terça-feira, junho 21, 2005

Platonismos

Dias nublados, com uma minúscula garoa, tendendo a esfriar (embora eu já esteja vestido como se estivesse no pólo norte) sempre foram os meus prediletos. E hoje não deve ficar por menos, pois além da inspiração oriunda da natureza, acordei hoje pensativo, reflexivo, cheio de dúvidas, uma angústia amalgamada com uma ansiedade que só numa coisa pensei: preciso escrever.

Platão: esse sábio conseguiu definir uma categoria de amor na qual eu, constantemente, me enquadrei, enquadro e me enquadrarei ao longo da minha vida. É uma sensação totalmente diferente de quem já amou uma vez na vida: é sublime, inebriante, atormentadora, confusa, depressiva, regojizante entre outras característica que daria um volumoso livro.

Talvez seja a tentativa de se encontrar a mulher perfeita, ou então fugir da realidade da solidão, não importa. Importa é o fato desta acontecer espontaneamente ou racionalizada, perto mas tão longe, ou mesmo, longe mas com a impressão de ser tão perto a ponto de pensar em acariciar sua pele majestosa, ainda que tal pele majestosa esteja a algumas centenas de quilômetros longe de ti. É um sentimento que seja dos mais difíceis de ser romper: é mais difícil romper consigo mesmo do que com o outro, e neste processo platônico, se quiseres despedaçar tão ambíguo sentimento, terás que despedaçar a ti mesmo em primeiro lugar.

Sobre amores platônicos há uma considerável literatura contando passo a passo o que acontece com as pessoas vítimas desse bem, como se tudo nesse mundo pudesse ser reduzido a receitas de bolo. E como tais receitas você encontra a torto e a direito por aí, prefiro dar a(s) minha(s) experiências, que nunca tiveram finais felizes como os amores platônicos hollywoodianos . A minha adolescência entrecruzou-se, indelevelmente, com amores platônicos, de modo tão rápido e tão inexplicável que quando vi, não conseguia me imaginar mais com outra pessoa a não ser ella. Fui aos 4 cantos da terra para buscar sua amizade, criei e recriei o céu por ella, meu coração vivia em coma: e só acordava quando meus olhos a viam, ou escutavam a sua doce voz. O tempo não foi meu inimigo, pelo contrário, dois anos são 730 dias pensando incessantemente nella, o que é, no mínimo razoável. Bem, tive que me contentar com sua grande amizade, o que para mim, naquele período era como se fosse um prêmio de consolação. Pensei: “não vou cair nessa armadilha novamente!”. Enganei-me a mim, mas não ao meu coração, que é padece do mal da surdez. Mas dessa vez seria mais maduro, mais honesto comigo, menos altruísta. Foi quando percebi que fazia as mesmas coisas, que no amor platônico, não há maturidade ou imaturidade, há desapego a sua pessoa em prol de outra. Sofri novamente...

Passaram-se quase 5 anos, pensei que tinha superado essa fase juvenil de minha vida, mas como o andar na bicicleta, uma vez que você aprende, não esquece nunca e sempre volta ao ponto inicial. Pior, ou melhor, da mesma forma do que aos seus 16 anos. Mas há suas diferenças: se outrora fora espontâneo, dessa vez foi escolhido, pensado, racionalizado. Mas novamente sofri, da mesma que me alegrei dezenas de vezes. É processo viciante, a adrenalina no corpo é arrebatadora.

Mas nem tudo é lamento. Em todas, eu aprendi muito mais do que perdi. Não entrarei em pormenores, mas praticamente tudo que eu sou hoje é graças ao meu platonismo: desde dos livros que leio, do meu gosto musical, o que é engraçado, pois eu sou diferente de quase toda minha família (graças a Deus!), até, e acredite-se se quiser, a minha paixão pela docência, a escolha da minha profissão.Tão entranhado nesse universo feminino que adquiri um conhecimento, pequeno, reconheço, deste tal mundo tão fascinante. Mas, sobretudo, aprendi a fazer alguém feliz, não sei se consegui algum dia, mas eu ainda mostrarei.

Mas é difícil eu pensar como o cantor, em acreditar só vou gostar de quem gosta de mim .

Talvez eu goste de ser, ou estar assim. Talvez porque acredite que possa acontecer para mim o que aconteceu com Simplício Gomes e a Dudu, do conto de Artur Azevedo. Termino esse passeio na minha mente pedindo para quem esta a ler-me , que se delicie com esse conto, e imagine quão doce final eu quero uma vez na minha vida.

Mesmo em sonhos.

segunda-feira, junho 20, 2005

Momentos Poéticos I

De volta ao Planeta dos Macacos!

Mas como todo regresso a normalidade, pelo menos durante esse 1 mês e meio de férias, faz-se necessário alguns instantes de re-adaptação social, política, religiosa, e, sobretudo, emocional. Deixo então que o poeta descreva, com uma admirável perfeição, meu estado de espírito das últimas semanas.

Senhoras e senhores, é com imensa satisfação que vos apresento,
Luis de Camões







Transforma-se o amador na coisa amada,
Por virtude do muito imaginar;
Não tenho logo mais que desejar,
Pois em mim tenho a parte desejada.
Se nela
está minha alma transformada,
Que mais deseja o corpo de alcançar?
Em si somente pode descansar,
Pois consigo tal alma está ligada.

