quarta-feira, dezembro 28, 2005

Só de Sacanagem!!!





Meu coração está aos pulos!




Quantas vezes minha esperança será posta à prova?
Por quantas provas terá ela que passar?
Tudo isso que está aí no ar, malas, cuecas que voam entupidas de dinheiro, do meu dinheiro,do nosso dinheiro, que reservamos duramente para educar os meninos mais pobres que nós, para cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus pais, esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e eu não posso mais.



Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança vai ser posta à prova?

Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais?
É certo que tempos difíceis existem para aperfeiçoar o aprendiz, mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros venha quebrar no nosso nariz.Meu coração está no escuro, a luz é simples, regada ao conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó e dos justos que os precederam: “Não roubarás”, “Devolva o lápis do coleguinha”, Esse apontador não é seu, minha filhinha”.Ao invés disso, tanta coisa nojenta e torpe tenho tido que escutar.Até habeas corpus preventivo, coisa da qual nunca tinha ouvido falar e sobre a qual minha pobre lógica ainda insiste: esse é o tipo de benefício que só ao culpado interessará.




Pois bem, se mexeram comigo,com a velha e fiel fé do meu povo sofrido, então agora eu vou sacanear:mais honesta ainda vou ficar.



Só de sacanagem!



Dirão: “Deixa de ser boba, desde Cabral que aqui todo o mundo rouba” e eu vou dizer: Não importa, será esse o meu carnaval, vou confiar mais e outra vez. Eu, meu irmão, meu filho e meus amigos, vamos pagar limpo a quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês.Com o tempo a gente consegue ser livre, ético e o escambau.



Dirão: “É inútil, todo o mundo aqui é corrupto, desde o primeiro homem que veio de Portugal”.Eu direi: Não admito, minha esperança é imortal.



Eu repito, ouviram? I-M-O-R-T-A-L!



Sei que não dá para mudar o começo mas, se a gente quiser,vai dar para mudar o final!




Musica do Post: Problema Social - Na voz de Seu Jorge

sexta-feira, dezembro 23, 2005

Belezas




Qual versão da moça, esposa de um rico cidadão fiorentino de nome Francesco Di Bartolomeu Del Giocondo, que em 1503 encomendou a Leonardo Da Vinci um quadro, nessa foto ficou bonita? Não precisa mentir para si próprio. A da esquerda, a original, ou a da direita, a versão americanizada? conseguiu responder? Agora tente explicar para si mesmo o porquê da decisão? Vamos ver...você achou a moça do quadro esquerda muito simpática, um sorrisinho enigmática, mas feia? Não consegue entender como para um gênio como o Leo da Vinci podia tê-la como padrão de beleza, até que finalmente pessoas de bom senso deram um trato, uma repaginada na coitada? Não se preocupe, ou melhor, se preocupe, a grande maioria respondeu como você. Mas deixa-me exercitar minha chatice e perguntar mais uma coisa? O que é ser bonito? Como se mede a beleza de alguém?

Não sou bonito, definitivamente. Isso não é discurso de um feio que quer atenuar sua falta de formosura com a sinceridade, longe disso. Sou alguém que tenho certeza que toda a fotogenia e beleza da família foram dadas a primogênita, ou seja, minha irmã.Loira, magrinha dos olhos verdes, nem de longe parece este que vos fala, que tem cabelo crespo, olhos pequenos, nariz achatado e corpo em forma de “8” (to quase virando um 0). Posso ter várias virtudes, mas essa...


Mas hoje fiquei me perguntando que elementos tornam alguém mais ou menos bonito. Será que um conjunto de biótipos que ao longo do tempo se tornaram tão naturais no nosso subconsciente, tais como peitoral definido, pernas grossas, barriga de ‘tanquinho’, seios volumosos, braços do tamanho da coxa (exagero? Sei não...)? Enfim, pessoas que se constroem, que são produtos e não produtores de beleza. E não adianta dizer que a pessoa pode ser bela nos últimos dias tendo apenas um rosto lindo: parafraseando Vinicius de Moraes, “desculpem-me os gordos, mas um corpo sarado é fundamental”. E essa busca desenfreada por esses estereótipos ditos “formosos” me incomoda, não pela aparência em si, mas porque a maioria não sabe o que é realmente ser bonito. Na verdade, dentro de uma academia, em geral, o que menos se exercita é o senso crítico.


