segunda-feira, março 28, 2005

Lembranças de outra vida

Viva o Orkut! Podem dizer que ele é o prenúncio dos últimos tempos ou uma conspiração do google, mas que ele é melhor forma de reencontrar pessoas.

Depois de quatro anos de ausência e silêncio, encontrei antigos colegas de ensino médio -parece que o fiz há séculos-peguei o MSN de alguns e procuro o paradeiro de outros. Sabe a saudade é algo estranho, contudo extremamente prazeroso e viciante. Falo isso, pois estou entre a escrita deste pequeno texto - a princípio ele será pequeno, mas como vcs me conhecem, não esperem isso-conversando com uma colega, Fabiane, e só falamos dos nossos velhos tempos.

Fizemos uma Escola técnica em Produção de Tv e Vídeo, o que equivaleria a fazer um técnico em Jornalismo. Pois bem, hoje sei de pessoas que fazem faculdade de Jornalismo, bem como de colegas que fazem Engenharia, Física, Biomedicina (descobri hoje para que serve este treco!), Odontologia, Direito, História (Ainda estou por descobrir para que serve isso!). Isso é no mínimo curioso visto que a Escola não deu preparo para absolutamente nada no que se refere à base de estudo! Isso é um problema mais geral, já que só há base para a área técnica, e esquecem que nós podemos mudar de idéia quanto ao nosso futuro. Ou nas excelentes palavras desta colega: "Quem é que na nossa idade sabe o que vai fazer?".


Quando entramos nesta escola, pensamos estar um passo a frente no mundo civilizado e no mercado de trabalho: a 1ª escola audiovisual da América Latina; a menina dos Olhos do governo garotinho (hoje sei que isso não é lá essa coisa! Que saudades da época que garotinho era nome de menino, Rosinha de flor, Lula de animal aquático, e Severino de porteiro). Um andar só com equipamentos modernos, da antiga Manchete. Aliás, o nome da minha escola vem justamente por isto, em homenagem ao grande caloteiro Adolpho Bloch. Quando a ficha caiu, já estávamos no segundo ano e nada poderíamos fazer.


Mas como nós éramos felizes e não sabíamos: tínhamos uma turma excelente. Excelente em todos os sentidos, principalmente no que se refere à criatividade. Aqui cito o nome do famoso "Bonde do gel": Carlos, Guilherme, Rafael, João Henrique, Tiago, etc. Cada aventura que passamos, desde a tacarem bombinha na nossa sala a ter uma rebelião no presídio que tinha atrás da nossa escola no mesmo momento que tínhamos Educação Física. Rolou até um Big Brother Adolpho Bloch no banheiro dos rapazes para quem ficava a mercê dos bandidos. Éramos alimentados a base de uma rica e equilibrada dieta: biscoito de 4° nível, chamado Pisk ou Dunguinha e suquinho de uva.


Tem tanta coisa a serem ditas, afinal foram três curtos anos: as meninas da turma: Lívia, Amadinha sorriso, Abandona Casagrande, Patrícia Teixeira, Fabiane, a louca da Paola, Fernanda D'avila, Roberto Rego, Aline Materna, Tarciane, Manuela, Mônica Novarine, Luana, e as Gêmeas mais doidas que conheci: Patrícia e Paula Marcondes. E os professores: Luciano, Sergio, Salvatore ou Salvador (Se é um ruim ter física, imagina com um grego!), Simone, Soraia. Fora à professora de Química que era a cara de da Garrafinha (Quem já viu alguma vez o programa da Angélica sabe o que estou falando)...


O mais engraçado nesta história toda é perceber como a gente mudou neste tempo. E mais: como é saber como nós éramos vistos por um outro ângulo, ou seja, da pessoa que esta do outro lado do computador, sem ver nossos novos rostos, podendo então, sem vergonha contar nosso podres. Olha não é nada agradável, e nem sempre é a verdade realmente, porém a pessoa tem visões diferentes sobre alguém.


Falo isso, pois eu era realmente uma mala. Isso uma mala, mas para quem andava junto comigo. Eu andava de "Lua", tinha dias que era extremamente dócil, outros extremamente agressivo. Também foi uma fase muito complicada na minha vida, com a separação dos meus pais. Eles (as) foram uns anjos comigo, para me aturar neste momento.


Mas arrogante, prepotente, nerd, isso eu nunca fui, eu tenho certeza. Falo isso, pois sabe como é, nem sempre vc é amigo de todos. Alias tinha um grupo que me odiava, mas me odiava mesmo. O motivo? Pq me achavam nerd demais, pois acredito que pensavam que era arrogante pelo fato de sentar a frente ficar quieto (Nem sabem o quanto eu dormia nessas horas), que nos dias de prova eu sentava lá na frente e não dava cola para ninguém...


É por isso que o diálogo é a melhor arma e escudo que podemos ter: só com ele podemos realmente formar nossos conceitos, evitando nossos pré-conceitos. Se vcs acham estes que vos fala extremamente comunicativo e extrovertido, saiba que um dia não foi assim não. Uns homens extremamente fechados e tímidos, inseguros demais comigo mesmo, imagine para fazer amizades e sair a conversar a torto e a direito? Se soubessem que estava quieto, mas doido para participar das suas bagunças...Que ninguém perguntou se eu queria dar cola, que eu não pegava e para evitar a tentação sentava na frente, mas se quisessem colar eu estava ali, como algumas pessoas bem o sabem disto...Talvez eu tivesse conquistado mais amigos.


Todos falam: não importa se é na escola, ou no antigo prédio: eu mudei muito. Não sei se foi para melhor ou para pior, mas o fato é que mudei. Só eu que não percebo.
Sinto falta da turminha. Eu queria reunir todos e dar boas gargalhadas disso tudo. Só que não encontro o povo, nem pelo icq, nem pelo orkut (se bem que já encontrei muita gente por ali...), tampouco por sinal de fumaça...