Mas esta linda e pura semidéia,
Que, como o acidente em seu sujeito,
Assim como a alma minha se conforma,
Está no
pensamento como idéia;
O vivo e puro amor de que sou feito,
Como a matéria simples busca a forma.
Antes de partir, deixo uma frase que acho que combina harmonicamente com tudo isso aqui escrito. Agradeço minha queria, amada, salve salve amiga Cinthia Rocha que indicou o site e essa frase por achar que era a minha cara:
Um bom poema é aquele que nos dá a impressão de que está lendo a gente ... e não a gente a ele!" - Mario Quintana

Mais Nelton impossível.

domingo, junho 19, 2005

Uma Câmera na mão e ...

Sucumbi aos encantos de um Flog ou Flickr, mesmo tendo certeza de que não sou o mais fotogênico dos homens.

Já que abri um post para contar as novidades, agora vos-me-cês podem se cadastrar aqui no canto direito deste singelo blog e sempre que eu atualizar o mesmo, vocês serão premiados em serem os primeiros a saber: sem precisar entrar no blog todos os dias (Nelton, sem delírios!) ; sem encheção de paciência do dono do blog para entrar. Simples, rápido e prático.

Musica da semana: Circles , Mariah Carey

sexta-feira, maio 27, 2005

Quietude

Silencio...


Oh, a mais bela das melodias, com seu acorde único e tão subjetivo. O que seria do som se não fosse o silêncio? Este é o artista: dentro daquele amontoado de complexos sonoros, ele molda e o transformam na mais bela harmonia. Pena que o este é dado um papel secundário, quando não é completamente desdenhado.


Vivemos num mundo tão barulhento, tão poluído,que o silencio é como um grande refletor aos nossos olhos: incômodo. Estranhamos quando o outro esta silencioso, achamos logo que não está bem. Engraçado, a quietude sempre leva esse rótulo de tristeza ou apatia, talvez seja pelo fato das pessoas não saberem escutar o silêncio.Talvez não.


Eu gosto do silêncio. Traz-me paz, calma, serenidade. Eleva meu espírito a um estado indescritível.Também gosto do som: alegra minha alma, me desperta, alinda. Mas deste dois, eu prefiro ao primeiro. Uma das primeiras lições que tive na escola de música, e que todos devem saber, é que saber respeitar a pausa. Pausa é igual ao silencio, instante de profunda concentração, contudo, instante de relaxamento frente à tensão das notas que foram e que serão tocadas.


Sou um homem que fala muito. E põe muito nisso. Falo alto (recebo diversas reclamações por isso), gesticulo mais ainda. Sou desastrado, hiperativo, falo pelos cotovelos, às vezes falo o que não devo.Preciso ainda ser mais diplomático, ter menos papas na língua, amadurecer o vocabulário.Mas sei me calar. E faço isso com tanta naturalidade, com tanta espontaneidade, que aos outros parece anormal. É como se eles nunca esperassem isso de mim.


O silencio é meu amigo, um dos melhores, inclusive. Conviver com ele não é nada fácil: sua sinceridade chega a ser inconveniente e constrangedora. Não consigo mentir nem enganá-lo, tampouco omitir algum fato ou detalhe a ele. Parece que ele tudo sabe, me escuta como se já tivesse escutado aquela história outras vezes, mas mesmo assim está ali, do meu lado, sem parecer cansado. A cada dia tento aprender a saber tirar mais proveito dessa união.Tem dias, e ultimamente bem recorrentes, que a minha vontade é ficar quietinho, de preferência quase que imperceptível, só escutando os outros, sem julgar, sem criticar, só escutar, envoltos em meus pensamentos, conversando com o meu silêncio.


Mas este não é sinônimo de solidão, tampouco, sinônimo de parceria. Não é nem um, nem o outro, é apenas silêncio. Também não se resume a falta de som. Cada um tem que achar seu silêncio, aquele que foi feito para você. Isso demanda tempo, paciência, interesse. Como tudo tem seus prós, assim como seus contras.

Meu silencio é bem barulhento: numa casa onde você não é o único, nem o “dono da bola”, pouco se pode fazer a não ser encontrar outros “silêncios”. O meu tem como nome Jazz: adoro todos, ou quase todos estilos de musica (acho engraçado o forro de duplo sentido mas ainda não suporto o sertanejo), escuto-os quase que 24 horas, todavia, quando estou escutando jazz, eu não estou nesse plano, na verdade não estou em plano algum. Estou dentro da harmonia, navegando sobre as notas, procurando as pausas, buscando o inexplicável, uma endorfina viciante. As vezes, um violão do lado (um dia terei um piano de calda), alguns acordes, mas, no fim, a busca é a mesma: o silencio.

Pensar em nada especificamente, mas ficar submerso a tudo que vem a mente. Resolver algumas duvidas, criar outras tantas, deixar algumas pela metade. Não ter compromisso com nada, e amadurecer com isso. Pois, no nosso idealismo juvenil, cremos que podemos mudar o rumo da onda. Nessas horas, vale a máxima do surf: surfe, apenas
Surfe.


Equilíbrio...


É como esse texto aqui, que não tem lógica, nem fim. São apenas pensamentos, traduções de conversas com meu silêncio


Devaneios...

domingo, maio 08, 2005

Sobre amigos e colegas

"Vc é um eremita? Você é muito solitário, gafanhoto!”.

