Terça-feira, Setembro 01, 2009

Polaroids (ou "e quando o pássaro não volta?)

Seis da manhã.

Eu, atrasado, entro no primeiro vagão de um trem rumo a Paciência. Seria uma segunda normal se não fosse pelo fato deste vagão estar vazio. Completamente vazio não: havia, além de mim, um casal. Minha distração de olhar a paisagem do subúrbio sob a luz do nascer do sol e os ouvidos surdos pelos fones do MP3 (hoje era Chico Buarque, pra variar) me fazem esquecer aquele casal a minha frente...

“... Quando você me deixou, meu bem me disse pra ser feliz e passar bem...” (Chico Buarque)

Como um capricho dos deuses, cantarolava essa frase quando o trem parou na estação de Cascadura. Com o parar do trem, abrem-se as portas do vagão e com elas o homem sai, despretensiosamente. E no exato momento que as portas se fecharam, eis que a moça se torna em um grande manancial de lágrimas: grossas, quentes, tristes. Não há escândalo de sua parte, não há desespero, tampouco teatralizações. Há discrição de ambas as partes: da dela, para não mostrar seu rosto encharcado e de maquiagem borrada; da minha, para que ela não percebesse que eu ali a observava e, de certo modo, compartilhava da dor dela e tentava penetrar em seus pensamentos. Pus-me a escrever ali mesmo, misturando dor, reflexão e músicas em uma linha tão difícil de dissociar.

"O que é que eu posso contra o encanto/ Desse amor que eu nego tanto/ Evito tanto/ E que, no entanto/ Volta sempre a enfeitiçar"

Mesmo na impossibilidade de entrar em seus possíveis devaneios (o dom sobrenatural que tanto almejo), me vi como que abrindo um detestável álbum de fotografias mentais. E nesses flashes, página após páginas, via juras de amor, beijos apaixonados, risos ao luar, cochichos ao pé do ouvido, a calma das mãos entrelaçadas, a sensação de completude, o da “pra sempre”, o suspiro de quem percebe que o pensamento foi invadido pela imagem do amado. E, como num loop de uma montanha russa, as imagens se transformam e as imagens mostram a angustia da solidão, os pés andando em caminhos contrários, o nada, o vazio, o vagão do trem vazio, a imagem daquela moça que, agora, coloca os óculos escuros para disfarçar sua tristeza.

"... O que me dá raiva são as flores e os dias de Sol/São os seus beijos e o que eu tinha sonhado pra nós..." (Leoni)

O castigo daqueles que se atrevem amar é terem que lembrar tortuosamente dos melhores momentos do relacionamento quando ele termina. Tal como Prometeu, que, acorrentado no Monte Cáucaso, tinha a companhia apenas de Abutre que lhe comia fígado diariamente como castigo pela ousadia de pegar o fogo sagrado de Zeus, temos nossos corações devorados pela ousadia de pegar o Amor, o fogo sagrado de Deus. Tortura-nos, de maneira igual, lembrar daquilo que não vivemos, mas que poderíamos viver. Planos, futuros, viagens, aquilo que deixamos de viver, abdicamos voluntariamente acreditando que, no fim, valerá à pena. Mas nem sempre vale...

"(...) Ah, se já perdemos a noção da hora/ Se juntos já jogamos tudo fora/ Me conta agora como hei de partir (...)"

Uma das histórias que mais marcou quando menino era aquela que o mestre, para mostrar ao discípulo que não devemos a nos apegar a nada que não é nosso, ordena que se solte da gaiola o seu melhor pássaro, o mais querido. Incrédulo, o discípulo, ao ver pássaro sair pela janela, pergunta qual a razão dessa atitude tão radical. E o mestre, na sua habitual e irritante calma, profere a célebre frase: “Se ele for realmente meu, ele irá voltar”. Esta fábula se encaixa perfeitamente nos nossos relacionamentos. Se realmente devemos libertar o outro, por qual razão não o fazemos? Ou não o soltamos com medo dele não ser nosso e nunca mais voltar, ou o soltamos, mas sempre com a convicção de regresso.

Mas... e se o pássaro não voltar? O que fazemos?