Se pelo as pessoas entrassem nesse culto ao corpo por consciência própria, por saúde, por gostarem daquele formato do corpo que se produz ou qualquer outra desculpa, até tudo bem. Tenho um caso desse aqui em casa: minha mãe é uma malhadora nata, ratas de academia, mas faz por que gosta, porque se sente bem e não porque quer se exibir para os outros. É esse o problema maior: as pessoas querem aparecer, querem se exibir, e, se por acaso, a moda fosse ser gordo, com certeza a grande maioria deixaria a barriga crescer, se olhariam no espelho e diriam “Fulano, minha barriga tá maior que a sua”. Vão de acordo com a direção do vento, sem pensar, e se o vento mudar, mudam também. Esse culto do corpo cada dia mais tem se tornado uma forma de compensação.


Em hipótese nenhuma estou afirmando que malhar ou estar na academia é sintoma de personalidade fraca, em absoluto. Mas, e eu adoro essa expressão, tudo tem que ter equilíbrio. Quem tem o hábito, bom ou mau, de vasculhar os profiles dos amigos e dos amigos dos amigos tem que se deparar com comentários sobre os livros prediletos: “Não curto muito ler não”, “Não gosto de ler”, “Playboy”...Tá bom homens, tem a versão feminina também: “Capricho”, “Atrevida”, “Eu me lembro que há muito tempo atrás eu li o pequeno príncipe e adorei”, “Comecei a ler Harry Potter, mas ele é muito grande e preferi assistir ao filme”. Tudo isso com a entonação de orgulho, como se ler um mísero livro por mês fosse coisa de Nerd, de pessoas cabeçudas, cdf’s que nunca foram a uma academia. Aliás, já se tornou senso comum ver a pessoa com livros na mão e o achar “o intelectual”, tradução mais comum: o chato que se acha o inteligente.



Mas ainda não consigo ver uma explicação global para a beleza. Um conceito único, que seja compatível com todas as idéias de beleza. A beleza está nos olhos de quem a vê é a frase chave desse parágrafo. Um ser belo é um ser relativo, pode ser belo para você, pode ser feio para mim, pode ser um semi-deus grego para alguns, ou um bruxo para outros. A formosura de uma pessoa não se restringe a apenas alguns traços físicos, mas a inteligência, a simpatia, o charme, a áurea da pessoa. Isso mesmo, ou você nunca teve a sensação de ver uma luz em redor de uma pessoa que você acha encantadora? Esse tipo de pensamento parece antiquado, um tanto quanto ultrapassado, e você tem todo direito de achar que isso é um discurso de um gordinho se justificando, mas o que na verdade quero dizer é que existe algo que nos controla, nos manipula, nos condiciona: a imprensa. Vender uma imagem é interessante para eles, que venderiam até a mãe em troca de audiência. Não concorda comigo? Tudo bem, mas pensa bem: você já viu uma gordinha como protagonista de alguma novela ou filme, salvo aqueles que falam do tema? Você já viu algum feio, feio mesmo, aquele que parece que fez cirurgia para ficar mais feio se tornar galã de novela das oito? Fecho com uma singela indagação: você tem certeza que já assistiu Malhação?. Mas dizer que eles são os únicos responsáveis por isso é querer inventar um bode expiatório. A culpa é também nossa, que, como elfos, seguimos e fazemos passivamente tudo o que eles pedem para fazer.



Repito: a beleza é muito mais abrangente. Pessoas bem humoradas, daquelas que têm prazer em rir sem medo de ser feliz. Pessoas com conteúdo, sem precisar serem doutores em Física em Havard, mas que saibam falar sobre tudo sem ficar perdido. Conheço uma pessoa que vai da fofoca mais recente no show business até a concepção do tempo para Einstein, passando pelas teorias teológicas da criação do mundo, com a mesma naturalidade de quem está falando de um mesmo assunto coerente. (Só não conto quem é porque o meu espelho denuncia). Pessoas inteligentes para mim não são seres que não erram uma concordância verbo-nominal sequer, que esbanjam conhecimento, que leram Nieztchie ou Kant, e etc. Pessoas inteligentes são aquelas que, independente de falar certo ou errado, ter cultura literária ou não, sabem se colocar, tem coerência no pensamento, sabem responder a pergunta:quem é você? Pessoas charmosas, isso é uma coisa que se eu pudesse optar em ser, eu seria.São pessoas carismáticas, possuem um magnetismo que as tornam imãs, independente de características físicas.Não obstante as controvérsias, o Jô Soares é um exemplo,para mim, de homem charmoso.


Enfim, chego a conclusão de que não existe uma beleza, mas uma multiplicidade de belezas. Uma combinação que tem a diversidade infinita. Descobri a pólvora, diz você talvez. Pode ser, mas vai a uma academia, principalmente na parte do Voador, do Supino e, sobretudo, do espelho onde um monte de homens se exibem e se comparam e fale isso. Mas vá acompanhado por um segurança de tamanho, no mínimo, 3 X 4 metros.