Sabe, a gente passou tanto tempo junto, mas tanto que esquecemos que um dia iríamos nos separar, iríamos perder contato bem ou mal. Mas nunca pensei que ia sentir tantas saudades de uma época que pegava um 284 cheio para ir e outro para voltar. Passava mal a bessa, sempre um dos últimos a saltar...Tinha uns felizardos que soltavam no Norte Shopping ou ali em Benfica...Nossa tenho tanta coisa a escrever que poderia fazer um blog só com as recordações deste momento. Tanto é que esse parágrafo foi escrito posteriormente: eu escrevi ontem a noite este post e hj estou a modificar.

Espero encontrá-los...

Será que só eu sinto saudades?

sexta-feira, março 25, 2005

Dorme neném....

Gente, o blog hiberna. Hiberna, porém,não está morto...

terça-feira, março 01, 2005

A Volta do Boemio

Oi pessoal!

Aqueles que são meus leitores, quero estar pedindo perdão: estou andando um pouco sem tempo para estar pensando alguma coisa para estar escrevendo. Ultimamente, só estou pensando a minha monografia , e estarei seguindo minha conduta de não ficar colando coisas aqui, dizendo que estou atualizando o blog.Estou prefirindo algo mais sincero, então, quando as coisas se estiverem acalmando , eu estarei escrevendo novamente.

Depois de hoje, desconfio que estou com dupla personalidade, tanto é que vou estar cometendo dois crimes:

1) No filme "Jogos Mortais", o assassino é o paciente do Hospital, ou melhor, é o cara que está morto, na verdade ele está só fingindo. É até meio lógico se vc acreditar na sua obviedade: O "assassino" Led, aparece no meio do filme, e vc consegue perceber claramente que o objetivo do filme é desvendar o assassino, logo, percebemos só no final do filme que tb era controlado.

2)Essa é fresquinha: no filme "Amigo Oculto", o Charlie, ou seja o assassino, é o prórpio pai. Ele sofre de dupla personalidade, foi ele que matou a mãe, o delegado, a moça que ele tava pegando. Mas a história vai além: segundo uma fonte confiável, segura, e que saca muito de psicanálise, a menina , a Emily, tb sofre de dupla personalidade, então há sempre o desencontro: Quando o pai está lucido, ela está com a segunda personalidade, e ,obviamente quando ele está com a segunda personalidade, que é o Charlie, a menina está lúcida. legal,né?

Pois bem, agora vc pode estar ir assistindo os filmes, com mais tranquilidade e achar graça dos outros que não sabem o final. Não é?Ou não...

De todo caso, eu estarei voltando em breve...

E não se preocupem, os gerundismo é só para praticar, afinal, vai que aparece uma vaguinha de atendente de telemarketing,não é?

sexta-feira, dezembro 17, 2004

As minhas férias

Já tava na hora de postar novamente né?

Aliás, para vocês, caros e fiéis leitores -por vezes anônimos, este tema já era de se esperar.

Não foi fácil. Eu fiz neste período oito matérias, o que já é, pelo menos em História, uma maneira de se esgotar mentalmente. Imagina fazer estas oito provas em 4 dias, três vezes em 4 meses? Noites sem sono, ou melhor, com muito sono, mas acordado compulsoriamente. Não digo que não gosto, pelo contrário, amo muito tudo isto (E q o McDonalds que me processe!), mas que cansa, ah, não tenha dúvidas.

Quinta-feira já estava de férias, e o resto daquela semana foi maravilhoso: acordava tarde, nem quer ver livro na sua frente, passava a tarde estudando música (é, este é um dos meus passatempos, eu amo musica, e já dizia uma canção: "Se é bom ouvir, imagina tocar"), dormia de madrugada, vendo Jô e Jogando Winning eleven (um joguinho de futebol muito maneiro), em suma, estar de férias.

Mas o que é bom dura pouco...

Não é que na segunda seguinte eu acordo cedo (vcs estão lendo o blog de um quase garfield), vou para a Internet e não vejo graça nenhuma. Vou pegar no violão, meus dedos calejados agradecem a minha desistência após algumas canções de Chico e Gil. Sinto-me fatigado com as minhas goleadas no winning eleven. Depois, o que eu ganho de presente antecipado de natal do meu pai? Uns dois livros que nunca imaginei que ele fosse comprar - sabe aquela coisa de jogar verde?Foi o que ocorreu. Dois livros da bibliografia do mestrado que quero fazer, em história política. Ora, para mim isto é um sinal de que minhas férias tinham acabado.

Estudar para o mestrado? Vc não está querendo colocar a carroça na frente dos burros? Com planejamento e bom senso, não. Pelo contrário, acredito que dará um upgrade na sua formação, o que será muito útil neste meu último ano de faculdade. Estudar os teóricos, os clássicos, ainda mais que o meu projeto, salvo qualquer tipo de catástrofe, será com base na minha pesquisa monográfica, pois não irei estudar no mestrado o movimento estudantil nos EUA na década de 60, sendo que minha monografia foi sobre Vargas, como fez o meu amigo e mestre gafanhoto Rodrigo Farias de forma brilhante.

Aliás, Rodrigo deixou de ser apenas um orientador de icq para mim. Tornou-se uma referência. Se hoje vocês me perguntarem com que quero me parecer na minha carreira, direi: Rodrigo farias. Além de ótima companhia de icq, é um intelectual nato. Por vezes, a sua ajuda na minha monografia é mais pertinente do que de alguns professores. E olha que não está me pagando nada para eu escrever aqui. O seu êxito de passar em segundo lugar no mestrado da UFF, só vem a demonstrar que estudar em faculdade particular ou pública é indiferente, desde que você se dedique e ame o que faz: nunca se esqueça, é o aluno que faz a faculdade, e não o contrário.