"(...) Não ter você/ cair em si/ Morrer de amor não é o fim, mas me acaba (...)" (Djavan)

Como suportar a dilacerante dor que é o fim do amor? Ele pode até não matar, mas nos acaba. O que fazer com aquele espaço enorme que fica quando o outro se vai? O que fazemos para tirar da boca o amargo gosto da frustração?Como tirar da cabeça os bons momentos que nos perturbam e deixam a sensação do “poderia ter dado certo se...”? Por que não podemos lembrar somente das brigas, discussões, defeitos, do que nos incomodava? Por que não sentir o refrescante ar da liberdade e da possibilidade de amar de novo, sem os erros de antes, só que agora mais e melhor? Por que não, numa postura de extrema maturidade (ou de frieza), entender que todos os relacionamentos são pontes para a busca do inatingível “perfeito amor”?

Enfim, por que não entender que, se o pássaro não volta, é porque nunca foi nosso?

"(...) E quando eu me apaixonei/ Não passou de ilusão/ O seu nome rasguei/ Fiz um samba-canção/ Das mentiras de amor/ Que aprendi com você (...)"

A minha tristeza naquele vagão banhado pelo sol mansinho da manhã não era por mim, era por ela. Não sei seu nome, nem sua história, tampouco se ela foi quem terminou, ou o contrário, ou se é que foi um término. Pela frieza que pareceu, deduzo que sim... Minha tristeza era saber que tudo isso que penso de forma racional e em tons mais leves, ela talvez estivesse passando de forma abrupta, dolorida...

"Oh, pedaço de mim/ Oh, metade adorada de mim/ Lava os olhos meus/ Que a saudade é o pior castigo/ E eu não quero levar comigo/ A mortalha do amor/ Adeus..."

Próxima Estação: Paciência.

Um colega de trabalho interrompe meus devaneios: é hora de desembarcar e viver a vida real. Agradecido me levanto e percebo que a moça não estava mais lá: deve ter soltado em alguma estação que meus devaneios não me permitiram ver. A dor foi junto com ela, mas aquela imagem ficou registrada: tornou-se mais uma Polaroid dos sentimentos humanos que vou guardar em meu álbum...

...que eu teimo em colecionar.



Terça-feira, Julho 07, 2009

Upgrade U

Há uma frase sobre a amizade, daquelas que você encontra em qualquer site, que sempre me encantou: “Quando fizeres novos amigos, não se esqueça dos antigos”. Entre a multidão de citações do gênero, esta sempre me agradou mais, já que, particularmente, ela representa pra mim o verdadeiro espírito de uma pessoa “amiga”: alguém aberta a novas relações e, portanto, disposta ao risco do desapontamento e da ilusão. Mas, por outro lado, aquela citação traz em si o espírito de que a renovação, o crescimento como pessoa, como amigo, implica em também conservar aquilo que é substancial para você mesmo. No caso da frase, os amigos antigos. Mas não é raro (não mesmo!) encontrarmos pessoas que desatam os “firmes” nós da amizade com uma impressionante velocidade. Transformam aquilo que eu sempre considerei o maior dos sentimentos, até maior que o próprio amor Eros, em um objeto mercadológico, trocando e se desfazendo a partir do momento que aquilo não dá mais benefícios imediatos.

A amizade, assim como a vida, tem se tornado cada vez mais líquida, mas nem sempre de forma tão consciente e maquiavélica como parece. Na avalanche de informações, relações, pessoas, imagens, vamos simplesmente agindo, ou melhor, reagindo a esses impulsos e muitas das vezes não damos conta do que estamos fazendo – ou deixando de fazer. Consciente ou inconscientemente (não quero entrar nessa discussão) não paramos um instante para pensar, refletir sobre nossas ações, nossas escolhas ou mesmo nossas omissões... Enfim, somos como um computador sobrecarregado, eternamente ligado e sem atualização.

Observemos por um instante todos nossos atos, gestos, palavras, pessoas ao nosso redor: será que não estamos nos apegando restritamente as “novidades”, independente se supérfluas ou não, e esquecendo do que nos é essencial, independente do que é novo ou antigo? Não estaríamos nós nos afastando daquilo que é indispensável e inerente ao nosso ser em prol da preocupação exclusiva do novo, que é, por definição, também o incerto? Não é uma questão de dizer que o “velho” constitui o fundamental, tampouco que o “novo” é a matriz do superficial, mesmo porque não é bem por aí o rumo da minha prosa. É bem verdade que estamos apegados demais a quinquilharias desnecessárias e talvez nem tanto atentos ao edificante do novo. É por isso que advogo uma atualização, um “upgrade”.