São tantos os itens que tornam uma pessoa bela que me perderia aqui divagando sobre cada uma dela. Mas desses breves elementos fica a pergunta: porque a beleza física em primeiro plano? Explicação óbvia é a de que houve uma inversão de valores. A explicação verossímil é de que é muito fácil ficar “bombado” do que uma pessoa mais...que palavra dizer...culta! Por que não entender que nem todas as pessoas querem esse padrão de beleza fugas? Por que essa exaltação exacerbada do corpo, que, ao taxarem os gordos ou magrelos de ‘pessoas com falta de força de vontade’, marginalizando os que fogem ao padrão de beleza, esboçam o que eu diria de “fundamentalismo corporal”?


A cada dia mais percebo que caí de pára-quedas no século XXI, não sou e nem quero ser vassalo desse tempo. Acho a Monalisa bonita sim, adoro mulheres de óculos (Ficam tão mais encantadoras), amo Vinicius de Moraes, mas acho sua frase de “Desculpem-me as feias, mas belezas é fundamental” uma grande bobagem. Gosto de mulheres que se dão valor, que saibam ser sensuais sem apelar para um decote, ou para microssaia e mini-top que as fazem serem confundidas no ponto de ônibus com...vocês-sabem-quem...(Presenciei essa cena hoje, e te garanto que em menos de 15 minutos foram mais de 10 carros parando e perguntando...Lamentável, mas fazer o quê?).


Sou daqueles que se você perguntar a um grupo de pessoas, que acabaram de me conhecer , o que acharam de mim, nunca terão como resposta: ele é bonito. Pelo contrário, escutarão muitos “Legal”, “Simpático”, “Palhaço”, “Falador”. É viva a lembrança de chegar em algum lugar com a minha irmã e o povo comentar para os meus pais: “Nossa, sua filhota é linda! Parabéns... Ah! O seu filho também é bonitinho”.


Se eu me acho feio? Sim, felizmente.


Se me incomodo com isso? De forma alguma...



Mas to me achando gordo, acho que vou começar uma dieta, que tal?


Musica do Post: Chocolate – Marisa Monte.



PS. Post feito à base de uma caixa de bis...

quarta-feira, dezembro 21, 2005

Insegurança, seu nome é Nelton.



A melhor coisa sobre o amor é sua constante incerteza. Um dia você está seguro, sabe exatamente o que está se passando com você, então numa semana inteira de angústia, sua certeza desaparece e você não tem mais certeza de nada.
Li essa frase um dia desses, e, contrariadamente, tenho que concordar com o autor de tal frase. Só não concordo que seja a "melhor coisa sobre o amor", não para mim, alguém que tem a insegurança como uma das características principais, só perdendo para a alegria "em excesso", e para o amor o primeiro lugar das características centrais da personalidade Nelton Araújo. Pelo contrário, é o que me mais incomoda: ser inseguro dá a impressão, por vezes falsa, por vezes verdadeira, que falta confiança no outro. Não é meu caso,mas a descrição de como é a incerteza numa relação é perfeita: você acorda, e bate uma insegurança, como se aquele dia fosse o último dia, como se daqui a algumas horas tudo se esvaísse por suas mãos, e aquilo que você tinha como mais sólido no dia anterior se desmanchasse no ar. Motivos para isso? Nenhum, e você têm consciência disso. Isso te faz sentir calafrios, te faz perder o belo dia de sol infernal com uma preocupação na cabeça, afinal, ninguém gosta e quer perder algo que ama mais do que você mesmo.


Talvez seja essa a explicação: amar algo mais do que você. Você se esconde por trás de uma paixão, deseja naquele objetivo de vida, seja profissional ou sentimental, aquilo que, na verdade, você deveria desejar a si próprio. E quando aquilo se perde, não estamos preparados para a frustração.E ninguém consegue estar preparado para a vida se não estiver preparado para enfrentar uma frustração. Particularmente, eu detesto estar no meio termo, e embora entre o 8 e o 80 existam uma diversidade de graus de intensidade, posso dizer que, quando me envolvo com algum projeto ou com alguém, entro de cabeça. Mergulho e corto os oceanos, e por mais que saiba que isso possa me machucar, não encontro melhor maneira de me envolver.