Com essas palavras, ditas não faz muito tempo, um amigo meu alertou-me sobre uma virtude minha e sobre um defeito meu: a minha severidade nas escolhas das amizades e minha solidão consciente, respectivamente.

Mas a minha vontade de escrever sobre amizades (o título do texto é um plagio confesso de "Sobre meninos e lobos") foi depois que algo tão agradável aconteceu, mas tão agradável e prazeroso que tinha até esquecido que existia: a formação de uma amizade.Foi tão honroso que mereceu a menção no blog, não somente menção, mas um post inteiro, intrometendo-se na análise sobre minhas manias.

Deixo bem claros aos quatros ventos: sofro de uma solidão espontânea. É algo tão interiorizado, tão consciente que se tornou algo intrínseco, parte da minha natureza. Não sou de viver isolado do mundo, mesmo porque, para quem me conhece, falo pelos cotovelos - escuto ainda comentários de "vc esta bem? Não, nada em especial, é pq vc esta muito quieto!” - contudo eu gosto de um silencio, de apenas o som da natureza, tudo bem que aqui na metrópole a natureza se resume a buzinas,batidas, funk (quer bolete na veia!), trens, tiros..., Mas eu gosto estar sozinho, de pensar sozinho, de falar sozinho (já prometi um tópico só sobre isso, mas falta vontade...), ou seja, de SER sozinho.Não que isso seja algo permanente, pelo contrário, sonho com minha família tradicional bastante movimentada, mas sabe tem horas que quero só eu e um livro, eu e um computador, eu e uma musica ou mesmo eu e um violão (terapia para todas as horas).

Justamente por isso, tenho uma espécie de dificuldade de relacionamento. Para quem já entrou no meu orkut vê num dos depoimentos uma frase que achei fantástica sobre mim: "...ou o amam ou o odeiam. ". Não há meio termo para quem me conhece, ou será meu amigo ou prefere não ser nada meu, apenas um companheiro de trabalho, ou de faculdade. Para mim então, a coisa é mais intransigente, não há meio termo para mim: ou é meu amigo ou não é. E hoje em dia, cada vez mais desumanizada, é tão difícil encontrar alguém que tenha prazer ou, no mínimo, paciência para querer ser um amigo, sobretudo, um amigo meu. A essas pessoas, eu gostaria, se pudesse, de dar uma coroa, um premio, um feudo ou etc.

Digo: tenho n colegas, dos mais variados tipos e gostos, de todos os tamanhos e idades, do ateu, ao mais fanático e fervoroso protestante. Mas amigos, amigos no sentido estrito da palavra, são poucos e se esgotam nos números das minhas mãos.Até menos, se fosse mais exigente.

Mas o que é amizade para Nelton Araújo? Algo tão simples, tão banal que desacostumamos a fazer: se importar com o outro.Nenhuma outra frase poderia resumir tão perfeitamente o que é ser amigo para mim. Da mesma forma que Jesus conseguiu, brilhante como sempre, resumir os dez mandamentos em dois (pequena aula de escola bíblica que você matou: 1- "Amar a Deus sobre todas as coisas" e, 2- "Amar ao próximo como assim mesmo"), eu resumo qualquer coisa que venha a falar agora sobre o que é ser amigo para mim nesta frase. Mas, também, poderia importar esse segundo mandamento como ótima síntese, aliás, o que é ser amigo além de você buscar amar o outro como a si mesmo? Pelo menos na minha óptica sim, e quem também se enquadra nisso, continue a leitura, caso contrario, os próximos parágrafos serão profundamente nauseantes.

Sabe ter o feeling de perceber quando o outro não tá legal? Sentir na voz ou nas palavras de um MSN que o outro precisa de ajuda mesmo quando ele não pede, sem ser com isso intrometido ou indiscreto?Saber q a frase "Sorrir quando esta feliz, mas, principalmente estar perto quando o outro chora?" é a diretriz de uma amizade?Tratar e ajudar o outro mesmo quando você não sabe abacates sobre o assunto ou pouco fazer, mas só estar ali dando um suporte moral, dando seu tempo...Tempo, que palavra interessante de ser dita agora, parece q veio dos céus (efeito de Constantine, ligue não...), é isso: É você, nesse mundo louco e corrido do século XXI, ter tempo para ouvir, dar atenção. Não falo ouvir a toa: às vezes, quase sempre, as amizades são mercenárias, só servem para falar, aí na sua maioria, fala-se muito, escuta-se muito pouco. Pior, é como se o outro tenha que ser seu psicólogo 24 horas: dar os ouvidos é uma coisa, se fazer de psicólogo é outra completa e perigosamente diferente. Ou mesmo simular uma amizade com outros interesses , como interesses acadêmicos. Talvez a dor de ter percebido que foi usado ou , pior , perceber que uma amizade que parecida existir , ser apenas fachada por um ou outro problema me faz hoje ser mais duro comigo mesmo e com os meus amigos.