Atualizar-se não é somente adquirir novos hábitos e idéias, ou novas roupas, tampouco ampliar sua rede social real (nada de Orkut ou Twitter), mas também ver revirar seu baú de emoções, sentimentos, amigos, músicas, etc., e separar aquilo que te é essencial daquilo que não é. Jogar certas coisas fora é um bom exercício de desapego, pois alivia demais a sua bagagem, porém, deve-se ter imenso cuidado, pois aquilo não voltará jamais, e, às vezes, não estamos preparados para isso. Quanto àquilo que não jogamos fora, não basta apenas deixá-lo, inerte e empoeirado: devemos retirar todo o pó, passar um bom lustre e, por vezes, fazer pequenos ou grandes reparos. E, sobretudo, colocá-lo ao lado daquela novidade de última geração que você ainda está babando. Isso requer tempo, disposição, e até doses de sacrifício, porém se não fizermos, a tendência é de se perder aquilo irremediavelmente e aquilo se tornar apenas mais uma, das inúmeras, recordações boas. E é senso comum afirmar que sempre sentimos falta daquilo que perdemos. Criamos, institivamente, zonas de conforto em nossas relações, onde nos aconchegamos e acreditamos que nada precisa ser modificado. E enquanto isso, lá elas estão enchendo-se de poeira, que de tão grossas, já encobrem e embaçam a beleza daquela relação.

Já que está parado aqui lendo este texto, tire mais dois minutinhos para um auto-exame: há quanto tempo você não liga para seus amigos de infância/adolescência para saber como está? Há quanto tempo você não sai com eles para simplesmente ficar de papo, tomando uma casquinha no banquinho do shopping (ou qualquer coisa do gênero)? Lembra-se dos seus sonhos e ideais de quando jovem? Ainda permanecem de pé ou você simplesmente se esqueceu deles? Faz quanto tempo que você não põe pra tocar aquele CD que marcou uma fase boa de sua vida? Porque você não faz uma playlist de músicas que te lembram alguém ou algo importante, ao invés de só escutar as Top 10 Hits de Julho de 2009? Há quanto tempo você não dá aquele abraço nos seus pais? Você pode ter – e eu tenho – dezenas de divergências com eles, mas são, antes de tudo, meus pais. Já tentou retirar a poeira dos seus álbuns de fotografia? Que tal convidar seus amigos pra te ajudar nessa empreitada e relembrarem o porquê vocês são amigos? Faz muito tempo que você não se declara pra sua namorada(o)? Não manda um cartão? Não recita uma poesia ou mesmo a chama de meu anjinho?

São coisas simples, fáceis, algumas precisam de Mastercard, mas maioria não...Acho que não custa tentar.

Sexta-feira, Janeiro 30, 2009

Ar...



Ali estou eu, sentado naquele banco a esquerda. Observo o mar, sinto a leve brisa cobrir meu rosto. Quisera eu ter a incapacidade absoluta de não precisar deste ar que tanto me inebria. Quisera eu ser completamente insensível ao aconchego que esta me proporciona nesta madrugada, essa paz ao sentir esse vento brando e fresco sobre meu corpo. Ou mesmo dissimular a adrenalina e a endorfina que corriam em minhas veias quando percebia que essa brisa se tornara num tufão e devastava a minha cidade. Quisera eu ser desprovido da necessidade de respirar, de, a todo instante, inspirar e expirar este ar que invade e se apodera de todo meu ser, esse ar que me faz sentir vivo, que me faz ir adiante, que me faz correr maratonas, nadar mares e subir montanhas pelo simples fato de tê-lo mais dentro de mim.