Período de férias é o melhor período para se estudar. Não taquem pedras ainda, eu explicarei.

Quando você estuda muitas matérias, e num nível de exigência alto, você tem que se concentrar nas matérias, e acabamos por deixar algumas leituras importantes, mas não obrigatórias, para nossa formação de lado. Nas férias, vc não precisa ficar o dia inteiro estudando. Uma manhã, ou uma tarde são suficientes para você ler um capítulo, e aí quando se vê no final das férias, vc leu dois, três, as vezes 4 livros, que só te acrescentou , e que não te cansou. Você não se priva da sua diversão, mas também não se afasta totalmente da História.

Eu costumo dizer que nem o mercado, nem as universidades querem os bons: eles querem os melhores. Para ser um dos melhores (ser o melhor é uma utopia na qual não me interesso), é preciso sacrifício, e para você se sacrificar, é necessário disposição. E de mais a mais, eu gosto do que faço.

Um colega meu, nestes últimos dias, estava com uma certa crise: tudo que ele planejou, ele alcançou. E agora? Uma pessoa sem metas é uma meia-pessoa. Se vc esgotou todos os seus sonhos, ta na hora de sonhar mais. Meu sonho era concluir uma faculdade em 2001. Agora em 2004, um dos meus sonhos, entre outros de cunho pessoal e sentimental, é o mestrado. E com certeza em 2006, meu sonho será o doutorado, e por aí adiante. Colocar metas em curto prazo constantemente, nada de "Com 50 anos eu irei ter a minha casa própria", é um motivador. Enquanto há uma cobrança interna, há uma alegria em cumpri-las.E não basta apenas falar: é necessários todo um planejamento e o cumprimento deste. Quanto mais sonhos você desistir, ou deixar pela metade, menos acreditará que possa alcançá-los. Quando adolescente, eu desisti de um curso de Inglês. Hoje, procuro formas urgentes de concluir o curso. É claro, voltando ao assunto principal, que não alijarei do meu estudo a faculdade. Como disse, deve haver planejamento e bom senso. É a questão de dar prioridades: a prioridade é a faculdade, é o estudo e o futuro 10 que tanto busco na minha monografia. Os estudos não se excluem, muito pelo contrário, se completam e acrescentam um ao outro. Então, porque não tentar?

É engraçado que enquanto estamos no semestre letivos, sonhamos com as férias. E quando elas chegam, a gente sente falta das aulas.

Estas são as minhas férias

Será que eu sou o único doido?

Feliz Natal, próspero ano novos, e nos vemos em 2005.

quarta-feira, novembro 24, 2004

Uma autobiografia não autorizada...