É conversar sobre qualquer coisa sem ter que "pisar em ovos".Mas sobre qualquer coisa mesmo, até, inclusive, de coisas que você depois de ter dito se pergunta, "Eu disse isso, realmente?" É conversar sobre essas mesmas baboseiras altas horas da noite, mesmo com sono, mas só pelo fato de se sentir tão bem que não acredita q um sono possa ser melhor, e acordar as 6 da manha do mesmo dia. É pensar, seja numa musica, seja com a leitura de algum livro que você pensa "Ele ia gostar disso" ou "Isso o acrescentaria nos seus estudos"; É fazer as coisas desinteressadamente, tipo aquele que dá presente porque gosta e não porque quer ganhar presente no seu aniversario (alias desde já se preparem, o meu é no final de dezembro, e eu quero livros, bons livros, não precisa ser caro, apenas livros), é ver no outro o outro, obviamente, mas também se ver nele, e é por isso que "Sorrir quando se esta alegre e estar perto quando esta triste", pq chorar nem sempre é uma reação espontânea, estar perto para ajudar e cuidar, mesmo que essa proximidade seja pela net, isso sim deve ser natural.Ser leal.

Lendo o que escrevi agora, parece que isso pode parecer algo que esteja mais próximo de um relacionamento amoroso do que para uma amizade. Sei que vou escutar criticas e oposições ao que vou escrever agora, mas eu creio que a amizade, do sentido que eu penso funcionar, é um nível superior do amor, algo maior. Não é a toa que os casamentos que dão certo tem como base uma profunda amizade. A renúncia é maior, o amor e a tolerância devem também ser maior do que num relacionamento, uma vez que um amigo nem sempre é o "seu tipo", se é que você pode entender onde quero chegar.

Os tempos de formação de uma amizade também variam no tempo e no espaço: há amizades q se formam e solidificam em anos de vivência, bem lento-era daquele que você pensava que nunca seria seu amigo, mas com o passar dos anos você percebe q ele é interessante, que há uma química-, e outros que se fazem na velocidade de um ou dois meses, ou mesmo em uma ou duas semanas, e pelo mesmo motivo: a química. Química é o que não pode faltar, aquele clima q rola quando você conversa sobre História ate sobre como seu amigo pode conquistar aquele amor enrustido-mesmo que para isso, temos que voltar a adolescência e ler horóscopo (risos)...

As pessoas não me conhecem. Definitivamente não. Eu não sou uma pessoa fechada, pelo contrario, sou um livro aberto, mas só com aqueles que eu percebo confiança. Essa, entre outras que deixei aqui escapuli, termina minha análise sobre a amizade: sabe alguém que você pode contar seus sórdidos defeitos, sabendo que mesmo um dia, nos desencontros da vida, nos esbarrões das personalidades, nas brigas, você ter a consciência limpa e saber que nem ele vai espalhar aos sete ventos nem você terá vontade? Na verdade a briga é algo natural numa amizade, pois assim como não há o casamento sem briga, não há amizade sem criticas, briguinhas, pedidos de perdão, desculpas etc...Sabe o que é você perguntar sobre algo, e saber que se a pessoa criticou, mandou corrigir, ou mesmo que disse que tá ótimo, não é porque ele quer te fazer mal, pelo contrario, é porque ele não quer que os outros te façam mal. Isso é confiança, que é como um vaso de cristal: uma vez quebrado, nunca volta ao seu estado harmonioso original.

Isso é a amizade: o resto é coleguismo passageiro e fugaz.

Não sei se para você funciono assim, talvez eu seja um pouco intransigente, tradicional frente essas amizades pós-modernas, que trocam de amigos como quem troca de roupa, é só falar um não, ou falar aquilo que não agrada, que partem para uma outra "amizade". Chamar as pessoas de amigas ta tão banal e costumeiro como falar "Eu te amo".Ainda sou do tempo, saudoso por sinal, em que os amigos eram para sempre, que se encontravam, mesmo longe...Do tempo em que quando falava que a pessoa era amiga, é pq ela era amiga mesmo. E quando se falava "Eu te amo", que nem sempre este direcionado a segundas, terceiras ou ducentésimas intenções, independente de sexo, é porque se ama.

Talvez seja por isso que tenha tão poucos amigos.

Tudo bem, eles são os melhores amigos do mundo . Eu os realmente os amo com toda minha alma.Se eles tivessem a oportunidade de saber como eles são importantes, influentes e responsáveis na minha vida, se pudessem me retribuir com um sorriso sempre que me vissem, não faria mais questão de fazer amigos. Alias, não se faz amigos, eles são dádivas dos céus, admiro cada diferença que eles têm de mim, pq as igualdades é muito fácil admirar. Gostaria de ser mais presente, de estar mais ao lado, de ser mais amigo, mas é complicado quando a sociabilidade não faz parte da minha natureza. Por isso mesmo agradeço a cada um de vocês (tão poucos que já sabem quem são...) pela paciência e tolerância de cuidar de um bicho do mato, que vive de lua e que não gosta de telefone.

Mas eu ainda não chego a ser um eremita.

"Antes de cultivares novas amizades, não esqueças das antigas”.

sexta-feira, abril 22, 2005

Manias I

Esse assunto já era para ter sido colocado há tempos, ele é sempre o primeiro assunto que penso em escrever, mas a minha preguiça de me autodescrever – que já é uma grande mania, não é a toa que sou quase um bicho preguiça-é maior do que eu. Maior do que a minha preguiça, talvez seja a tendência global de nos afastarmos de certo “temas-tabus” como eu denomino (e para isso recomendo a leitura de um livreto muito bom “A solidão dos moribundos” de Norbert Elias), como a Morte, o Sexo - na visão particular de cada um e não as visões romantizadas, lindas, mas com a tendência a nos generalizar como pacote de salsichas-e, entre outras, as nossas queridas e amadas manias.

