim, a nossa carnalidade , rejeitando que sejamos apenas peças mecanizadas da engrenagem da vida. Não, nós não somos máquinas se prestarmos atenção a pequenas frivolidades do cotidiano, que são tão comuns que são esquecidas...

Como o direito de errar. Mais. Errar e ser forte o suficiente para assumir o erro e que ele colaborou para o seu crescimento. Afinal, ninguém cresce só acertando...

A cada dia mais, ser forte e só ter virtude é a condição para o sucesso de alguém. Reivindico o direito de sermos sensatos e saibamos reconhecer nossas fraquezas também, sem omitir uma vírgula, sem esconder hipocritamente pequenos defeitos que não queremos assumir que temos. E para isso sempre dizer a verdade...

Quero não ter a resposta de tudo que acontece e ser feliz por isso.

A frivolidade de ser sincero,a tão esquecida. Não apenas para o outro, para a sociedade, mas dizer a verdade para consigo mesmo, até as mais subliminares, sem restrições de pudor, moral, ideologia, sem fantasiar subterfúgios. Ao mesmo tempo, possuir o bom senso para entender que nem todos estão preparados para a escutar a verdade. Aliás, quem está?Não sei...

Quero possamos nos dar o direito a sermos contraditórios, oxímoros, inconstantes. Penso, logo mudo de idéia, e não há vergonha para isso. Não há vergonha por não ser inteiramente lógico, por sorrir e chorar sem motivo. Não somos máquinas programas, pré-ordenadas: no dia que escrevi aqui (com 39° de febre e com uma dor de cabeça que mais parece um parto intelectual) uma avalanche de emoções me ocorreram: já estive melancólico, elétrico, reflexivo, radiante, quieto, já dei gargalhada e até chorei em uma peça de teatro.. Pior que não sou louco, só não tenho medo de ser o que sou, de ser o que sinto.

Falando em emoções, não sejamos superficiais nas nossas relações, que façamos tudo com tal intensidade, sem a preocupação idiota e besta “do que os outros vão pensar”: ria como se fosse a piada mais engraçada do mundo, chore como se perdesse o seu grande amor, ame como se morresse amanhã, beije como se encontrasse o seu amado perdido de décadas, mesmo que isso ocorra no meio da rua... Ah! Reconheçamos que é egoísta, que é competitivo, que sente inveja, que sente ciúmes, de que você não é só solidário, do tipo que “que pensa mais nos outros que em você”, e, quem sabe, você não começa a ser menos egoísta, ciumento, invejoso, competitivo, “lobo do homem”?

Que bonito e mais romântico seria se não ficássemos com melindres para expressos nossos sentimentos aos outros. Tal como o filme “Como se fosse a primeira vez”, se declare para seu companheiro como se fosse a 1ª vez, sinta borboletas no estômago ao vê-lo, ao senti-lo, se pegue com as pernas tremendo como varas feitas de bambu. Mas , sobretudo, de algo maior do que a paixão: a amizade. Por isto, que nos declaremos aos seus amigos, mostre como são queridos, reconheça a importância deles na sua vida. Não tenha a ilusão de que tem muitos amigos: temos colegas. Amigos, aquele para se guardar no lado esquerdo do peito, esses se contam nos dedos. Então, ame seus poucos amigos na mesma intensidade que você ama a si próprio, mesmo porque, grande parte das vezes, ele é mais íntimo que um parente de sangue.

Portanto, diga eu te amo sem reservas, no entretanto, eu te amo n/ao é bom dia, não banalize algo tão profundo e complexo. Depois de um exame de consciência, vc perceber que ainda não ama ninguém, não se preocupe: guarde a pérola, faça o polimento periodicamente, e dê a quem merece, no momento devido.

Quero o direito de ser precipitado, impulsivo, sanguíneo. De meter os pés pelas mãos, de falar bobagem, de pagar mico. É divertido, é humano...

Aprenda uma palavra nova por dia, descubra que isso não é coisa de intelectualzinho barato, e sim que, a cada palavra nova, mais uma forma de compreender o mundo se abre a sua frente.

Descubra que se é muito bom andar e ser amigo de pessoas mais velhas, intelectuais, que transbordam conhecimento, é muito bom, em contrapartida, e tão proveitoso quanto conhecer, andar e ser amigo de pessoas mais novas. Talvez chegue a conclusão que amadurecimento e conhecimento não são iguais e que não são inerentes a esse paralelismo cronológico que convencionamos.