Vejam esta definição:
Apatia (Do grego apátheia e do latim apatia) Sf: 1. Estado de impassiblidade e de indiferença; 2. Falta de energia, indolência.
Parece interessante, não?
Não, principalmente quando você tem que conviver com esta diariamente...
Um dos meus defeitos, além da já discutida ansiedade , é a minha apatia. Na verdade , nem sei se ela é minha apatia, ou apenas algo incômodo que tenho, e que por mais que tente, não consigo tirá-la de forma completa. A apatia seria o primeiro passo de uma depressão, o ponto de partido de uma angústia que te toma por inteiro e te corrói. Mas discordo de uma definição de que está no querido Aurélio, de onde retiro todas estas conclusões sobre o meu mascote:
3. Filos. No cepticismo e no estoicismo, estado em que a alma se torna insensivel à dor e a qualquer sofrimento.
Não, definitivamente esta não é uma característica do meu bichinho de estimação: tão certo quanto amanhã fará manhã, eu sou capaz de captar e atrair qualquer dor para mim. Sou tão sensível as palavras , que não suporto nem mesmo aos meus pensamentos.
É interessante perguntar a mim mesmo ( e esta pergunta veio agora à minha mente): porque estou fazendo isto comigo? Porque estou revelando o lado mais sombrio desta pessoa aparentemente amável que vos fala? Uma resposta agora de imediato seria invenção minha, querendo atenuar a dúvida que me aparece neste instante. Mas uma coisa eu sei: o porque da minha apatia deste mês, ou desta semana, ou mesmo destes dias. A resposta para esta autobiografia de mim,feita por mim, e que não foi autorizada por mim, apareçano final deste desabafo, deste instante breve de catarse, ou mesmo daqui a alguns anos, quando nem mais este blog eu me lembrar que existe. Aliás é até um conselho: se estiver pensando que nestas palavras , você verá o Nelton Araújo otimista, vendo flores e cantando "What a wonderfull world" dos ultimos tópicos, se enganará. A não ser que seja forte suficiente para não deixar-se influenciar por estas duras palavras que virão, espere até semana que vem onde estará um tópico puro e limpinho esperando para alegrar-te.
Pode ser deboche,mas sabe porque chamo a apatia de mascote e/ou bichinho de estimação? Porque desde que me conheço como ser pensante , eu tenho isto, mesmo que de início não pensasse que fosse sintomas de apatia, mas sim de preguça infant-juvenil. É, como já disse, um prelúdio à depressão,mas de forma bem disfarçada: imagine uma nuvem negra sobre sua cabeça, tipo as que aparecem no gibi do cascão ou da mônica, te empurrando além do chão, te deixando pensativo por demais, de certo modo cobrando-se mais do que o necessário , pessimista a ponto de achar de que você , ao estar neste estado interessante, vai perder as pessoas que mais te amam por uma besteira idiota. É uma falta de energia, que chega ao cume de acordar, tomar banho, tomar o desjejum (serei sincero, escrevi desjejum para ficar bonitinho, para mim é café-da-manhã mesmo) e voltar a dormir, e não ir a aula, pois está numa fadiga mental, que me faz lembrar que estive em uma guerra, e não percebi. Não chega a ser uma depressão, pois tenho força de vontade de levantar e sair,mas estou muito preocupado em dizer que não estou depressivo, me defendo tanto que parece que estou e não quero assumir: se estou não estou, o leitor agora tem a prerrogativa de decidir.Eu sou a pessoa mais otimista do mundo,mas quando pego no colo meu cachorrinho de pelúcia, me acho fraco e estúpido, por não dizer um utópico fanático por ser este otimista. É detestar a música que eu mais gosto nesta vida, a "We are the champions" do Queen, por achar que isto foi coisa feita por gente cheia de da grana, que morreu por via estúpida e que poderia hoje estar gozando de uma vida que anseio.E que mesmo assim, coloca na sua playlist , e enquanto escreve estas sentimentalidades de boteco do portuga, vire e mexe fica escutando-a.
Minha apatia é como menstruação: vem de forma organizada. Ainda não fiz uma cartelinha para avisar aos meus queridos que me cercam que em tal dia, ou mês, não me procurem , porque estarei triste, abatido, quieto e inquieto ao mesmo tempo, vulnerável, mudando de idéia como se muda de roupa (se bem que isto já faço normalmente). Mas não quero fazer isto, pois acho que não deve fazê-los se adaptarem à minha rotina, e sim eu tenho que começar a mudar meus hábitos infanto-juvenis, por mais coerência que eles tenham. Seria uma espécie de anticoncepcional mental, para impedir a ebulição dos meus pensamentos. Eles são a causa do meu estado interessante. Poderia aqui falar de toda minha decepção que tive nestes últimos dias, onde fui traído e apunhalado nas costas, e ao tentar mudar a situação, só mexi mais no escremento, ou seja, só fedeu mais.Mas não, agora lendo percebo que seria dar ibope demais a quem não merece, e por mais que tenha doído, eles não são a causa para estar abraçado ao meu grande pelúcia.
E aí está outro defeito que aponto na minha autobiografia: eu sou bonzinho demais, passível demais, sentimentalista demais, paciente demais, querido com os outros demais. Eu sou daqueles que ficam , sem nenhum tipo de ressentimento, até o amanhecer fazendo o trabalho do seu inimigo, que não pediu nada, mas que você viu que ele está em necessidade, e seu ímpeto impede que você vire as costas. Daí decorre outro defeito (Tô parecendo aquela Fiat 147): por causa disto eu explodo nas pessoas que menos tem haver com isto, que na verdade , eram as genuínas merecedoras do meu respeito. Fico tão à flor da pele, que ao ser mencionado que estou sendo contrariado, minha expressão muda. Não é à toa que chamo minha namorada de Santa, mesmo aos protesto dela: ela fica ao meu lado sempre, mesmo nas minhas crises, me ajuda e apoia, quando qualquer outra normalmente, me jogaria na lata do lixo. Isto é apenas 0,0001% dos motivos que eu a amo mais do que a mim, e pararei por agora, pois ela já deve estar vermelha.
Deixa eu culpar quem realmente é digno de ser culpado: meus pensamentos. Como um bom hiperativo, e de acordo com algumas leituras, meu cérebro tem uma menor atividade na parte direita do meu lobo frontal(qualquer definição errônea aqui é já pedida desculpas, matei, e hoje mataria também,todas as aulas de biologia), o que leva justamente a eu perder um enorme grau meu senso inibidor de pensamentos. Seria uma espécie de censor do DIP mental, que acabei de matar, em poucas palavras , a consequencia é: "Tá tudo liberado (...) Ele está descontrolado" . E à medida que isto me ajuda a ser um humano um pouco mais criativo, meus pensamentos negativos são ressaltados: "Porque voce ainda não conseguiu nada na sua área, vc não é tão inteligente?" ou "Pelo visto, este lance de ser professor vai cair por água abaixo, se conforma em serqualquer coisa que te dê dinheiro, e fique feliz", são alguns pequenos pensamentos que tenho. Nunca imaginei que pudesse dizer isto de mim,mas é como se fosse uma segunda personalidade,o meu lado negro da moeda.
Mudar? Sim , tenho planos bem concretos, contudo é uma grande ferida que causará em mim. Não queria seguir a corrente da sociedade moderna, mas a minha tendência é um endurecimento humano, uma certa solidificação do meu coração mole. É necessário eu parar de levar tudo à ferro e à fogo, de ser menos sentimentalóide e parar de querer abraçar o mundo com minhas pernas e braços. Preciso urgentemente olhar mais para mim e para quem realmente me ama. Mas se isto for um processo instantâneo, eu sei que é como dieta da lua ou do abacaxi: consegue um efeito efêmero contudo voltarei num estágio ainda mais avançado. Nunca fui bom com dietas, e quem me conhece pessoalmente sabe porque eu falo isto (Né Rodrigo Farias?),mas quero começar este processo , que não era o que queria,mas é a panacéia para eu parar de sofrer .

Uma das resposta para a indagação de porque escrevo aqui, acabei de achar, escutando Seixas: "tente outra vez". Posso não ter condições de ter uma psicóloga para cuidar de mim,mas porque procurar uma , se escrevendo libero tudo aquilo que não consigo me expressar? Esta sim , escrever aqui, é minha verdadeira análise: aqui , eu estou liberado a escrever tudo que penso,por mais que alguém leia, e na verdade não estou nem aí.Eu quero me libertar deste saco de pano entitualda apatia.