É o perfeccionismo de minhas veias que pulsa nessas horas: quero ser o melhor profissional, o melhor namorado, o melhor filho, o melhor músico... Utopia, eu sei, mas prefiro estar sempre em aperfeiçoamento a me conformar (ô palavrinha que deveria ser limada do dicionário e de nossos corações). Sou daqueles que morreriam feliz se fossem pobres mas realizados, na profissão que realiza, na família que constitui, nos amigos que têm, do que pessoas cheias de grana, ou pelo menos, estabilizadas mas que não suportam o lugar onde trabalham, vivem um casamento de fachada (Estranho para o século XXI,né? Conheço uns montes), que têm o carro do ano, mas não têm amigos para conversar. Talvez seja por isso que tenha tanta incerteza na minha vida profissional. Os estudos de 4 intensos anos na faculdade para mim são recompensadores numa monografia, avaliada com 10 "com louvor", de final de curso. E são considerados ineficientes no dia seguinte que fui levado ao paraíso, quando vi que não passei no mestrado. Posso até nesse momento, mais tranqüilizado e mais racional, saber que estou novo, que não foi culpa minha, mas que na hora bate a insegurança e você se pergunta se é isso mesmo, ah, não há dúvida que bate. Vejo milhares de rostos se formando e indo para o mercado e fico me perguntando se sou capaz a me sobressair dessa multidão.

Da mesma forma acontece com quem está do meu lado, com aquela que eu digo que eu amo. Nunca, mas nunca mesmo acredito no meu potencial. Sempre acho algum defeito em mim, to sempre inventando ou achando algum problema para dizer que não estou agradando. Sempre acho que os ex's foram melhores e que os que dão em cima são superiores para mim. Pura insegurança, eu sei, mas vai explicar isso para a parte do meu corpo que me faz tremer quando não escuto aquele "eu te amo" que esperava, quando não recebo uma mensagem que estava desejando. Nesse instante, a cabeça gira, os sentimentos se confundem, imagens que você nunca viu, mas que tem certeza que já sentiu passam como num filme sobre o seu fracasso. ô cabecinha fértil, por que não acreditar que ela pode estar te amando também? Porque dá ouvidos a vozes de que não sou capaz de estar com quem estou, de que não sou o bom o bastante?
Mas uma hora isso passa, ah, passa!


E quando essa crise de incerteza passa, surge a nuvem da segurança. Passageira, evidentemente, vem e fica algumas horas, quiçá, alguns dias. E tal como no quadro que ilustra o post, a sensação que dá é que, mais cedo do que posso prever, a certeza que tenho sobre a vida, a segurança sobre tudo, se derreterão tal como os relógios...



... e tudo começa de novo. Estranho, não? Bem vindos ao mundo dos inseguros.





Musica do Post: Boa Noite - Djavan.

segunda-feira, outubro 24, 2005

Breve retorno

Não, eu não fui abduzido.Apesar de a cada dia achar que estou deslocado espaço-temporalmente da sociedade, eu estou na Terra.


O Blog novamente está adormecido, porém, vivo.


Talvez até o final do ano eu escreva alguma coisa, se eu sobreviver a isso tudo.


Só peço a todos que torçam por mim. Cristãos, orem. Ateus, qualquer coisa já tá bom, né?


Talvez se eu não tivesse amando eu já teria pirado. Sabe como é, "mas o teu amor me cura, de uma loucura qualquer..."


Musica do post: Tudo bem - Lulu Santos

terça-feira, setembro 20, 2005

Momentos Poéticos III



Tira-me o pão, se quiseres,

tira-me o ar, mas não

me tires o teu riso.





Não me tires a rosa,

a lança que desfolhas,

a água que de súbito

brota da tua alegria,

a repentina onda

de prata que em ti nasce.





A minha luta é dura e regresso

com os olhos cansados

às vezes por ver

que a terra não muda,

mas ao entrar teu riso

sobe ao céu a procurar-me

e abre-me todas

as portas da vida.





Meu amor, nos momentos

mais escuros solta

o teu riso e se de súbito

vires que o meu sangue mancha

as pedras da rua,

ri, porque o teu riso

será para as minhas mãos

como uma espada fresca.





À beira do mar, no outono,

teu riso deve erguer

sua cascata de espuma,

e na primavera, amor,

quero teu riso como

a flor que esperava,

a flor azul, a rosa

da minha pátria sonora.





Ri-te da noite,

do dia, da lua,

ri-te das ruas

tortas da ilha,

ri-te deste grosseiro

rapaz que te ama,

mas quando abro

os olhos e os fecho,

quando meus passos vão,

quando voltam meus passos,

nega-me o pão, o ar,

a luz, a primavera,

mas nunca o teu riso,

porque então morreria.





Pablo Neruda





***














Musica para a Poesia: For Your Love - Stevie Wonder

Sentimentos?