Saia um pouco da net, da tv. Longe de ser conselho materno , mas perceba o mundo que te cerca: descubra as delícias de um entardecer, de ler um livro num dia chuvoso. De tomar chocolate quente, ou mesmo comer doce de leite contemplando o céu estrelado. Releia livros periodicamente, escreva um diário, um blog, conte as suas impressões sobre o mundo: depois compare, é a melhor forma de ver como vc mudou. Mande cartas: em vez do teclado, pegue uma folha, uma caneta, doses de sentimentos e escreva. E peça para ser respondido de semelhante modo. A ansiedade da resposta, o clima do abrir a carta, a leitura de cada palavra no conforto de algum lugar já se perderam há muito tempo. Infelizmente...Conheça um lugar novo. Pensamos que para isso é necessário alguns dólares e um passaporte, quando podemos ter isso do nosso lado. Vá a museus, lugares históricos dentro da sua cidade. Como já disse, experimenta ver o crepúsculo na Lagoa, ou no Arpoador, ou mesmo da Praia Vermelha. São experiências únicas que ficam vívidas em sua memória por toda uma vida.

Não fuja da realidade: saiba que você é o responsável pelo que faz: não culpe os outros, seja Deus, amigos, pais, qualquer um pelos seus insucessos.

Arrogância não é reconhecer que é bom em alguma coisa. De mesmo modo, humildade não é sempre se colocar abaixo dos outros.

Uma das coisas mais humanas que existe é você tomar um belo banho de chuva. Chega ensopado em casa, mas chega com a alma lavada.

Não deixe flocos de neves se transformarem em avalanche: brigue, discuta, reclame, não espere por uma melhor hora. Nunca deixe para mais tarde, nunca acumule o que pode ser letal.

Já disse escrever? Já, mas insisto: escreva. Não estou aqui escrevendo só para passar uma mensagem, ou para atualizar meu blog, mas deixar uma marca de como sou eu hoje. Mais tarde, comparando com outros textos, verei a diferença. Quem ler todo meu blog, ou seja, só eu, sabe como eu mudei.

Ame a sua liberdade, ame a sua livre iniciativa, ame-se. Não coloque nos outros um sentimento que você sente, na verdade, por você mesmo. Namore consigo, agrade, presenteie, e para os exagerados, mande flores para pessoa mais importante da sua vida: você. Mas seja auto crítico, em doses homeopáticas, é claro: crie momento a sós,para conversar com você mesmo, pensar no futuro, ver e rever suas escolhas. Cuide de você, cuide de seu corpo, mas antes, cuide de sua alma.

Há algo de errado em falar sozinho consigo mesmo na rua? Espero que não...

Nada de errado existe em ser seu melhor amigo, apenas não se iluda achando que és independente dos outros, uma verdadeira ilha. Não, você não é, e por mais que o seu orgulho comece a se contorcer, você precisa dos seus amigos de uma maneira que nem mesmo você sabe. Ao reconhecer que precisa de ajuda, não se feche a quem te ama: confie nos seus amigos.

Não se torne mais uma salsicha no pacote: discorde de seus amigos quando tiver que discordar, diga q não compartilha do mesmo ponto de vista, retruque, digladiem-se, e no final peçam um refrigerante para brindar. Isso mesmo, tolere, compreenda que debater não significa convencer o outro.

Abrace. Dê um abraço de urso nos seus amigos, nos seus pais, em que você ama. Ele é um ótimo indicador, e é mais revelador e confortante do que milhões de palavras. Aliás, quando não tiver nada a dizer para ajudar, não diga nada. Pessoas querem, algumas vezes, apenas falar, não ouvir um sermão de quão erradas elas estão. Ou abrace, que é o melhor remédio.

Chore, limpe a alma, tenha a sensibilidade para reconhecer que está tão a flor da pele. Chorar faz bem, e não tem hora: filme, novela mexicana, declarações, pedidos de desculpas, casamento, velório e por aí vai. Não, não é sentimentalóide. Minto. É sim, ser sentimentalóide, mas quem disse q isso é ruim? Quem quer me convencer de que ter sentimentos exacerbados é ruim e danoso a minha humanidade? Que ser romântico ao extremo, que sonhar com o grande amor, que sonhar ilusões me faz menor do que qualquer ser vivente? Não, eu exijo meu direito de ser sentimentalóide, não pq eu sou exagerado, mas sim pq os outros estão cada dia mais frios...