Ou seja, estou querendo doar meu bichinho de estimação. Alguém conhece uma boa pet shop?

sexta-feira, novembro 19, 2004

Receita pra lavar palavra suja

Bem, eu nunca fiz isto,mesmo porque acho que criar um blog para colocar as idéias dos outros, não é criar um blog e sim fazer marketing para a tal pessoa. Mas ontem e a vi no Jô: Viviane Mosé, uma filósofa, psicanalista e poeta, que ama Nieztchie (assim como quem vos fala). É da nova geração, contudo com uma linguagem acessível, sem exageros de erudição , que é corrente nestes meios.E como ainda vou demorar a escrever, achei por bem homenagea-la, mesmo que seja col0cando no meu blog.

O Poema aqui colocado,é bem interessante, nos faz pensar sobre o peso , as vezes exagerado e petrificado, que colocamos sobre as palavras que nos rodeiam.

Receita pra lavar palavra suja:
Mergulhar a palavra suja em água sanitária.
Depois de dois dias de molho, quarar ao sol do meio dia.
Algumas palavras quando alvejadas ao sol
adquirem consistência de certeza. Por exemplo a palavra vida.
Existem outras, e a palavra amor é uma delas,
que são muito encardidas pelo uso, o que recomenda esfregar
e bater insistentemente na pedra, depois enxaguar em água corrente.
São poucas as que resistem a esses cuidados, mas existem aquelas.
Dizem que limão e sal tira sujeira difícil, mas nada.
Toda tentativa de lavar a piedade foi sempre em vão.
Agora nunca vi palavra tão suja como perda.
Perda e morte na medida em que são alvejadas
soltam um líquido corrosivo, que atende pelo nome de amargura,
que é capaz de esvaziar o vigor da língua.
O aconselhado nesse caso é mantê-las sempre de molho
em um amaciante de boa qualidade. Agora, se o que você quer
é somente aliviar as palavras do uso diário, pode usar simplesmente
sabão em pó e máquina de lavar.
O perigo neste caso é misturar palavras que mancham
no contato umas com as outras. Culpa, por exemplo,
a culpa mancha tudo que encontra e deve ser sempre alvejada sozinha.
Outra mistura pouco aconselhada é amizade e desejo, já que desejo,
sendo uma palavra intensa, quase agressiva, pode,
o que não é inevitável, esgarçar a força delicada da palavra amizade.
Já a palavra força cai bem em qualquer mistura.
Outro cuidado importante é não lavar demais as palavras
sob o risco de perderem o sentido.
A sujeirinha cotidiana, quando não é excessiva,
produz uma oleosidade que dá vigor aos sons.
Muito importante na arte de lavar palavras
é saber reconhecer uma palavra limpa.
Conviva com a palavra durante alguns dias.
Deixe que se misture em seus gestos, que passeie
pela expressão dos seus sentidos. À noite, permita que se deite,
não a seu lado mas sobre seu corpo.
Enquanto você dorme, a palavra, plantada em sua carne,
prolifera em toda sua possibilidade.
Se puder suportar essa convivência até não mais
perceber a presença dela,
então você tem uma palavra limpa.
Uma palavra limpa é uma palavra possível.

sexta-feira, novembro 12, 2004

O que o você quer ser quando crescer?

Pergunta trivial esta, não? Todo ser humano, racional, quando criança já escutou esta pergunta do avô, da Tia da Escola, ou mesmo do pai, quando este não faz a afirmação: "Você vai ser isto!". Passamos todo a nossa a adolescência maquinando o que nós queríamos ser quando crescer, às vezes até esquecendo de agir como criança ou como adolescente, com a agenda cheia de cursos de inglês, de artes, de informática...

Introdução trivial, para um assunto capital.

Há algum tempo atrás, quando eu não tive tempo de escrever, li em um artigo escrito que, segundo o MEC, mais de 50% dos alunos das Universidades fazem aquilo que "Acham" que vão conseguir uma melhor colocação profissional, em vez de fazer aquilo que eles fazem por gosto, por convicção. No "Globo repórter" de algum mês atrás (sou um Historiador que é péssimo com datas, graças a Deus) a proporção é de um para 3 universitários. No Brasil república (aquele de Cabocla), a oposição era fraca, pois, ela não tinha motivação ideológica, e sim de interesses, trocando em miúdos, era só esta entrar no poder, que ela fazia as mesmas coisas da sua "opositora".

A analogia aqui é só a questão da motivação: as pessoas não acreditam mais nos seus potenciais, acreditam apenas na força do mercado, ou seja, faz uma faculdade daquilo que "dá dinheiro" e pronto, será feliz e empregada para todo sempre.

Será?

Tudo bem, eu reconheço que nada está fácil nestes dias: a cada dia vemos, num contexto não só nacional, mas também global, que há uma subtração no mercado de trabalho. São raríssimos os países em que a taxa de desemprego é pequena, penso que até em Marte há fila de emprego. E tão importante quanto, é o discurso que escutamos na nossa infância, ou adolescência, pelos pais, ou tios, ou mesmo por qualquer um que a gente considerasse importante, e que,mesmo sublinarmente marcou nosso pensamento: "Olha, estude, porque lá fora não está fácil para ninguém" "Professor? Ah garoto vai estudar para ser médico, que isto é que dá dinheiro!" "Nelton, vai emagrecer, e faz a prova para ser militar, seja igual ao seu tio: olha ele passou e agora tá bem de vida" "Gari? Ah faz me rir?”.