Contudo, querer não é poder (pelo menos por aqui) e cá estou: sentado, respirando, sentindo a brisa acalmar meu corpo, recuperando-me depois de ver minha cidade ser completamente arrasada em frações de segundos. Lá me encontro feliz, otimista, alegre... e morrendo por dentro. Por fora, um homem alegre divertido, carismático, até mesmo interessante. Por dentro, um homem em conflitos, em dúvidas, inseguro, melancólico. O motivo? A vida? Familia? Trabalho? Dilemas existenciais? Nada disso, apenas a incondicional e irrevogável necessidade deste ar.

Respirar um ar que não se pode buscar, que não se pode conquistar, que só pode ser apenas encontrado. Por mais que tentamos ludibriar esta regra, com receitas ali e acolá, o fato é que ele vem até você e não o oposto. E é isso que me dói mais: a impossibilidade da escolha. Não posso escolher tomar o ar do sudoeste, ou do norte, ou do noroeste: o vento vem tão subitamente, tão repentinamente, que só posso aceitá-lo do jeito como vem, sem questionar: eu tenho que respirar, eu preciso respirar. Eu preciso deste ar puro, que emana da fonte mais límpida, totalmente natural, transparente e espontâneo.

Enfim, um ar que, apesar de estar ao meu alcance, não é meu de verdade. Pode até me tangenciar, mas seu alvo é outro. Busca inebriar outra mente, aconchegar outro braço, encher de vida outros pulmões e, assim, completar outro coração. Por acaso quis o destino (este ser tão ingrato) que essa brisa passasse por mim, mas não era sua intenção. Coitada da brisa, mal ela sabe o mal que ela me faz me fazendo tão bem.

E lá estou eu ainda sentado, sabendo que procurar um outro um lugar onde aquele ar não possa estar é uma procura vã, posto sua onipresença. Então me vejo levantando com a solução: passarei a andar pelas ruas com um balão de oxigênio nas costas, desistindo de respirar...


...por enquanto.

Segunda-feira, Janeiro 05, 2009

Na Cadeira...


Sim, eu te espero.

Não precisa ter tanta pressa. Decerto que ficarei aqui, na esperança de teu regresso. Não te sintas pressionada, tampouco circunscrita ao tempo e ao espaço, apenas vá.

Então vás e procures tua felicidade: vasculhe cada esquina que passar cada cantinho escondido... busque com máxima dedicação e força peculiar. Olhe para os mais formosos rostos e encoste-os com o teu cálido rosto; enlace teus dedos com os melhores dedos; entorpeça, com teus beijos, os mais belos lábios que encontrares. Como disse, vás, e com intensidade e busque-o.

Se, por acaso o encontrar, se entregue de corpo e alma, mente e coração.

Eu estarei aqui, do outro lado. Não mais exageradamente ansioso como um Bentinho a espera de sua Capitolina, na verdade tão sereno que me pergunto se devo ficar aqui, sentado, a tua espera. Teus olhos de ressaca logo respondem tal devaneio. Mas não ficarei inerte, como se fosse um produto harmonicamente acabado para ti. Enquanto buscas desenfreadamente tua felicidade, eu estarei correndo as mais longas distâncias, levantarei os mais pesados dos halteres, e empilharei - ao lado da cadeira que uso para te observar - os mais belos livros de poemas, e os recitarei de cor e salteado.

E assim, quando mais tarde regressares, percebendo que a busca foi vã, pois não encontrastes o amado de tua alma, tomarei tuas lindas e delicadas mãos e direi que não foi vã a tua jornada, pois fora necessária para que este momento acontecesse. Logo após, recitarei com alma e intensidade os poemas mais belos que parecerão que foram escritos sob medida para ti. Sentirás, por exemplo, que Salomão pensara em ti quando escrevera seus cânticos de amor, que eras a musa que fizera Fernando Pessoa achar que sua carta de amor (e de todo o resto da humanidade) era ridícula, e que tu foras aquela que Vinicius de Moraes jurara ser de tudo atento. Erguer-te-ei a tal ponto de se convencer, com razão e sem necessidade da hipócrita modéstia, que és a principal das nove deusas que presidiam às artes da Grécia Antiga. Darei abrigo e proteção em meus braços, e sentirás uma deliciosa sensação de paz e conforto ao refestelar tua cabeça em meu peito. E perceberás que os incontáveis quilômetros percorridos deram-me condicionamento suficiente para desejar, incansavelmente, teus beijos mais doces noite adentro.

