segunda-feira, março 28, 2005

Lembranças de outra vida

Viva o Orkut! Podem dizer que ele é o prenúncio dos últimos tempos ou uma conspiração do google, mas que ele é melhor forma de reencontrar pessoas.

Depois de quatro anos de ausência e silêncio, encontrei antigos colegas de ensino médio -parece que o fiz há séculos-peguei o MSN de alguns e procuro o paradeiro de outros. Sabe a saudade é algo estranho, contudo extremamente prazeroso e viciante. Falo isso, pois estou entre a escrita deste pequeno texto - a princípio ele será pequeno, mas como vcs me conhecem, não esperem isso-conversando com uma colega, Fabiane, e só falamos dos nossos velhos tempos.

Fizemos uma Escola técnica em Produção de Tv e Vídeo, o que equivaleria a fazer um técnico em Jornalismo. Pois bem, hoje sei de pessoas que fazem faculdade de Jornalismo, bem como de colegas que fazem Engenharia, Física, Biomedicina (descobri hoje para que serve este treco!), Odontologia, Direito, História (Ainda estou por descobrir para que serve isso!). Isso é no mínimo curioso visto que a Escola não deu preparo para absolutamente nada no que se refere à base de estudo! Isso é um problema mais geral, já que só há base para a área técnica, e esquecem que nós podemos mudar de idéia quanto ao nosso futuro. Ou nas excelentes palavras desta colega: "Quem é que na nossa idade sabe o que vai fazer?".


Quando entramos nesta escola, pensamos estar um passo a frente no mundo civilizado e no mercado de trabalho: a 1ª escola audiovisual da América Latina; a menina dos Olhos do governo garotinho (hoje sei que isso não é lá essa coisa! Que saudades da época que garotinho era nome de menino, Rosinha de flor, Lula de animal aquático, e Severino de porteiro). Um andar só com equipamentos modernos, da antiga Manchete. Aliás, o nome da minha escola vem justamente por isto, em homenagem ao grande caloteiro Adolpho Bloch. Quando a ficha caiu, já estávamos no segundo ano e nada poderíamos fazer.


Mas como nós éramos felizes e não sabíamos: tínhamos uma turma excelente. Excelente em todos os sentidos, principalmente no que se refere à criatividade. Aqui cito o nome do famoso "Bonde do gel": Carlos, Guilherme, Rafael, João Henrique, Tiago, etc. Cada aventura que passamos, desde a tacarem bombinha na nossa sala a ter uma rebelião no presídio que tinha atrás da nossa escola no mesmo momento que tínhamos Educação Física. Rolou até um Big Brother Adolpho Bloch no banheiro dos rapazes para quem ficava a mercê dos bandidos. Éramos alimentados a base de uma rica e equilibrada dieta: biscoito de 4° nível, chamado Pisk ou Dunguinha e suquinho de uva.


Tem tanta coisa a serem ditas, afinal foram três curtos anos: as meninas da turma: Lívia, Amadinha sorriso, Abandona Casagrande, Patrícia Teixeira, Fabiane, a louca da Paola, Fernanda D'avila, Roberto Rego, Aline Materna, Tarciane, Manuela, Mônica Novarine, Luana, e as Gêmeas mais doidas que conheci: Patrícia e Paula Marcondes. E os professores: Luciano, Sergio, Salvatore ou Salvador (Se é um ruim ter física, imagina com um grego!), Simone, Soraia. Fora à professora de Química que era a cara de da Garrafinha (Quem já viu alguma vez o programa da Angélica sabe o que estou falando)...


O mais engraçado nesta história toda é perceber como a gente mudou neste tempo. E mais: como é saber como nós éramos vistos por um outro ângulo, ou seja, da pessoa que esta do outro lado do computador, sem ver nossos novos rostos, podendo então, sem vergonha contar nosso podres. Olha não é nada agradável, e nem sempre é a verdade realmente, porém a pessoa tem visões diferentes sobre alguém.


Falo isso, pois eu era realmente uma mala. Isso uma mala, mas para quem andava junto comigo. Eu andava de "Lua", tinha dias que era extremamente dócil, outros extremamente agressivo. Também foi uma fase muito complicada na minha vida, com a separação dos meus pais. Eles (as) foram uns anjos comigo, para me aturar neste momento.


Mas arrogante, prepotente, nerd, isso eu nunca fui, eu tenho certeza. Falo isso, pois sabe como é, nem sempre vc é amigo de todos. Alias tinha um grupo que me odiava, mas me odiava mesmo. O motivo? Pq me achavam nerd demais, pois acredito que pensavam que era arrogante pelo fato de sentar a frente ficar quieto (Nem sabem o quanto eu dormia nessas horas), que nos dias de prova eu sentava lá na frente e não dava cola para ninguém...


É por isso que o diálogo é a melhor arma e escudo que podemos ter: só com ele podemos realmente formar nossos conceitos, evitando nossos pré-conceitos. Se vcs acham estes que vos fala extremamente comunicativo e extrovertido, saiba que um dia não foi assim não. Uns homens extremamente fechados e tímidos, inseguros demais comigo mesmo, imagine para fazer amizades e sair a conversar a torto e a direito? Se soubessem que estava quieto, mas doido para participar das suas bagunças...Que ninguém perguntou se eu queria dar cola, que eu não pegava e para evitar a tentação sentava na frente, mas se quisessem colar eu estava ali, como algumas pessoas bem o sabem disto...Talvez eu tivesse conquistado mais amigos.


Todos falam: não importa se é na escola, ou no antigo prédio: eu mudei muito. Não sei se foi para melhor ou para pior, mas o fato é que mudei. Só eu que não percebo.
Sinto falta da turminha. Eu queria reunir todos e dar boas gargalhadas disso tudo. Só que não encontro o povo, nem pelo icq, nem pelo orkut (se bem que já encontrei muita gente por ali...), tampouco por sinal de fumaça...


Sabe, a gente passou tanto tempo junto, mas tanto que esquecemos que um dia iríamos nos separar, iríamos perder contato bem ou mal. Mas nunca pensei que ia sentir tantas saudades de uma época que pegava um 284 cheio para ir e outro para voltar. Passava mal a bessa, sempre um dos últimos a saltar...Tinha uns felizardos que soltavam no Norte Shopping ou ali em Benfica...Nossa tenho tanta coisa a escrever que poderia fazer um blog só com as recordações deste momento. Tanto é que esse parágrafo foi escrito posteriormente: eu escrevi ontem a noite este post e hj estou a modificar.

Espero encontrá-los...

Será que só eu sinto saudades?

Um comentário:

nayara disse...

oi, tudo bem? por que você ainda quer descobrir a razão de algumas pessoas estudarem História? senti uma certa ironia nisto, mas eu gostaria de conversar contigo a respeito. abraços,