terça-feira, setembro 05, 2006

Um doce passado...

22 horas. Era para ser mais um programa de futilidades, que prende atenção por alguns minutos, me ninando para mais uma noite de sono. Mas, diferentememte do que tinha planejado, fui tragado pela tela e transportado para alguma segunda entre 1998 e 2001. A melodia vocalizada de Paula Cole me conduzia prazerosamente aos velhos amigos das segundas às dez da noite. Eu, um rapaz entre 15 e 18 anos, via meus anseios, desejos, medos, frustrações, minha realidade refletida naquele grupo de jovens de Dawson’s Creek.

23 horas. Click! Num piscar de olhos, estava de volta, aos 22 anos, mudado em alguns pontos, conservado em outros tantos, dizendo “já passou?”. E percebi que oitos anos podem passar tão rápido quanto sessenta minutos. Não, não é pra eu começar a bravejar aos quatro cantos que “to ficando velho!”, contudo, é estranho você ver que o tempo está escorrendo pelas suas mãos. Lembro-me como se fossem a cinco minutos atrás da dor de cabeça que tive a exatos quinze dias.Olho para meu blog, agora com dois anos de vida, e lembro do dia que resolvi criar um. Lembro (com um sorriso no canto da boca de alguém que sempre gostou de estar apaixonado) de todas as especificidades do dia que sua paixão platônica me chamou de anjo por eu ter emprestado o walkman para ela em...1997!(mais exatamente no dia 27 de dezembro de 1997, por volta das 17h, dentro de um ônibus de viagem). Vejo meu pai se casando pela segunda vez por esses dias, e fico me perguntando se não foi na quinta-feira passada que ele se separou da minha mãe. Não, não foi, isso aconteceu a cincos atrás. Que sensação estranha é essa? Onde eu estou? Cadê meu chão chamado presente?

Conforme o programa ia mapeando a trajetória de Dawson’s Creek, percebia que ele tinha invadido minha privacidade e mapeando a minha adolescência. Percebi como achava o Dawson molenga, sobretudo quando ele não conseguia se resolver com a Joey, enquanto eu mesmo nem beijar tinha beijado, mas dizia que não seria assim, e hoje sou, talvez, o próprio. A tv mostrava como a Joey era a minha mulher ideal. E ainda continua sendo meu biotipo de mulher perfeita: um óculos ali, um cabelo ruivo aqui de diferente, mas em essência, eu ainda continuo em busca de minha Josephine Poter. Foi a época que comecei a trazer minhas paixões platônicas para a vida real, põe platônicas nisso. O Pacey era o ideal de jovem que gostaria ser: extrovertido, falastrão, e com um barco para passar um verão inteiro sozinho com a Joey, como fizeram no final da 3ª temporada. Jen me fez querer ter alguém cuja amizade transcenda qualquer segunda intenção. E, felizmente, percebi que isso é possível. Kiss me embalava meu radinho e foi um choque perceber, mesmo que sem querer, que eu agora posso tocar a música quando quiser no meu violão. O que antes era algo inacessível, agora está em meus dedos e eu posso desconstruir, reconstruir, colocando um novo tom, um novo acorde. Alguns namoros passaram, todos com muita intensidade, e embora tenha, em certos momentos, achado que tinha encontrado, continuo em busca de minha Joey.

O primeiro beijo,um tanto quanto roubado por...ela(!) , o primeiro beijo ‘oficial’- aquele que todo mundo pensa que foi o primeiro, o primeiro amor, o primeiro fora, a primeira fossa, a primeira desilusão, a primeira vez...Caramba, tudo isso passou e nem percebi. Não tenho as dúvidas de outrora, não quero mais ser programador, nem sou mais o goleiro federado que todos os sábados viajava em busca de mais um vitória nas quadras. Minha máquina de escrever era minha confidente numa época que o computador era um sonho pouco irrealizável. Em vez de emails, scraps, msn, skype, eu tinha cartas. O cuidado de escrever, o zelo e o carinho em ir aos correios para enviá-la, a ansiedade da resposta, tudo isso ainda possui um perfume que, quando fecho os olhos, consigo sentir. Os acordes de um novo dia, que sempre trazia uma nova descoberta, formavam quem sou hoje. E meu quarto, num instante, se encheu desse som e daquele aroma, sendo irresistível eu não me levar a uma época onde tudo era mais inconseqüente, mais tranqüilo, mais inocente.

Não, a minha vida não anda tão chata a ponto de eu ter esse ataque de nostalgia, pelo contrário. Mas quero ser justo e dar honra a uma fase tão transformadora, mas tão desvalorizada por aqueles que não querem se lembrar que já foram aborrencentes.São épocas distintas, e eu sei que daqui a oito anos vou me fazer a mesma pergunta, “mas já?”. Afinal, se somos ‘convidados’ a caminhar pela inexorável maratona do tempo, o que nos resta além de viver intensamente, como se fosse o último capítulo da temporada?


Musica do Post - I Don't Want To Wait (Paula Cole)

2 comentários:

Marcus disse...

Você nem é velho Nelton hahah que nostalgia é essa de Dawnsons Creek... haha bricadeira. Como eu sou um pouco mais velho que você, haha minhas nostalgias são diferentes... Anos Incríveis, Anjos da Lei, Miami Vice, etc...

As coisas ainda eram mais inocentes que na sua época, mas você ainda pegou o final da inocência na cultura ocidental...

Abs!!

Marcus Ferreira

Caty disse...

Nossa Fessor ... q lindoo
adorei ...
me fez refletir sobre o assunto ...
agora vou fazer tudo com + vontade .. pra depois poder ficar em minha lembranças ..

Vc escreve muito bem ..
acho q vai sempre aganhar meu comentario aki aparti de hj ..
sempre q entrar na net vou vim aki ler seu blog .. pq simplismente amei ..
te adoro (e ñ mentira)
bjüz ..
sua aterna aluna