É normal acordarmos mais felizes ou mais tristes, mais sorridentes ou mais sisudos, com vontade de mandar flores ao mundo ou mandar o mesmo mundo se explodir, mas é normal quando isso se torna uma constante? Que sentimento é este que, mesmo vendo as adversidades e os problemas cotidianos, que normalmente esgotam seu limite da paciência e da ansiedade, continua a te fazer sorrir, cantar, acordar bem disposto para tarefas rotineiras e maçantes, como escrever uma monografia, por exemplo? Que estranha calma é essa que faz parecer seu mundo andar mais lentamente, ou ,pelo menos, ter a consciência de que você pode fazer tudo com menos ansiedade, com menos pressa? Que leveza é essa que acredito poder, mesmo com algumas dezenas de quilos a mais, voar e espairecer a mente? Que tranqüilidade é essa que me faz ter confiança daquilo que sempre duvidei em 21 anos e tomar como certeza da noite pro dia? Que felicidade instantânea, que diferente paz é essa que consegue paralisar um hiperativo como eu em pleno domingo e o deixa deitado na cama, reflexivo, pensando em tudo, em nada, ou só sentindo, deixando a melodia de Johnny Mathis te guiar para onde não sei?


Já disse uma vez não gosto de usar certos rótulos em vão. Apaixonado? Enamorado? Envolvido? Admirado? Não sei, talvez nada por enquanto, talvez tudo, só sei, e tenho aprendido a cada dia mais, que é um sentimento tão bom e tão saudável que não quero pensar no futuro, pois posso perder o melhor do presente. Uma sensação de vigor, de ser amado e amar. Oras, podemos desejar nosso sucesso profissional, e pessoas renunciam seus sentimentos em prol desse sucesso, mas não há algo melhor, mais edificante, do que a certeza de que pode fazer toda a diferença a alguém, pode fazer alguém amado se sentir bem, mas, sobretudo, o contrário: de ser sentir bem, se sentir amado, de perceber de que nenhuma ilha é uma ilha, por mais que busque.


As pessoas mais machucam do que edificam, porém, certos ‘alguém’ nos engrandecem sem perceber, de forma natural e espontânea, que só podem ser comparadas a anjos. Resta a mim e a todos apenas admirar, às vezes no silêncio, e torcer que esse anjo se humanize e veja a ti também como um anjo. Você já parou para pensar se você já bem fez a alguém hoje. Qualquer um: seu namorado, seus pais, seus amigos. Uma palavra amiga, um abraço, um beijo? Coisas fáceis, simples, e que a gente não dá muito valor? São exatamente essas as que mais me encantam.É exatamente isso que busco fazer, por mais falho que seja: que se sintam tão bem quanto eu me sinto por causa deles. Da mesma forma que posso ir ao céus com um elogio despretensioso, posso cair no vale da amargura e da tristeza com uma palavra despretensiosa também. As pessoas não querem ter mais controle sobre o que dizem, sobre o grande tesouro e a grande arma que ganharam geneticamente: o poder de usar as palavras.Por isso, são tão inocentes quanto culpadas quando elevam ou destroem alguém.


Mas o mundo pode cair, o Brasil se tornar uma ditadura comunista, o Flamengo descer à segunda divisão, que eu to aqui feliz e em paz. Não sei até quanto tempo, sentimentos são como nuvens: se dissolvem na mesma velocidade que aparecem e cobrindo a todos, nos envolvem numa atmosfera impossível de sair por recursos humanos. Mas o que vale é o agora, então sinta o presente: não sei até essa história vai embora alguns flashes resolvam, de quando em vez, passar pela minha mente, devaneios típicos de um ansioso em recuperação, contudo sei que me faz bem, muito bem. Gostaria de gritar ao mundo seu nome, mas o bom senso e a educação me aconselham a berrar internamente, sem orgulhos, sem medo nem ansiedades. Eu to me vendo diferente, mais leve, menos ansioso, mais...tantas coisas que acredito não ter palavras para descrever.


Afinal, o que é isso? O que eu tomei?







***





Musica do Post: Isn't it the Romantic- Johnny Mathis







quinta-feira, setembro 01, 2005

Mas eu me mordo de Ciumes...





“Por favor, não mande nenhum recadinho, nenhum scrap, nenhum depoimento no meu orkut, por favor! Por favor!”




Foi assim que uma aluna, em pranto convulsivo, reagia a minha descoberta de seu orkut. O motivo? O namorado sempre sente ciúmes, e isso ocasiona brigas que levam uma menina a chorar só ao lembrar que poderia haver outra.Sinceramente, aquilo me assustou e pensei em dizer algumas coisas, por vezes desconexas, sobre o ciúme.