Já tentou criar uma memória musical? É divertidíssimo. Crie uma trilha sonora para a sua vida: que cada música te leve a um túnel do tempo, de emoções, que você possa fechar os olhos e se imaginar em algum lugar ou algum momento da sua vida que não quer esquecer.

Quem nunca teve um amor platônica, encomende um imediatamente. Mas cuidado: apesar de mui enriquecedor, possui, como todo remédio muito pesado, fortes efeitos colaterais. Ter uma musa inspiradora, se apaixonar sem saber o outro lado, gostar tanto de alguém que até prefere se esconder, como diz a canção, é, no mínimo, muito interessante. E ao contrário do que pensei, não é algo só de adolescentes: adultos também são vítimas desse bem.

Amor a primeira vista existe sim: quem diz o contrário é intriga da oposição.

Mude, mude sempre. Seja no visual, seja no pensamento, seja no gosto etc. E quando quiser ser mais radical, volte ao que era.

Trabalhe, trabalhe, trabalhe. Estude, estude, estude. De preferência muito e intensamente, mas entenda que pausas são partes essenciais para qualquer boa sinfonia. Sobretudo a nossa sinfonia diária.

Mas, de tudo que eu sugeri (e poderiam dar mais outras mil páginas), não faça nada disso como obrigação. Não leve as coisas tão a sério, nem essa busca pela sua humanidade.

Por fim, mesmo sabendo que você já deve ter esquecido de muita coisa que já disse aqui, preciso fazer uma consideração a mais: não sou mestre, profeta, guru da boa vida, da vida não mecanizada, da vida não rotinizada. Pelo contrário, sou apenas um homem que deseja profundamente olhar mais tarde para a minha vida e dizer que fui um humano, que

Tornei minha vida um eterno caça-níquel.

Mais do que ter histórias para contar para minhas filhas (escutaram, FILHAS!), netos, bisnetos, quero ter história para contar para mim mesmo.

Afinal, fecham-se as cortinas do teatro, o espetáculo termina, cerram-se as janelas e as portas, e fazendo isso ou não, a vida continua.

Música de fundo - "Epitáfio" - Titãs

domingo, junho 18, 2006

Subversão


Recebi esse recado pelo orkut não faz muito tempo:
"Nelton, desculpe ter fuxicado seu orkut, mas me amarro na sua criatividade e humor!!! Vc acredita que quando fico aborrecida, dou uma espiada nas suas fotos e acho tão bem humoradas que a trsiteza momentanea vai embora... Viu, vc é um gênio !"


Sinceramente, eu ganhei o ano. Não apenas porque encheu meu ego -não serei hipócrita a ponto de dizer que isso não aconteceu - mas, porque foi feito por alguém que não tenho tanto contato, de forma espontânea e natural, características tão raras num mundo tão artificial como o nosso. O mais engraçado dessa história é que justamente minhas fotos eu não acho tão engraçadas assim. Contudo, é sempre muito bom perceber como ainda vale a pena espalhar algumas sementes de humor e subversão mundo afora. Não me considero o melhor, o mais engraçado, o mais subversivo, sei meu espaço e é nele que quero habitar até me der na telha de mudar.


Ser subversivo é quando vc começa a falar e alguns param para prestar, enquanto outros começam a fazer caretas, sabendo que vc vai falar algumas coisas que incomodam. Para um subversivo, é tão bom escutar o famoso "Lá vem ele com as suas...", e melhor é quando ele percebe que há alguma lógica no que estou dizendo. E o contrário tb é fantástico, quando eu vejo que ele tem razão, afinal, "penso, logo, mudo de opinião". A primeira vez que escutei que era subversivo foi da minha fonoaudióloga, que era minha psicóloga também, quando ela me disse que eu andava na contramão do mundo. Achava que era assim por ser cristão,ledo engano. Para aumentar e complicar a minha subversão, eu estava na contramão do mundo e estava na contramão dos meus pares cristãos. Até hoje sou mal visto, ou como o subversivo, ou como o rebelde, ou aquele que não respeita hieraquias. Até entendo essas pessoas, mas, em minha defesa, que mal há em perguntar "por quê" ?