Para quem já acompanha este singelo blog sabe que a minha angustia – o meu bichinho de estimação-e a minha amada ansiedade são características quase que inatas a minha personalidade. Se um dia você me vir diante de uma situação sem um ponto de ansiedade e caso essa situação não tenha dado certo, e eu estiver sem uma ponta de autodepreciação e angústia, por favor, chame a ambulância, pois eu fui possuído pela Samara.
Mas hoje as manias são outras, complementares e mais, digamos, exóticas ou engraçadas: o meu “desconstrutivismo” de idéias e o meu querido e longo papo comigo mesmo.

Um exemplo para ilustrar: Certo dia ,creio que numa quinta feira, andando com a minha amada, estávamos a conversar sobre algumas, das várias que existem, dúvidas da Bíblia. Lembro-me do tema: Saul tinha ou não consultado Samuel por via da necromansia? E não entrando no mérito de especificar qual a teoria de cada um, eu tinha uma visão X, e a expus. Logo após ela disse a visão Y dela, embasou, disse bonitinho e tal. Lembro-me como se fosse ha 3 minutos atras eu virando para ela e dizendo: “tá bom, você está certa, mudei de idéia!”. E é assim que eu sempre faço. Isso é que eu denomino de minha “desconstrução” de idéias, e a minha tentativa de buscar o equilibrio das coisas. Mas antes de falar sobre ela, eu quero defendê-la, pois minhas manias são minhas e não quero perdê-las: algumas pessoas chamam isso de falta de personalidade, ou uma espécie de “maria-vai-com-as-outras” , etc. Mas eu acho essa arrogância de só porque você tem uma idéia sua, você não possa mudar, só pelo orgulho de não se sujeitar a uma idéia que não foi criada por você. Isso, ao meu ver, é ridiculo.

Não que eu não pense, muito pelo contrario, pois minha hiperatividade me obriga a pensar , e muito. Eu tenho uma idéia formada sobre tudo, mas ainda assim, prefiro ser aquela Metamorfose Ambulante de Seixas. Sou uma espécie de Liquidificador, onde está tudo misturado, todas as correntes de pensamento, todos os gostos musicais, todos os tipos de literatura, tudo que é programa de televisão, etc. Mas, no caso das idéias, nesse meu “Liquidificador” mental, não entra qualquer coisa,pois, voltando ao primeiro exemplo do parágrafo anterior, não foi pelo fato de ser minha namorada que mudou minha idéia, e sim pelo fato dela ter embasado perfeitamente a posição dela, a tal ponto de eu perceber que a minha visão era falha e que a dela , por mais que mais tarde ela tb possa , talvez, ser colacada em contradição, era bem melhor do que a minha. Ou seja, para entrar no Liquidificador, tem que ter algum conteúdo embasado, uma espécie de filtro, comum nos liquidificadores modernos.

Essas semanas, eu estava ,onde dou aula ,conversando sobre , para variar, história com os outros professores desta disciplina- é, qdo vc encontrar 2 ou mais estudantes de História, eles estão conversando em sua grande maioria sobre história- e uma delas resolveu fazer a pergunta que todos estudante de história gosta de fazer:”Você é o que? Marxista, Estruturalista? Weberiano? Pos-Modernista...”. Aí dois disseram que eram Marxistas, um disse que era Weberiano, e eu quieto...quieto, até que eles olharam para a minha cara quase que me intimando a responder. Foi o que eu fiz: “Eu sou tudo isso, e sou nada disso”. Para mim, a resposta perfeita, uma vez que posso pegar as melhores idéias e que melhor convir para mim e para meu trabalho,mas não necessariamente ser partidário ortodoxo de um destes , mas para eles, que assim como a maioria esmagadora de proto-historiadores que não conseguem entender nem piadas , tampouco metáforas, eu tinha perdido meu conceito que ganhara ao dar a aula.

Outro exemplo clássico, a tão famigerada política. Eu, particularmente me divirto com o ortodoxismo dos PSTUs da vida. Será que é tão dificil perceber que mudar um país continental com tantas desigualdades não se faz em 4 anos? Não, não defendo o Lula, nem o ataco, pq nada esperarava dele quando entrou, e sinceramente, ele tem falado cada besteira ultimamente, talvez por falta de uma boa acessoria, e quem o viu pedindo perdão aos Africanos pela Escravidão sabe do que estou falando.Mas ser radical , e infantil, em dizer que ele faz o jogo do Imperialismo (que definição mais anacrônica), é no mínimo, engraçado.Mas também o jogo do Olavo de Carvalho, q a cada dia com seu discurso de que vivemos uma ditadura comunista (?) vem arrebatando um número crescente de neo-conservadores, não faz parte das minhas convicções.

Mas onde esta o ponto principal do meu tema no que eu disse? Pois bem, mesmo o radicalismo de esquerda ou de direita não sendo algo que eu leve como convicção partidária, colocando severas críticas em seus discursos, eu consigo e apreendo algumas das suas idéias na visão mais “neutra” ou “de centro”. É algo tão natural , pois nada é tão certo a ponto de ser acreditar cegamente (leia o proximo parágrafo) ou tão errado a ponto de ser descartado completamente.