Ciúme: alguns dizem que é totalmente ruim, outros, dizem que tem seus benefícios.Como tudo na vida, nada é tão mal ou tão bom, portanto, o seu equilíbrio é fundamental, e digamos, até saudável num relacionamento. O problema está quando este sentimento tão avassalador se transforma em obsessão: a cada dia mais, há um retorno, ou desvelamento, do sentimento de posse das pessoas para com quem elas dizem que ‘amam’, como se estas fossem coisas, completamente sem vida social, sem rede amigos. Casais de namorados são os mais atingidos por essa onda: é natural, e até compreensível, que haja uma espécie de autoproteção inicial: ficam mais pertos, não saem com tanta freqüência com os amigos, se devotam aos seus agora amados. Mas quando passa o tempo do deslumbre, continuar a esquecer os amigos porque o(a) namorado(a) assim exige,porque tem ciúmes, é ridículo. Ninguém é posse de ninguém, principalmente porque as pessoas tenderam, gradativamente, a esquecer a real intenção do namoro, que é o de se conhecerem, e não de agir como se fossem casados, e, no caso, mal-casados, e interferirem na vida outro e na sua vida social.






Isso nos leva a pensar em razões, dentre várias, do ciúme assombrar as nossas mentes (sim, a minha também é afetada, como veremos mais abaixo).A primeira é a insegurança:essa é clássica, todo mundo, nas rodas de conversa da vida, diz que é insegurança o principal motivo dos ciúmes. E quem sou eu para discordar? Concordo, pois as pessoas cada dia mais se sentem menos capacitadas a acreditar em si mesmas, nas suas qualidades, virtudes que possam levar o seu parceiro(a) a admira-lo a ponto de tê-lo como o amado, embora isso não exclua ao mesmo tempo, de ter amigos ao redor.E isso produz, imediatamente, um falta de confiança no outro. Já sei que uma das principais dificuldades da minha futura amada será o de entender o meu relacionamento com as minhas amigas, que são o grupo majoritário do meu ciclo de amizade. E, atrelado a insegurança em vertiginoso crescimento, há uma segunda razão, para mim, que também é o causador do ciúmes: ao caráter descartável dos relacionamentos, cada dia mais efêmeros, cada dia menos profundos, cada dia menos estáveis. A onda do ficar entrou e viciou, como um bom chocolate, as pessoas. Eu já fui mais radical quanto a isso, hoje em dia, entendo as vontades das pessoas sem julgá-las, contudo, por vezes há o exagero: hoje o n°1, amanhã o n° 2, no outro dia, o n°592, depois de volta ao n°1 e se acha feliz por isso. Isso gera dentro da pessoa a falta de uma estabilidade, e que, quando se namora, é um produtor de traições a torto e a direita. Que contradição: enquanto o ciúme aumenta, a descarte de relacionamentos também recrudesce. Não há profundidade porque não há confiança no outro. Mesmo que isso visto pelos outro como bom, não consigo me imaginar num relacionamento superficial: estando em um relacionamento, o que não é tão fácil assim, entro no meu submarino do amor, rumo ao mais profundo, ao mais denso, de preferência, sem previsão de volta. Apesar de doer deveras quando o comando aqui de cima manda o submarino emergir, é uma sensação indescritível, sensação de amar incondicionalmente, mesmo sem retorno, amar altruistamente.





Há outros tipos de ciúmes, fora do campo amoroso. O ciúme do amigo é algo tão presente quanto velado entre nós, talvez porque neste se revele a real insegurança que há em nós. Falo por mim agora: não tenho tanto ciúmes quando estou com a pessoa amada, mesmo porque sempre fica bem claro que, se ela está comigo, é por que alguma coisa eu posso doar, e quando não há mais amor, seja a definição desse termo tão polissêmico, fica claro que não tem mais porque continuar. Entretanto, com meus amigos, pode me chamar de Sr.Ciúmes: inseguro como eu sou, sempre acredito que fiz alguma coisa de errado para um amigo não puxar assunto, convidar para uma festa, ou mesmo me contar sobre uma nova amizade. Ah! As amizades deles, se eu pudesse, devoraria todos, e deixava só com um amigo: eu. Também é um misto com carência: pessoas que se isolam por outras questões que não a sua vontade, sentem necessidade do toque, mesmo que virtual: um telefonema, um cartão, um scrap, uma carta.(Tenho saudades das minhas cartas, gosto de enviar, mas isso fica para uma outra hora). Embora guardadas as devidas proporções, estou tão errado quanto o namorado da minha aluna, ao tentar, num esforço egocêntrico, ter a mim como o único amigo dos meus amigos. Cada dia mais estamos mais egoístas, mais voltado para as nossas necessidades, nossos desejos, nossas vontades, esquecendo dos outros. Tento, a cada dia, e com esmero não ser mais assim, e to melhorando, o que prova que há cura para o ciúme, mesmo embora sofra ainda com o desinteresse de amigos que tanto querem bem, que pareciam ser daqueles amigos, quase irmãos, e inexplicavelmente gelam o seu comportamento, causando profundos furos numa alma já insegura, que doem mais do que qualquer rompimento de relacionamento amoroso.