Tentar cada dia ser diferente, mas sendo eu mesmo, não inventando caricaturas; olhar, agir, sentir sempre sobre uma perspectiva diferente; amar o desconhecido e só sossegar quando este se tornar conhecido; aprender cada dia uma palavra nova no dicionário, descobri um novo cantor (a) para apreciar, mudar o tempero do arroz, rir da mesma piada sempre, sorrir, amar,e, principalmente, fazer rir, fazer pensar, fazer refletir, fazer mudar: não para o meu jeito, não condicionar essa transformação, mas mudar, sempre mudar. Enfim, transformar a monotonia, a rotina em algo, pelo menos, mais divertido. Mas ser subversivo não se resume a somente isso. Há tantas outras formas, atitudes, pensamentos, para ser subversivo. Mas, para mim, há 2 carcaterísticas para ser um subversivo:


1 - Se sentir incomodado com qualquer tipo de acomodação, passividade e afins. Se tem uma coisa que me irrita, essa coisa é conformismo. Pessoas que se anulam, esquecem seu poder de criatividade, de mudar, de revolucionar, e ficam paradas, agindo do mesmo jeito, pensando da mesma forma, tais como robôs sem coração, sem alma, sem espírito crítico. É claro que não são todos, mas uma razoavel parcela é assim. Em prol de um nome, reputação, de uma falsa e porca hipocrisia, esquecem de...

2- ...Ser vc mesmo. É vc gostar de si mesmo, se amar, sem que para isso vc precise escutar essas palavras de outrem. E gostar de si mesmo é saber seus defeitos, sem que para isso vc tenha que acabar sua auto-estima, e reconhecer suas virtudes, sem que para isso vc seja chamado de presunçoso. É ser verdadeiro o tempo todo, até com vc mesmo. Ou vc, meu amigo leitor, não tem segredos que nem vc quer lembrar? Pensamentos,atitudes que já fez, ou já pensou em fazer que vc nunca contou para ninguém e esqueceu em alguma parte de vc? Na busca de amigos verdadeiros, esquecemos que nós podemos ser nosso melhor amigo, sem que, para isso, nos isolemos. É reconhecer que somos contraditórios, que não temos coerência, que não somos uma máquina, que a falha é essencial em nossas vidas. Eu gostaria de entender certas pessoas que vivem em função do que as pessoas dizem. É claro, que em certos graus, todos somos influenciados pela opinião dos outros, mas viver pautado no que as pessoas acham, é se policiar, colocar uma camisa de força na sua liberdade. Eu não tenho vergonha de ser eu mesmo: falo alto, gesticulo como um legítimo italiano, rio de tudo e de todos, minha risada, como diz minha amiga Priscila, é escandalosa sim. Falo rápido, falo besteira, soltos meus palavrões. E serei assim até me eu me cansar: não tenho melindres em mudar. É ser Cristão e escutar Marcelo D2, Angra, Earth, Wind & Fire, Bach, Bethoven, Ja Rule, Tom Jobim, Mariah Carey, Stevie Wonder, Dj Patife, Seu Jorge, sem se achar sem personalidade, muito pelo contrário.



O mais interessante é quando esquece dos outros, certas características que vc gosta são reparadas sem que vc force isso. Concordo que todos nós usamos máscaras, até quando achamos que não temos nenhuma, mas tem pessoas vivem com uma máscara para agradar, para ser bonzinho, para se enturmar, para ser popular. E, desculpe a expressão, dá ânsia de vômito: até uma flor de plástico é menos artificial que essas pessoas. Como professor, como homem, naturalmente tem pessoas que não gostam de mim mesmo, de graça, sem procurar saber quem sou eu, e não vejo problema nisso não: o meu mundo seria tão chato se as pessoas só gostassem de mim, me achassem bacana, popular. Mas, como qualquer ser normal, gosto de elogios. São raros, por isso saboreados de forma toda especial. Um elogio que eu amo, e que é o mais comum é o famoso engraçado: as pessoas pensam que eu sou um palhaço extrovertido, enquanto eu me acho um tímido introvertido com alguns lampejos de ironia. Mas tenho um carinho tão grande quando falo alguma coisa, espontânea, simples, inadvertidamente, e faço alguém rir, que posso dizer, sem dúvida, que vale a pena ser vc mesmo. Ainda...


Subversivos: não somos vilões, também não somos semideuses. Somos como vc, seu pai, o padeiro da esquina, o jornaleiro, o vendedor de bala: normais. Temos anseios, medos (muito medo, aliás...), interesses, não somos benfeitores desse mundo. Somos, como no velho clichê, diferentes.


Espero que isso tenha, pelo menos, te incomodado.


Nelton, sinônimo subversão.