Eu nunca quis ser gari ou mesmo trocador (e os acho fundamental para nossa vida, ou vc já pensou o que seria de nós sem um gari?), mas quando disse, no segundo ano do ensino médio, que ia ser Professor, meus pais caíram para trás. Até hoje, não há muito interesse do meu pai em saber o que estou aprendendo, na verdade ele queria que eu fosse militar.E eu poderia ser, se eu quisesse, e sem pretensão, se eu parasse e estudasse. Mas não há na minha cachola uma motivação de fazer aquilo que eu não ame.

Algumas pessoas em fase de escolha da sua profissão me perguntaram sobre o que fazer, a resposta, em uma palavra: TESÃO.

Tesão naquilo que faz, este é o segredo. Faça aquilo que você tem paixão, amor, que você possa virar para qualquer um e dizer sem medo, ou receio do que eles possam dizer: "EU SOU ISTO!". Faço História a 3 anos, estou quase me formando, e tirando a minha 1° paixão, meu amor,minha noiva, todos disseram , sem exceção:(Leia em tom de descaso e deboche) "História? Poxa, vc tinha tanto potencial naquilo, foi fazer logo História?". Nunca liguei,não me abalo, a História corre no meu sangue, a busca pela imparcialidade e pela verdade me faz ser uma pessoa esquisita: sou um desconstrutor de mim mesmo, eu sou aquela "Metamorfose Ambulante" , minhas opiniões são fortes e convincentes,não obstante se eu escutar uma outra opinião , que eu julgue melhor argumentada, eu mudo (e o orgulho para o beleléu, a mesma opinião na hora) e digo: "é você está certa...". Mas vamos voltar ao tópico, a minha Desconstrução, é um longo e outro papo.

Estou na pior fase de um Universitário: a busca do primeiro emprego naquela área que escolheu. Mais precisamente estou a 3 anos procurando alguma coisa na área, e ainda não achei. É um ótimo pretexto para eu largar tudo e fazer algo que dê dinheiro, não? Não, eu tenho consciência de que é uma fase, e sei que depois do primeiro emprego, eu tenho capacidade para ascender, para me sustentar com a História. Vocês podem estar se perguntando: "Nossa, que auto confiança é esta, que chega parecer prepotência?" Eu Respondo: a minha ideologia de vida, a minha motivação , o tesão pela sala de aula, pelas pessoas, que pai, ou pessoa nenhuma vai me tirar,pois é mais do que um profissão, é uma missão divina. Eu sei que este discurso religioso não cai bem para um Historiador, mas não há como negar a mão de Deus no que faço. E aí, outra coisa que devemos nos lembrar: sua profissão é mais do que um mero trabalho de 40 horas semanais, é algo talvez religioso, é uma missão que transcende qualquer escritório, qualquer sala de aula, qualquer campo de futebol, qualquer palco, e qualquer outra coisa que você queira falar agora. Logo, a minha autoconfiança é fruto da certeza de que eu faço o que amo.

Um fator importante a ser lembrado, e que o Globo e as outras emissoras não dizem é que todos os grandes profissionais fazem aquilo que amam. Senna, desde criança quis ser piloto; Pelé sempre quis ser jogador, os grandes advogados, advogam por paixão, e por isto conseguem até absolver criminosos, não pela sua inocência, mas pela arte da persuasão. Empresários reconhecidos começaram de baixo, às vezes de Office boy, e pelo amor e principalmente pela motivação ideológica que hoje nós não temos –pois somos produtos feitos e em nós não há poder de reagir ao sistema (Escute "Admirável chip novo" da pity para ter uma noção do que estou falando)- são o que são hoje.

Posso te dar um conselho? Aquele que faz o que gosta, o que dá o "tesão" é bom naquilo que faz, porque não faz por obrigação. E o mercado não está fechado, apenas seletivo: ele só quer os melhores.

A sorte está lançada,a dica foi dada, e depende agora só de você escolher qual caminho a ser tomado.

É, nem eu, nem você esperávamos que a perguntasse fosse tão complexa.

E agora,você tem certeza do "O que você quer ser quando crescer?”.

sábado, outubro 09, 2004

O Nosso show de Truman

Cena 1

Estou em casa, junto com meu amor, quando vejo na tv um filme do Jim carey : "O show de Truman" (ou Trumam, não sei), eu o acho essencial. Primeiro , porque é um dos poucos filmes que explora o lado artístico, e não palhaço do Carey.E, segundo, porque é um filme que explora muito a filosofia, ou falando na nossa língua, te faz pensar.

Cena 2

É tão engraçado e contraditório o fato da Globo passar um filme desses, é um daqueles casos de "Falar mal de si própria", mas vou parar de comentar aqui, pois nunca se sabe a repressão.

Cena 3

Todos nós temos um pouco de Truman, somos manipulados por uma minoria , que faz de nós figurinhas e objetos de consumo para seus prazeres . e o filme é mais do que uma crítica a esses programas de massa, que manipula e expõe a vida ( e pq não a desgraça) da população, é mais, é uma crítica a nossa vida como um todo, a forma como agimos passivelmente ,por vezes, por toda a nosa vida.

A passividade , o conformismo , a rotina é algo tão comum entre nós. Eu não sei se é por causa da minha DDA, mas não aguento ficar muito tempo na rotina. Isso tenha me influenciado na minha carreira, pois ser professor é interessante, pq a não ser que vc queira, nenhuma aula é igual a outra. Contudo não é só nisto que somos passíveis, nossa conformidade nos leva a mares nunca antes navegados. Quer um exemplo? Me diga o canal de tv que vc quando liga aparece, e quando vc vai dormir, ele lá está ,imponente? A não ser que vc seja um dos raríssimos 3% da população, ou que vc tenha tv a cabo, eu já sei a resposta. E sabe me dizer pq ele está lá,na sua casa (no meu caso, ao meu lado) imponente? Por conformidade, por uma passividade, que acarreta numa preguiça de achar algo mais interessante...