E então, viverei tão em ti, tão de ti e tão para ti. E saberei que, enfim, sento-me à sombra daquela que tanto havia desejado.

Agora vá, musa minha, vá. Estarei bem aqui, acompanhado pelos meus devaneios, meus desejos e as poesias.

Quarta-feira, Dezembro 31, 2008

Intensidade

Reencontrei a intensidade dos homens no instante que vi seu rosto. Não estava tão perto a ponto de perceber todos os detalhes daquele sorriso que, inevitavelmente, já me contagiava, nem tão longe que não pudesse perceber o calor por trás de seus olhos castanhos. Achava, pretensiosamente, ser eu o último ser intenso dessa humanidade tão mecânica, porém ao ver aquela face percebi que estava enganado: embora cada vez mais raros, os “intensos” ainda estão por aí, destacando-se dessa massa cada dia mais sem graça.

Se por acaso você, querido amigo leitor, encontrar uma pessoa intensa por perto, não hesite: enlace-a, não a deixe se distanciar e prepare-se, pois, como dizem os comerciais da Sessão da Tarde, “a aventura só está começando”. Faça isso sem pensar duas vezes (aliás, nem pense!), já que os “intensos” são um tipo raro, raríssimo, dentro de uma humanidade quase completamente amorfa, passiva, de indivíduos mornos, vivendo uma vida em tons pastel.

Mas como identificá-los? Muito simples. Primeiramente, não saia procurando, apenas observe. E quando menos esperar você encontrará aquele sorriso... Ah, aqueles olhos! Que indicavam, facilmente, que o que gostam são as cores vivas, vivíssimas. Cores de Almodóvar, de Frida Kahlo. E são os tons extremos que influem suas atitudes: é tão óbvio que a expressão “meio termo” não consta em seu vocabulário. Se amar, ama-se muito, e se odiar, odeia-se muito; ou é lindo ou é completamente horroroso; algo ou é maravilhoso ou horrível. Vive-se a contagiante alegria da paixão ou a dor insuportável da separação ou da solidão. Aquele lindo rosto diferenciava-se daqueles tantos outros que eu via que a rodeavam: não acham as coisas e/ou as pessoas “legalzinhas”, “maneirinhas”, não consideram “normal” um mega evento, uma festa, uma promoção ou mesmo um esperado encontro. Aquele sorriso indicava-me que por trás dele habita uma pessoa que vive ou nos 8 ou nos 80 (porque não 800? Ou mesmo 999?), sem estágios intermediários, buscando sempre o máximo de si, almejando sempre, mas sempre mesmo, o extraordinário que cada instante do presente pode oferecer.

No instante daquele olhar, esqueci-me do que fazia e me peguei devaneando, procurando saber se aquela intensidade era parecida com a que supunha ter. Será que ela teria, assim como eu, o amor como o tema central de sua vida? Pois, afinal, tudo envolve o amor para um “intenso”: a busca contínua pela pessoa especial, por amigos leais, sinceros, confiantes e eternos, por um emprego apaixonante e motivador, por um sentido de viver e até mesmo pela música perfeita, que ora seja em tom maior e uma letra que descreva toda sua alegria, ora seja num tom menor e que relate toda angústia ou melancolia. Alguém que, quando ama, não o faz a prestação, tampouco homeopaticamente. Simplesmente ama, sem orgulhos, nem problemas. Que apesar dos anos sinta ainda borboletas no estômago ou aquele delicioso calafrio na espinha quando vê o amado por perto. Que o motivo de seu amor não seja o “por causa de”, mas sim “apesar de”, isto é, que seus defeitos sejam tão sedutores quanto suas virtudes.