Mas um pouco de ciúme, beirando o ‘charminho’ é vital para um relacionamento: demonstra interesse, preocupação. Mas mesmo assim, tem que se tomar cuidado com as falsas generalizações: nem todo homem que é generoso, amigo, conselheiro, que dá presentes fora do período festivo é alguém que tenha algum interesse pessoal. Falo por mim, novamente:gosto de presentear, mandar cartões, telefonar não, sou muito tímido para isso e invento que não gosto de telefone, enviar músicas, scraps, sms, etc. E não vejo mal nisso, mesmo não faça muito isso com as amigas que namoram-casadas-noivas-ficantes-enroladas, pois declarações de amor não se resumem a eu te amo, e não se prendem a uma pessoa só, de outro sexo: amigos são amantes, eternos doadores e renunciadores de si em prol do outro.





Uma fala totalmente parcial: não percam sua individualidade por causa de outra pessoa, falo isso de experiência própria: amores passam, amizades permanecem, mas quando esquecidas tentar reconquista-las são tão difíceis. Olhe ao seu redor e veja se realmente ama parceiro(a) ou esta apenas acomodada a um relacionamento dito estável, seja pelo laço de tempo ou coisa parecida.Isso é a pior das coisas: a falta de amor. Isso tem conseqüência, que posso falar, traumáticas.






Amem, vivam, beijem, curtam, mas não se isolem, não prometam a mim, mas a vocês mesmos.







***
Musica do Post: Trapped In the Closet - R. Kelly (Um suspense numa música em 5 partes, fenomenal)



quarta-feira, agosto 17, 2005

Ri é o melhor remédio


"Me sinto preparado para assumir a presidência da República"


(Severino Cavalcanti)





***





Musica do dia: "Don't Worry, be Happy" (Bob McFerrin)

quinta-feira, agosto 11, 2005

Momentos Poéticos III


A Matemática, quando bem empregada, pode ser uma fonte de inspiração maravilhosa. Como historiador preciso admitir isso: a matemática é fascinante.


Mais fascinante é essa canção do mestre dos mestres, Tom Jobim.






Aula de Matemática


Pra que dividir sem raciocinar


Na vida é sempre bom multiplicar


E por A mais B


Eu quero demonstrar


Que gosto imensamente de você



Por uma fração infinitesimal,


Você criou um caso de cálculo integral


E para resolver este problema


Eu tenho um teorema banal


Quando dois meios se encontram desaparece a fração


E se achamos a unidade


Está resolvida a questão


Prá finalizar, vamos recordar


Que menos por menos dá mais amor


Se vão as paralelas


Ao infinito se encontrar


Por que demoram tanto os corações a se integrar?


Se infinitamente, incomensuravelmente,


Eu estou perdidamente apaixonado por você.







Musica do Post: Aula de Matemática - Tom Jobim (Óbvio, não?)

quinta-feira, agosto 04, 2005

Apologia à Indignação


Frase da semana: “Eu fico fascinada, parece que estou assistindo ao Roque Santeiro” (Lucia Guimarães, acerca da CPI do sei-lá-qual-nome-tem-aquilo)


No último dia 2 de agosto, o Brasil parou. E dessa vez não foi por causa de alguma final esportiva. Pelo contrário, o país se aglomerou em bares, restaurantes ou mesmo em lojas de eletrodomésticos para assistir a uma acareação entre o ex-ministro da Casa Civil, o agora deputado José Dirceu ,e deputado Roberto Jefferson. Entre as mútuas acusações e defesas, o óbvio se sabe: o que queríamos é que não houvesse chegado a tal ponto. Pior só o fato de concluirmos que falta a sociedade, sobretudo a nova geração, consciência política, consciência de não se conformar com o rumo que a “democracia” brasileira esta seguindo. Observamos também, cada dia mais “público e notório” (tomando uma expressão do Dirceu emprestado), o desleixo e a descredibilidade que a disciplina História tem tomado as mentes de nossa sociedade. Não são todos que têm essa falta de zelo. Não que todos aqueles que não são dessa ‘nova’ geração tivessem a consciência da importância de tal disciplina.Nada de generalização! Mas trabalhemos com o fato: poucos são aqueles que se interessam pela história e enchem de importância com a mesmo afinco que fazem com as Matemáticas, por exemplo (nada contra, são tão necessárias quanto a História). Mesmo dentro do núcleo estudantil que se importa com esta disciplina, ainda temos que dividir entre o grupo que se importa pelo fato de saber da necessidade de ter um pensamento crítico, e aqueles que só se interessam pelo pragmatismo do vestibular.