Falando em crença cega, vamos a mais um “tema-tabu” : a religião. A tendência hoje é dizer que este não é mais um tabu, pois a liberdade de expressão e de confissão religiosa esta aí para isso. Mas já parou para perceber uma certa ceguidão na maioria de seus discursos, não importa se é no culto, homilia, seja lá o que for, ou em blogs da vida, ou mesmo na musica ou nos testemunhos? Como se a verdade absoluta estivesse em suas mãos, cabendo a si prórpio a salvação , e a condenação para quem não estivesse dentro de sua “religião”? É algo polemico, tanto que sei que receberei criticas, como recebo, por este parágrafo.Tive que rir um dia desses quando um aluno me disse que o Papa foi para o Inferno pq era católico. A senhora me diz isso em sala de aula, com mais de 60 pessoas a escutando, tem noção? Talvez a minha risada irônica, junto do fato dela saber que sou protestante também , tenha sido mais revoltante para ela do que a minha resposta que se o céu só fosse dos “Evangélicos” (Isso e a denominação de “crente” eu não consigo entender...), ele ia ficar bastante vazio do que o planejado inicialmente...Mesmo sendo protestante, batista, quase que nascido em Igreja, não me cega a ponto de pensar que vivo na melhor das religiões, pois isso não há: Jesus nasceu Judeu, e morreu Judeu, a trasformação que ele propôs é no coração do homem. Se ele não condenou a mulher de samaria , pq eu condenaria o papa , um velhinho simpático, pela sua escolha? Quantas escolhas eu não faço que não são condenáveis? Eu tenho a minha crença, minha “religião” , não estou lá pela força da inércia ou da tradição, mas , só por causa disso eu tenho que me calar e deixar de estudar, para melhor me descobrir? É por isso que as pessoas são enganadas hoje como eram enganadas na Idade Média.Eu nem sempre tive essa idéia, visto que fui criado na Igreja,mas a vida, as leituras, e sobretudo a faculdade de História me deram uma visão mais racional (como Paulo pede em sua carta) da minha fé.Em outras palavras, mudei de idéia por outra que, para mim, era melhor.


É por essas e outras que eu digo que sou um bicho estranho...não é?


Continua...

segunda-feira, março 28, 2005

Lembranças de outra vida

Viva o Orkut! Podem dizer que ele é o prenúncio dos últimos tempos ou uma conspiração do google, mas que ele é melhor forma de reencontrar pessoas.

Depois de quatro anos de ausência e silêncio, encontrei antigos colegas de ensino médio -parece que o fiz há séculos-peguei o MSN de alguns e procuro o paradeiro de outros. Sabe a saudade é algo estranho, contudo extremamente prazeroso e viciante. Falo isso, pois estou entre a escrita deste pequeno texto - a princípio ele será pequeno, mas como vcs me conhecem, não esperem isso-conversando com uma colega, Fabiane, e só falamos dos nossos velhos tempos.

Fizemos uma Escola técnica em Produção de Tv e Vídeo, o que equivaleria a fazer um técnico em Jornalismo. Pois bem, hoje sei de pessoas que fazem faculdade de Jornalismo, bem como de colegas que fazem Engenharia, Física, Biomedicina (descobri hoje para que serve este treco!), Odontologia, Direito, História (Ainda estou por descobrir para que serve isso!). Isso é no mínimo curioso visto que a Escola não deu preparo para absolutamente nada no que se refere à base de estudo! Isso é um problema mais geral, já que só há base para a área técnica, e esquecem que nós podemos mudar de idéia quanto ao nosso futuro. Ou nas excelentes palavras desta colega: "Quem é que na nossa idade sabe o que vai fazer?".


Quando entramos nesta escola, pensamos estar um passo a frente no mundo civilizado e no mercado de trabalho: a 1ª escola audiovisual da América Latina; a menina dos Olhos do governo garotinho (hoje sei que isso não é lá essa coisa! Que saudades da época que garotinho era nome de menino, Rosinha de flor, Lula de animal aquático, e Severino de porteiro). Um andar só com equipamentos modernos, da antiga Manchete. Aliás, o nome da minha escola vem justamente por isto, em homenagem ao grande caloteiro Adolpho Bloch. Quando a ficha caiu, já estávamos no segundo ano e nada poderíamos fazer.


Mas como nós éramos felizes e não sabíamos: tínhamos uma turma excelente. Excelente em todos os sentidos, principalmente no que se refere à criatividade. Aqui cito o nome do famoso "Bonde do gel": Carlos, Guilherme, Rafael, João Henrique, Tiago, etc. Cada aventura que passamos, desde a tacarem bombinha na nossa sala a ter uma rebelião no presídio que tinha atrás da nossa escola no mesmo momento que tínhamos Educação Física. Rolou até um Big Brother Adolpho Bloch no banheiro dos rapazes para quem ficava a mercê dos bandidos. Éramos alimentados a base de uma rica e equilibrada dieta: biscoito de 4° nível, chamado Pisk ou Dunguinha e suquinho de uva.


Tem tanta coisa a serem ditas, afinal foram três curtos anos: as meninas da turma: Lívia, Amadinha sorriso, Abandona Casagrande, Patrícia Teixeira, Fabiane, a louca da Paola, Fernanda D'avila, Roberto Rego, Aline Materna, Tarciane, Manuela, Mônica Novarine, Luana, e as Gêmeas mais doidas que conheci: Patrícia e Paula Marcondes. E os professores: Luciano, Sergio, Salvatore ou Salvador (Se é um ruim ter física, imagina com um grego!), Simone, Soraia. Fora à professora de Química que era a cara de da Garrafinha (Quem já viu alguma vez o programa da Angélica sabe o que estou falando)...