Aqueles olhos me revelavam alguém que se entrega inteiramente ao outro, sem receios, sem “pisar em ovos”, sem deixar que os relacionamentos do passado se tornem traumas, mas sim degraus de aprendizado para o tão esperado “grande amor”. Aliás, para o intenso, via de regra, toda paixão é o “grande amor”, mesmo que descubra, mais tarde, que não passava de uma leve brisa romântica. Estranhamente naquele sorriso eu vi que sua felicidade era ver a felicidade nos olhos do seu amor, sem que, para isso, se anular, bem como perceber que não há mais limites do seu corpo e do amado quando estão envoltos num abraço, e que no instante de um beijo, exista uma só boca, um só coração, uma só alma...um só fôlego de vida! Mas me revelavam também que por se entregar a tal ponto sofria uma dor dilacerante quando há o rompimento, a separação ou mesmo a mágoa de um platonismo sem reciprocidade, uma sensação de que um grande vazio se apoderasse de sua alma e a deixasse inteiramente desnorteada, chegando a sentir uma dor física de tanto sofrer. Afinal, os intensos sabem que morrer de amor não é o fim, mas os acabam.

Em meio a pessoas que se escondem e têm medo de sentir em sua plenitude, aquele rosto que vi mergulha de cabeça, com todo o seu ser, com todo o corpo: pele, boca, mãos... Contrariamente àqueles que não demonstram explicitamente suas emoções e muito menos se permitem a avançar sobre esta matéria – por medo de ser reprovado, vetado, ou mesmo castrado-, seu sorriso era a imagem de quem delira de desejo, de peito aberto. Ousa viver cada segundo como se fosse o último, sem medo do desconhecido. O medo não é algo inexistente em seus olhos, mas tampouco era uma barreira no desejo de agir. Corpo e alma estão inteiramente coesos no que quer que faça: dançando (ah... a expressão maior da intensidade!), seja na pista mais famosa do mundo, seja na sala de casa, de pijamas, às 10 da manhã; Cantando a pleno pulmões tanto naquela apresentação para uma platéia lotada exigente, tanto debaixo do chuveiro, sozinha e com um cachorro (ou qualquer outro bicho de estimação) não tão exigente assim.

Imaginei aquele rosto, por exemplo, explodindo de raiva ao perceber que se encontrava completamente indefesa a um temporal, quando tudo que ela queria, após um dia estafante de trabalho, era o calor e aconchego do lar. Mas, logo depois, ecoasse dela uma risada bem alta, contagiante, quase infantil de alguém que acabara de perceber que, na verdade, o que ela precisava naquele momento era justamente a liberdade de voltar a ser criança e tomar um belo banho de chuva. É acionar aquela chave que a faça retornar aos 9, 10 anos e viver, intensamente, seu jeito moleca de ser. Num mundo de laços fraternais tão frágeis, ela entrega-se tal forma que considera ultra-normal renunciar seus próprios planos festivos para estar ao lado, dando o ombro protetor a um amigo em prantos.

Não pautando suas atitudes, em momento algum, no que os outros dizem a respeito, não se preocupa em ser intenso por popularidade, mas por necessidade de dar sentido a todo caos de emoções e sentimentos que há dentro de si. E esse caos é uma massa tão poderosa que mesmo controlada, acaba se revelando externamente. Como naquele sorriso, que era, para mim, verdadeiro estandarte daquela impressionante intensidade. Verdadeiro porta-bandeira de si própria, manifestando o a quem quiser ver o que está sentindo, mesmo que, a princípio, não queira mostrá-lo. Quem nunca viu aquele sorriso amarelado e aquela sensação de constrangimento expressa na vermelhidão nas bochechas que, se pudessem falar, diriam, “Não caibo de tão feliz, mas como controlo isso?”? Não, definitivamente não se controla “isso”, apenas vive-se, entrega-se cabalmente nesta felicidade, sem calcular, meticulosamente, os possíveis “prós” e “contras”. Que eles se explodam!

Por sua densidade e complexidade, de quem busca viver, na apenas existir (e vivam os clichês!), pelas altas doses de charme, simpatia, sedução que eles exercem sobre nós é que faço minha apologia aos intensos. Estes, que sempre nos ensinam, inconscientemente, a combater diariamente a morosidade de uma vida sem graça, sem cor. A voltar a ter fé na paixão arrebatadora, no amor verdadeiro, nos laços consistentes, na felicidade impenetrável, e, sobretudo, na amizade duradoura (e quem há de negar que esta não é superior?).


Como eu voltei a ter depois daquele angelical rosto.

Domingo, Dezembro 07, 2008

Saudades...