Cena 4

A melhor cena do filme: ele chega ao extremo do estúdio,bate com a vela no mesmo. E tem aquele sublime diálogo com seu "criador", muito bem lembrando Deus . São 5 minutos que valem o filme por inteiro.

Senso comum tem várias interpretações e definições. Mas eu posso resumir numa frase : "Preguiça de pensar". Esta preguiça nos leva a tão falada por agora conformidade, pelo simples motivo de aceitar qualquer opinião por não ter uma própria. Não falo em ter um opinião própria, pq ter uma opnião certa e definida sobre tudo é um saco. E aí sou igual o Gilberto Gil: sou o mais desconstrutivista possível. Sempre ando em busca de uma "atualização" para meus pensamentos.
Contudo senso comum, era o Truman no início do filme: tudo perfeito, o mundo é um grande campo de flores. Só que temos uma decisão q devemos fazer , pelo menos uma vez na vida: tomar a pílua vermelha ou pílula azul.Calma aí, isto aqui não é matrix! é sim, e aí que está o grande lance de vc entender as mensagens dos filmes: eles tem a mesma filosofia. Sabe a pílula que o neo poderia tomar e voltaria tudo ao normal? É o mundo do Truman, onde a ignorancia (não entenda como burrice) reina. E a pílula para entrar na matrix? É a curiosidade do Truman em saber o que se passa. Viagem né, parece que estou vendo, ou querendo ver chifre em cabeça de cavalo,não? Não, a filosofia vem para complicar as coisas, problematizar é seu desjo, e não simplificar.

Buscar uma razão para o existir, buscar uma razão para o que acontece ao seu redor. E aí já estamos no diálogo do criador com criatura, do mosntro com Frankstein (Frankstein é o criador, e não o monstro, sabiam?). É fenomenal quando ele diz que o mundo lá fora não possui mais verdades do que o de lá dentro. E é verdade, o senso comum tem tantas verdades quanto o senso crítico. Mas o que prefere: ter uma consciência crítica e saber da verdade, e batalhar para melhorar, ou ficar inertes, controlados por um sistema , imóveis? É esta a decisão de Truman quando tem a porta aberta: ele não etrá mais conforto, mais verdades do que tinha antes, mas ele pode mudar esta situação: ele agora tem liberdade. uma liberdade nunca experimentada antes.

Cena 5

Esta liberdade nós podemos tb ter. De que forma? Inúmeras. A História fo para mim, um deste caminho. Mas acredito que só o fato de buscar uma consciência crítica, em buscar uma nova maneira de pensar e entender o mundo, o que o rodeia , já é um sintoma de saída do senso comum. Se isto fosse uma droga , eu faria apologia: a droga do pensar. é um barato bem melhor do que qualquer entorpecenet por aí. Vicia.

Cena 6

O meu barco está começando a bater no final do estúdio, e o seu?


sexta-feira, outubro 01, 2004

O 18 Brumário do século XXI

Eu sempre falo que a História tem que servir para entendermos melhor nosso presente. Pois bem, permita-me contar uma breve e interessante História.

França, 1851 e 1852.
Uma revolução na década de 30 tinha derubado momentaneamente séculos de Império da família Bourbon. Quase 20 anos depois , uma eleição super importante: a escolha da continuação do regime de república, com voto universal, a liberdade, de um lado. Do outro, a escolha de um presidente que era sobrinho de Napoleão Bonaparte, a volta da monarquia, da repressão, da falta de liberdade.

Os eleitores? Grande e maciça maioria(desculpe-me a redundâcia) de camponeses, pessoas que tinham na mão esta decisão de garantir um novo momento na História. A massa urbana era pequena em relação a estes, para poder colocar seus interesses , caso quisessem.

Tudo certo , praticamente certo, se não fosse um incoveniente: eles eram uma classe para si, mas não uma classe em si. Não sabiam que podiam modificar seu futuro, por isto ficavam relembrando o passado.

Resultado: Luis Bonaparte foi eleito maciçamente pelos camponeses.
Pior: 2 anos depois, ele,num golpe, restabelece a monarquia , e a liberdade,mas uma vez é suprimida.

Sabe, a História não se repete,nunca. E como diz o famoso Marx, quando se repete é enquanto farsa. Contudo, é inegável que alguns fatores do passado são parecidos com outros daqui do presente.

Nós somos os camponeses, somos a maioria. Temos o poder de decidir sobre nosso futuro . Temos o poder. Contudo somos uma classe para si ,mas não um em si. Somos passivos e temos medo de controlar nosso próprio andar. Por isto nos agarramos na força da tradição, ao que já está. Achamos q o que está no controle é o suficiente, é o bom, não pq se verificou e analisou ,mas sim pq se há medo.

Medo de que? De mudar, de querer o novo. De errar sim, mas por ousar, não por permanecer inertes.

E isto se vê tanto ultimanente...tanto nos últimos dias. E é por uma aparência de que "está tudo certo", que somos controlados pelo situacionismo, o chamado "deixa como está", somos manipulados pela a inércia.

Vemos isto em todos os lugares, circulando por nós a todo instante.Pois o que pode ser libertador, pode ser opressor, intereferidor em nossa vida.

E ao contrário dos Franceses de 1852, não iremos eleger um monarquista para a presidência. Mas como eles estamos diariamente, e desde q nascemos, de 4 em 4 anos , escolendo a força da tradição, tirando de nossas mãos o poder, e dando a uma elite.(Creio q o leitor é inteligente o suficiente para entender a quem, e são muitos, de quem estou falando)

Certa vez num filme que esqueci o nome, com Robert De Niro, em que no início do filme se faz uma pergunta muito idiota,mas tão idiota, q chega a ser muito sábia: "Pq o cachorro balança o rabo?" A resposta "Pq o cachorro é mais forte do que o rabo, pois se o rabo fosse mais forte, balançava o cachorro". Nós, o cachorro, as forças da tradição, da inércia, o rabo. E infelizmente o óbvio não acontece: em vez de balançar, somos balançados pelo rabo.