O mais engraçado nesta história toda é perceber como a gente mudou neste tempo. E mais: como é saber como nós éramos vistos por um outro ângulo, ou seja, da pessoa que esta do outro lado do computador, sem ver nossos novos rostos, podendo então, sem vergonha contar nosso podres. Olha não é nada agradável, e nem sempre é a verdade realmente, porém a pessoa tem visões diferentes sobre alguém.


Falo isso, pois eu era realmente uma mala. Isso uma mala, mas para quem andava junto comigo. Eu andava de "Lua", tinha dias que era extremamente dócil, outros extremamente agressivo. Também foi uma fase muito complicada na minha vida, com a separação dos meus pais. Eles (as) foram uns anjos comigo, para me aturar neste momento.


Mas arrogante, prepotente, nerd, isso eu nunca fui, eu tenho certeza. Falo isso, pois sabe como é, nem sempre vc é amigo de todos. Alias tinha um grupo que me odiava, mas me odiava mesmo. O motivo? Pq me achavam nerd demais, pois acredito que pensavam que era arrogante pelo fato de sentar a frente ficar quieto (Nem sabem o quanto eu dormia nessas horas), que nos dias de prova eu sentava lá na frente e não dava cola para ninguém...


É por isso que o diálogo é a melhor arma e escudo que podemos ter: só com ele podemos realmente formar nossos conceitos, evitando nossos pré-conceitos. Se vcs acham estes que vos fala extremamente comunicativo e extrovertido, saiba que um dia não foi assim não. Uns homens extremamente fechados e tímidos, inseguros demais comigo mesmo, imagine para fazer amizades e sair a conversar a torto e a direito? Se soubessem que estava quieto, mas doido para participar das suas bagunças...Que ninguém perguntou se eu queria dar cola, que eu não pegava e para evitar a tentação sentava na frente, mas se quisessem colar eu estava ali, como algumas pessoas bem o sabem disto...Talvez eu tivesse conquistado mais amigos.


Todos falam: não importa se é na escola, ou no antigo prédio: eu mudei muito. Não sei se foi para melhor ou para pior, mas o fato é que mudei. Só eu que não percebo.
Sinto falta da turminha. Eu queria reunir todos e dar boas gargalhadas disso tudo. Só que não encontro o povo, nem pelo icq, nem pelo orkut (se bem que já encontrei muita gente por ali...), tampouco por sinal de fumaça...


Sabe, a gente passou tanto tempo junto, mas tanto que esquecemos que um dia iríamos nos separar, iríamos perder contato bem ou mal. Mas nunca pensei que ia sentir tantas saudades de uma época que pegava um 284 cheio para ir e outro para voltar. Passava mal a bessa, sempre um dos últimos a saltar...Tinha uns felizardos que soltavam no Norte Shopping ou ali em Benfica...Nossa tenho tanta coisa a escrever que poderia fazer um blog só com as recordações deste momento. Tanto é que esse parágrafo foi escrito posteriormente: eu escrevi ontem a noite este post e hj estou a modificar.

Espero encontrá-los...

Será que só eu sinto saudades?

sexta-feira, março 25, 2005

Dorme neném....

Gente, o blog hiberna. Hiberna, porém,não está morto...

terça-feira, março 01, 2005

A Volta do Boemio

Oi pessoal!

Aqueles que são meus leitores, quero estar pedindo perdão: estou andando um pouco sem tempo para estar pensando alguma coisa para estar escrevendo. Ultimamente, só estou pensando a minha monografia , e estarei seguindo minha conduta de não ficar colando coisas aqui, dizendo que estou atualizando o blog.Estou prefirindo algo mais sincero, então, quando as coisas se estiverem acalmando , eu estarei escrevendo novamente.

Depois de hoje, desconfio que estou com dupla personalidade, tanto é que vou estar cometendo dois crimes:

1) No filme "Jogos Mortais", o assassino é o paciente do Hospital, ou melhor, é o cara que está morto, na verdade ele está só fingindo. É até meio lógico se vc acreditar na sua obviedade: O "assassino" Led, aparece no meio do filme, e vc consegue perceber claramente que o objetivo do filme é desvendar o assassino, logo, percebemos só no final do filme que tb era controlado.

2)Essa é fresquinha: no filme "Amigo Oculto", o Charlie, ou seja o assassino, é o prórpio pai. Ele sofre de dupla personalidade, foi ele que matou a mãe, o delegado, a moça que ele tava pegando. Mas a história vai além: segundo uma fonte confiável, segura, e que saca muito de psicanálise, a menina , a Emily, tb sofre de dupla personalidade, então há sempre o desencontro: Quando o pai está lucido, ela está com a segunda personalidade, e ,obviamente quando ele está com a segunda personalidade, que é o Charlie, a menina está lúcida. legal,né?

Pois bem, agora vc pode estar ir assistindo os filmes, com mais tranquilidade e achar graça dos outros que não sabem o final. Não é?Ou não...

De todo caso, eu estarei voltando em breve...

E não se preocupem, os gerundismo é só para praticar, afinal, vai que aparece uma vaguinha de atendente de telemarketing,não é?

sexta-feira, dezembro 17, 2004

As minhas férias

Já tava na hora de postar novamente né?

Aliás, para vocês, caros e fiéis leitores -por vezes anônimos, este tema já era de se esperar.