No meio da praia, no meio da tarde, meio do nada, bateu aquela angústia, aquela sensação de incompletude. Vi-me sozinho, desamparado ao lado daqueles milhares de pessoas sorridentes que se amavam ao sol escaldante, beijando-se, trocando carícias, ou mesmo abraçada caminhando na beira da praia. Tentei fazer do mar meu companheiro e fiquei o contemplando revolto, agitado, como se algo ou alguém o tivesse irritado seriamente. Mas de nada adiantou: sem perceber, já estava com os olhos voltados de novo para aquele casal que caminhava despretensiosamente pela areia, e o estranho e indecifrável sentimento da saudade começava a dominar toda minha alma. Indecifrável porque “saudade” não é só “sentir falta de algo ou de alguém”, ele vai além: tem um mecanismo mais complexo que eu ainda não consegui compreender. Saudade está ligado incondicionalmente a memória, e assim, uma série de cenas, imagens surgiam na minha mente.


Tomado pela agonia da saudade, lembrei-me do nosso passeio a praia, quando nós éramos o casal despretensioso que flutuava pela beira do mar. Lembrei-me dos risos de nossas piadas, que eram só nossas. De nossas conversas, ora sobre o tudo, ora sobre o nada, que as tornavam verdadeiramente um diálogo, não uma competição entre dois egos infantis. Lembrei-me das provocações ao pé do ouvido que te deixavam tão ruborizada como extasiada. Até dos momentos em silêncio, que não nos incomodava, pois a presença um do outro transcendia as palavras, eu senti falta. Junto com as pegadas na areia, lançávamos nossos planos, sonhos, desejos. Não era mais “o meu” ou “o seu”, era “o nosso”, em que tudo se encaixava harmonicamente, assim como nossos beijos apaixonados ,e eu me lembrava de cada um desses com um sentimento tão carinhoso, como se o desejasse de volta. Mas da mesma que o mar apagava sistematicamente as pegadas na areia, tudo que tínhamos em comum, inclusive um ao outro, foram desaparecendo lentamente.


Será?


Dei-me por mim e tentava, em vão, me distrair. Mudar o foco, talvez. Usemos um argumento científico: “tendemos a olhar para o passado mais do que ele realmente foi”. Eu sei, é verdade, mas quem disse que meu coração se acalma com argumentos cientificamente aceitáveis? Ele só ama e sente falta! E, de repente tudo me fazia lembrar nós dois naquele passeio: a playlist em meu mp4, o tom vermelho da minha camisa, o cheiro do meu perfume, que era o que você mais gostava... Tudo, absolutamente tudo, me lembrava aquele momento tão reluzente, onde, mesmo de improviso, tornamos o litoral escravo de nosso amor. E todos os artifícios para tentar controlar esses pensamentos eram em vão e me trazia você mais próximo de mim. E no martírio da memória imensa, seja auditiva, visual ou olfativa, a saudade começou a apertar e a doer.


Dói saber que tua ausência é o que me basta, e que não me foi dada uma segunda escolha. Dói saber que resta apenas a mim o esforço grandioso de agüentar essa falta, esse sentimento de incompletude, essa outra parte de mim que te dei e nunca tive de volta. E dói ainda mais saber que me faltam forças ou coragem, pois a imagem que de ti em vão persigo, consciente ou inconsciente, é minha única companheira. Dói saber que provavelmente este texto nunca lhe será lido e que, dentre em pouco, se tornarão palavras jogadas ao vento. Mas o que dói mesmo é ver aquele lindo casal caminhando pela praia e perceber que sinto saudade de algo que nunca aconteceu, pois nunca fomos à praia. Posso sentir saudade daquilo que nunca vivi?


Sim, posso...


Porque, na verdade, a saudade maior não é o que éramos, mas sim o que poderíamos ter sido.

Quarta-feira, Dezembro 03, 2008

Procura-se... [Re-atualizado]


Procura-se uma musa. Não precisa ser loira, morena, ruiva, não. Também não precisa ser alta, baixa, mediana, tampouco ter nível universitário, mestrado, pós doutorado - que seja apenas inteligente -.Não precisa gostar das mesmas coisas do que eu, ler os mesmo livros ou escutar os mesmos cantores, embora isso fosse bom. Não precisa nem mesmo morar perto de mim: pode ser daqui do Rio, ou de Paris, Tailândia ou mesmo da Groelândia (ou da Tijuca). Requer apenas uma virtude, rara e pouco explorada entre as mulheres: saber me enfeitiçar.