Então,cuidado este fim de semana, viu?


domingo, setembro 26, 2004

Voltei...

É , eu voltei, depois de 16 dias inativo, sem postar, estou de regresso, para a felicidade da enorme comunidade que lê aqui, pelo último censo encomendado por mim, só o MM (Quem é vc , por favor revele!) que lê isto aqui...

Mas não é só o fato disso aqui não ser tão popular quanto um diário de idiotices que fiquei estes 16 dias parado, na verdade há motivos maiores. Um deles é que estou em época de prova, e apesar de confessar q só estudo no dia antes da prova, de preferência horas antes, virando a noite , eu gosto de ler alguma coisa , para desencargo de conciência.

Esta semana tive prova de América 2 e 3- bem se vc estar perguntando o que é América 2 e 3, é uma divisão bem didática, onde o primeiro é a História da América Espanhola no século XVIII e XIX e o outro é basicamente a História dos EUA, da independência até os dias atuais- e a matéria é bem interessante, pelo menos para falar mal da argentina ou dos EUA tendo argumentos racionais, mas a professora não nos incentiva, ela praticamente não dá aula, fica lá parada e nós temos que elaborar apontamentos sobre o texto.

Eu acho que este é o problema da História: ela pode ser fascinante, se bem dada, na mesma proporção que pode ser totalmente pedante e chata, se mal dada.

A história que eu em apaixonei não estava nos livros q tive que decorar pelo meus 1 e 2 graus, não, pelo contrário descobri sozinho, entre os livros que lia (que tb tive q aprender a admirá-los sozinho, pq não houve incentivo pelos meus pais, aliás, eu q os incentivo a ler). Uma História que te inclui dentro dela, não é só passado, é presente, e só presente, pq na História, este negócio de descobrir o futuro, é mais para a mãe Dinah.

Uma História em que vc se sente participante de um filme, daquele bem emocionante, que mistura, ação, aventura, suspense, doses de dramas, e pasmem: boas doses de humor. isto mesmo, humor, a História pode te fazer a dar boas gargalhadas. Uma história bem ao estilo do seu filme predileto (Pare e pense no seu filme por um instantinho), te prende do início ao fim da trama, te fazendo querer saber mais, e sugar cada movimento , palavra , gesto que os atores dão. É assim que a História deve ser passada, pois é ela isto tudo e muito mais!

Utopia? Não, não é não (note a ênfase do não!), eu ainda posso não estar dando aulas, e bem sei que numa instituição há regras que devem ser cumpridas, bem como o programa. Mas pq não sair das 4 paredes, do quadro (Antes negro,e agora branco), do livrinho didático? Se isto é propor uma revolução, que esteja proposta! Pq não usar o cotidiano para te inserir na História? Sim , pq para vc entrar nesta tramóia, vc deve escolher a pílula azul, ou a vermelha (É isto mesmo, a metáfora do matrix!). Se vc quer realmente mudar o seu ser, o seu ponto de vista, tome a pílula azul, e seja bem vindo(a) neste imenso barco. Se não quiser, te respeitamos, então tome a pílula vermelha, e vc esquecerá que teve esta opção de sair do seu mundinho...

Uma História contada a partir de música, de filmes, e pq não de vídeos-clipes? Estou aqui com o clipe do rappa, chamado "O salto", que estava assistindo a MTV ( q pode ser uma desgraça aos jovens,mas q sempre estou vendo), quando me deparei com este: eu nem sei o que a música diz, pq não sou fã do rappa,mas só em ver a História , bem real, de uma pessoa que acreditou, por alguns instantes, num novo governo, e viu seu mundo desmoronar (No caso, é governo Collor), é maravilhoso, é tão didático, tão acessível para se estudar História.

Outro exemplo: "Do the Evolution" do Pearl jam, é fantástico. Através de uma música que os Jovens gostam tanto, o rock, e através de desenhos , tipo mangá, eles mostram várias faces da chamada evolução , com cenas bem Históricas, como o Exército Romano e Hittler, e no final fica a dúvida: será que evoluimos? Pode parecer tão óbvia a resposta, não? Não, talvez seja mais complicada q pareça.

Poderia aqui ficar falando de inúmeras músicas, clipes, filmes, desenhos, que podem fazer da nossa História tão agradável, é claro, fica subentendido que tudo isto deve ser revestido de uma base teórica, um professor que pode mostrar onde está certo, ou que está errado aos olhos Históricos.

E o pior que escrevo isto aqui, e fico pensando quando poderei aplicar isto, quando terei uma chance neste feroz mercado, a cada dia me sinto com tanta vontade de dar aula, mas ao mesmo tempo tão desanimado...Não está nada fácil.Mas não irei desistir, principalmente pq a famosa frase me incentiva: "Nunca desista dos seus Sonhos, se inda não encontrou, procure outra padaria" (tinha q ter um humor em tudo isto aqui, né?)

Tudo isto falei para dizer que por causa da falta de vontade da minha professora em mostrar uam História contagiante, não tive vontade de estudar, e quando vi, só faltava um dia para a prova, e fiquei 16 horas estudando uma matéria, trancafiado dentro de um quarto, bem ao estilo Big Brother.

É, ria se quiser, no dia seguinte, me dei melhor na prova (eu tive 2 no mesmo dia), em que não estudei, onde eu me envolvi com a matéria, onde a professora me fez ter vontade de querer mais...

É, eu já imaginava...