Sim, o pragmatismo e o conformismo são as tônicas das buscas de nossos jovens: Economizar e poupar energia sempre, esse é o lema. Dentro de todas as modas, de todas as tecnologias, procura-se o conforto, o fácil, o agradável, o prazeroso, o rápido e o certo.E pagando para isso um alto preço: o da liberdade de pensamento. Ficamos presos àquilo que os outros pensam, o que a mídia nos impõe a pensar, e por extensão, ao que certos grupos dominantes querem que pensemos e que não pensemos. Nos indignamos apenas por aquilo que a media quer que nos indignemos, nos alegramos apenas por aquilo que eles querem que nos alegremos. Criticamos ou elogiamos aqueles que alguma personalidade (detentora de uma arma, por vezes mal empregada: a formação de opinião) outrora criticou e/ou elogiou. Os mensalões da vida republicana existem há tempos, e agora a opinião pública se revolta? Antes tarde do que nunca, diriam alguns, e eu concordo, mas já parou para pensar que esse tsunami foi formado pela imprensa? Que antes do interesses democráticos, há o interesse privado pelo furo, pelas manchetes, pela audiência.Não que eu não goste de conforto e prazer, muito pelo contrário, mas aspiro sempre a algo maior: a minha liberdade. Temos um quadro favorável, numa visão macroscópica, em relação aos jovens da época da ditadura, que não viam nos jornais nada que o governo pudesse considerar como negativo para o país(explicitamente, é claro, afinal, criatividade sempre foi o forte do brasileiro): desde o óbvio balanço político até uma epidemia de meningite, e ainda sim vemos pessoas que quando vêem algo relativo a política na televisão, logo mudam de canal, ou para algum programa de variedades ou esportivo, quando não se trancam mentalmente nos Orkut ou menssenger da vida e esquecem que há vida exterior. Estamos formando jovens claustrofóbicos,que, ao contrário do que se imaginam, não pensam cada vez mais rápido, e sim, ao pensar apenas as idéias-chaves , o comum, o óbvio, não pensam, pelo menos criticamente.


E o estudo da História, que em tese deveria romper com esse quadro de comodidade se torna a matéria do “Pra que se estuda isso?” “Para que estudar o passado?”. Em parte isso se explica pela falta de crítica que temos, no entanto , o fato de termos professores que não ajudam em nadaa criarmos esse hábito de pensar é tão ou mais importante. Não estamos pedindo revolucionários, marxistas, anarquistas, comunistas, ou qualquer “istas”. Estamos pedindo graduandos pensantes, críticos, que saibam que a faculdade de História não serve só para ter um emprego ou , em menor escala, ter um status quo de intelectual.. Que tenham a visão de que são tão formadores de opinião quanto os intelectuais “produzidos” pela imprensa, e que saibam que,se não for feito alguma coisa já com esses jovens, chegará o dia no qual seremos meros reprodutores, sem influência alguma. O estudo da História é o espaço que abrimos para o processo do pensamento crítico, de começar a questionar, duvidar, se inconformar. E isso é doloroso e lento. E muito dos nossos graduandos de hoje não esta preparado para essa honra. E muita gente não está interessada que tenhamos tal objetivo enquanto educadores.



Enfim, longe de querer isso, é melhor começarmos dar valor ao que temos hoje, a nossa liberdade de pensamento, a de não sermos obrigados a nos conformarmos com essa imposição de cultura, que dá a falsa idéia de que somos seres pensantes, antes que a gente tenha que buscar, nas ruas, de novo, essa graça. E que possamos entender, dentre as várias e eruditas (algumas bastantes sacais) definições, de que a história nada mais é do que “a ponte que liga o seu mundo ao mundo”.



Afinal, ninguém é uma ilha.


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Musica deste post: “Strangers in the night”Frank Sinatra

(Convenhamos:antes essa do que Nervos de Aço interpretada por Roberto Jefferson, não?)



Ps do autor: esse post era até o primeiro parágrafo um enunciado de uma prova para uma turma de pré-vestibular. Quando dei por mim estava na segunda página de divagações, logo eu não cometeria o crime a minha inspiração, tão apagada nos últimos dias, de parar.