quarta-feira, dezembro 21, 2005

Insegurança, seu nome é Nelton.



A melhor coisa sobre o amor é sua constante incerteza. Um dia você está seguro, sabe exatamente o que está se passando com você, então numa semana inteira de angústia, sua certeza desaparece e você não tem mais certeza de nada.
Li essa frase um dia desses, e, contrariadamente, tenho que concordar com o autor de tal frase. Só não concordo que seja a "melhor coisa sobre o amor", não para mim, alguém que tem a insegurança como uma das características principais, só perdendo para a alegria "em excesso", e para o amor o primeiro lugar das características centrais da personalidade Nelton Araújo. Pelo contrário, é o que me mais incomoda: ser inseguro dá a impressão, por vezes falsa, por vezes verdadeira, que falta confiança no outro. Não é meu caso,mas a descrição de como é a incerteza numa relação é perfeita: você acorda, e bate uma insegurança, como se aquele dia fosse o último dia, como se daqui a algumas horas tudo se esvaísse por suas mãos, e aquilo que você tinha como mais sólido no dia anterior se desmanchasse no ar. Motivos para isso? Nenhum, e você têm consciência disso. Isso te faz sentir calafrios, te faz perder o belo dia de sol infernal com uma preocupação na cabeça, afinal, ninguém gosta e quer perder algo que ama mais do que você mesmo.


Talvez seja essa a explicação: amar algo mais do que você. Você se esconde por trás de uma paixão, deseja naquele objetivo de vida, seja profissional ou sentimental, aquilo que, na verdade, você deveria desejar a si próprio. E quando aquilo se perde, não estamos preparados para a frustração.E ninguém consegue estar preparado para a vida se não estiver preparado para enfrentar uma frustração. Particularmente, eu detesto estar no meio termo, e embora entre o 8 e o 80 existam uma diversidade de graus de intensidade, posso dizer que, quando me envolvo com algum projeto ou com alguém, entro de cabeça. Mergulho e corto os oceanos, e por mais que saiba que isso possa me machucar, não encontro melhor maneira de me envolver.


É o perfeccionismo de minhas veias que pulsa nessas horas: quero ser o melhor profissional, o melhor namorado, o melhor filho, o melhor músico... Utopia, eu sei, mas prefiro estar sempre em aperfeiçoamento a me conformar (ô palavrinha que deveria ser limada do dicionário e de nossos corações). Sou daqueles que morreriam feliz se fossem pobres mas realizados, na profissão que realiza, na família que constitui, nos amigos que têm, do que pessoas cheias de grana, ou pelo menos, estabilizadas mas que não suportam o lugar onde trabalham, vivem um casamento de fachada (Estranho para o século XXI,né? Conheço uns montes), que têm o carro do ano, mas não têm amigos para conversar. Talvez seja por isso que tenha tanta incerteza na minha vida profissional. Os estudos de 4 intensos anos na faculdade para mim são recompensadores numa monografia, avaliada com 10 "com louvor", de final de curso. E são considerados ineficientes no dia seguinte que fui levado ao paraíso, quando vi que não passei no mestrado. Posso até nesse momento, mais tranqüilizado e mais racional, saber que estou novo, que não foi culpa minha, mas que na hora bate a insegurança e você se pergunta se é isso mesmo, ah, não há dúvida que bate. Vejo milhares de rostos se formando e indo para o mercado e fico me perguntando se sou capaz a me sobressair dessa multidão.

Da mesma forma acontece com quem está do meu lado, com aquela que eu digo que eu amo. Nunca, mas nunca mesmo acredito no meu potencial. Sempre acho algum defeito em mim, to sempre inventando ou achando algum problema para dizer que não estou agradando. Sempre acho que os ex's foram melhores e que os que dão em cima são superiores para mim. Pura insegurança, eu sei, mas vai explicar isso para a parte do meu corpo que me faz tremer quando não escuto aquele "eu te amo" que esperava, quando não recebo uma mensagem que estava desejando. Nesse instante, a cabeça gira, os sentimentos se confundem, imagens que você nunca viu, mas que tem certeza que já sentiu passam como num filme sobre o seu fracasso. ô cabecinha fértil, por que não acreditar que ela pode estar te amando também? Porque dá ouvidos a vozes de que não sou capaz de estar com quem estou, de que não sou o bom o bastante?
Mas uma hora isso passa, ah, passa!


E quando essa crise de incerteza passa, surge a nuvem da segurança. Passageira, evidentemente, vem e fica algumas horas, quiçá, alguns dias. E tal como no quadro que ilustra o post, a sensação que dá é que, mais cedo do que posso prever, a certeza que tenho sobre a vida, a segurança sobre tudo, se derreterão tal como os relógios...



... e tudo começa de novo. Estranho, não? Bem vindos ao mundo dos inseguros.





Musica do Post: Boa Noite - Djavan.

Um comentário:

Ana Claudia disse...

Pra tudo na vida deve ter amor.O amor não deve ser encarado como uma teoria acabada. Algo que se adquiri pronto e com manual para suas aplicações exatas...Que graça teria se não fossem as incertezas? O amor é contruido, é experimentado, é descoberto a cada dia...Às vezes com mais intensidade, outras um pouco casualmente e outras sem muita euforia. Isso dá insegurança mesmo...Mas é gostoso!! SÓ não se prenda em pensamentos que não te levarão pra lugar nemhum.