Não foi fácil. Eu fiz neste período oito matérias, o que já é, pelo menos em História, uma maneira de se esgotar mentalmente. Imagina fazer estas oito provas em 4 dias, três vezes em 4 meses? Noites sem sono, ou melhor, com muito sono, mas acordado compulsoriamente. Não digo que não gosto, pelo contrário, amo muito tudo isto (E q o McDonalds que me processe!), mas que cansa, ah, não tenha dúvidas.

Quinta-feira já estava de férias, e o resto daquela semana foi maravilhoso: acordava tarde, nem quer ver livro na sua frente, passava a tarde estudando música (é, este é um dos meus passatempos, eu amo musica, e já dizia uma canção: "Se é bom ouvir, imagina tocar"), dormia de madrugada, vendo Jô e Jogando Winning eleven (um joguinho de futebol muito maneiro), em suma, estar de férias.

Mas o que é bom dura pouco...

Não é que na segunda seguinte eu acordo cedo (vcs estão lendo o blog de um quase garfield), vou para a Internet e não vejo graça nenhuma. Vou pegar no violão, meus dedos calejados agradecem a minha desistência após algumas canções de Chico e Gil. Sinto-me fatigado com as minhas goleadas no winning eleven. Depois, o que eu ganho de presente antecipado de natal do meu pai? Uns dois livros que nunca imaginei que ele fosse comprar - sabe aquela coisa de jogar verde?Foi o que ocorreu. Dois livros da bibliografia do mestrado que quero fazer, em história política. Ora, para mim isto é um sinal de que minhas férias tinham acabado.

Estudar para o mestrado? Vc não está querendo colocar a carroça na frente dos burros? Com planejamento e bom senso, não. Pelo contrário, acredito que dará um upgrade na sua formação, o que será muito útil neste meu último ano de faculdade. Estudar os teóricos, os clássicos, ainda mais que o meu projeto, salvo qualquer tipo de catástrofe, será com base na minha pesquisa monográfica, pois não irei estudar no mestrado o movimento estudantil nos EUA na década de 60, sendo que minha monografia foi sobre Vargas, como fez o meu amigo e mestre gafanhoto Rodrigo Farias de forma brilhante.

Aliás, Rodrigo deixou de ser apenas um orientador de icq para mim. Tornou-se uma referência. Se hoje vocês me perguntarem com que quero me parecer na minha carreira, direi: Rodrigo farias. Além de ótima companhia de icq, é um intelectual nato. Por vezes, a sua ajuda na minha monografia é mais pertinente do que de alguns professores. E olha que não está me pagando nada para eu escrever aqui. O seu êxito de passar em segundo lugar no mestrado da UFF, só vem a demonstrar que estudar em faculdade particular ou pública é indiferente, desde que você se dedique e ame o que faz: nunca se esqueça, é o aluno que faz a faculdade, e não o contrário.

Período de férias é o melhor período para se estudar. Não taquem pedras ainda, eu explicarei.

Quando você estuda muitas matérias, e num nível de exigência alto, você tem que se concentrar nas matérias, e acabamos por deixar algumas leituras importantes, mas não obrigatórias, para nossa formação de lado. Nas férias, vc não precisa ficar o dia inteiro estudando. Uma manhã, ou uma tarde são suficientes para você ler um capítulo, e aí quando se vê no final das férias, vc leu dois, três, as vezes 4 livros, que só te acrescentou , e que não te cansou. Você não se priva da sua diversão, mas também não se afasta totalmente da História.

Eu costumo dizer que nem o mercado, nem as universidades querem os bons: eles querem os melhores. Para ser um dos melhores (ser o melhor é uma utopia na qual não me interesso), é preciso sacrifício, e para você se sacrificar, é necessário disposição. E de mais a mais, eu gosto do que faço.

Um colega meu, nestes últimos dias, estava com uma certa crise: tudo que ele planejou, ele alcançou. E agora? Uma pessoa sem metas é uma meia-pessoa. Se vc esgotou todos os seus sonhos, ta na hora de sonhar mais. Meu sonho era concluir uma faculdade em 2001. Agora em 2004, um dos meus sonhos, entre outros de cunho pessoal e sentimental, é o mestrado. E com certeza em 2006, meu sonho será o doutorado, e por aí adiante. Colocar metas em curto prazo constantemente, nada de "Com 50 anos eu irei ter a minha casa própria", é um motivador. Enquanto há uma cobrança interna, há uma alegria em cumpri-las.E não basta apenas falar: é necessários todo um planejamento e o cumprimento deste. Quanto mais sonhos você desistir, ou deixar pela metade, menos acreditará que possa alcançá-los. Quando adolescente, eu desisti de um curso de Inglês. Hoje, procuro formas urgentes de concluir o curso. É claro, voltando ao assunto principal, que não alijarei do meu estudo a faculdade. Como disse, deve haver planejamento e bom senso. É a questão de dar prioridades: a prioridade é a faculdade, é o estudo e o futuro 10 que tanto busco na minha monografia. Os estudos não se excluem, muito pelo contrário, se completam e acrescentam um ao outro. Então, porque não tentar?

É engraçado que enquanto estamos no semestre letivos, sonhamos com as férias. E quando elas chegam, a gente sente falta das aulas.

Estas são as minhas férias

Será que eu sou o único doido?

Feliz Natal, próspero ano novos, e nos vemos em 2005.