Que consiga me encantar e ocupar todos os espaços de ócio de meus pensamentos com sua imagem, até a hora que, quando eu der por mim, ocupe todo minha mente. Que me motive, inconscientemente, a ser um homem melhor, buscar ser um profissional melhor, um amigo melhor, um amante melhor...enfim, que busque novidades para ter o que contar. Que tenha o dom de fazer com que eu crie uma trilha sonora especial para momentos como esse, só para arranjar só mais um pretexto para lembrar de minha musa. Que me inspire a escrever prosas, poemas, cartas, posts, todas ridículas e passionais.

Que me faça companhia nos meus devaneios: que quando sonhe, conscientemente, numa cena romântica , tipo as de cinema,ou quando imaginar um pôr-do-sol na Lagoa, o céu estrelado de Vassouras, um banho de chuva em Paris ou mesmo um passeio de Gôndola em Veneza ou uma corrida no Central Park (com direito a café no Central Perk), em vez de eu ver uma sombra do meu lado, vejas tu, musa minha.

Que minha relação com essa musa seja de platonismo. Que em um dia pense concretamente que tenho em minhas mãos, que a musa se humanizará só para me dar o prazer de seus beijos, mas que no outro, perceba que, na verdade, quem está no comando não sou eu, que sou um brinquedo nessa história. Que me faça sonhar com seus beijos, seus carinhos, seus abraços, imaginando qual a cor e forma deles. E aí, que fique em suas mãos escolher que caminho devo tomar. Torço eu para que não fique no campo do platonismo, que se torne algo real, concreto,que o amor emergido seja "com grande liberdade, dentro da eternidade e a cada instante".

Mas, se nao for assim, e ela, no dia seguinte, sem eu perceber, desapareça sem deixar, ao menos, um bilhete, eu possa sofrer e, na sofridão, descobri que amei, amei demais. Amei intensamente, como deva ser.


E aí, eu coloque nos classificados, novamente:Procura-se uma musa!



Musica ambiente: Smile (Sorri) - Djavan

Segunda-feira, Novembro 10, 2008

Irônico, eu?

Tem certas coisas que não conseguimos controlar.

Simplesmente assim: você se esforça, controla-se, mas, quando menos se espera, ta lá você fazendo de novo. Podemos comparar com o vício: sejam coisas destrutivas, como a bebida e os entorpecentes, sejam em coisas cotidianas, como dar menos “pinta” de que esta gostando de alguém, ou não atacar a geladeira de madrugada, seja não entrar no Orkut ou dar uma “espiadinha” em que está on-line no MSN e atrasar seus estudos, lá estamos nós descumprindo nosso desejo de nos segurar.

Eu percebi a algum tempo que se tem uma coisa que eu não consigo me controlar, é com minha ironia e meu sarcasmo. (Não, ironia e sarcasmo não são a mesma coisa, mas não vou me deter a detalhes aqui. Qualquer coisa procura no Google). Confesso que por algum tempo, tentei evitar, busquei ser alguém simples, normal, que não tem um comentário “maldoso” ou “picante” para cada frase que escutasse.

Mas não deu.

Não acredito em natureza, em coisas inatas ao meu ser (e para quem acredita nisso, só um lembrete: cada um no seu quadrado, ta?), mas não tenho outro argumento a dizer que não que o sarcasmo e a ironia faz parte de mim. Não sou eu se não for irônico. Mais. Não sou eu se não for politicamente incorreto. Talvez venha das minhas influências infantis, basicamente Pernalonga e Pica-Pau (a versão comportada, o outro é muito sem noção, é chato), a predileção pelos personagens irônicos. São os mais charmosos, são os mais engaçados para mim, são, em suma, os mais interessantes, os mais inspiradores. Poderia aqui fazer uma lista gigantesca dos personagens irônicos que me inspiram, mas só cito um, o maioral, o preferido: Chandler Bing. Talvez, se você nunca viu Friends (e por isso é uma pessoa menos feliz, fato!), não tenha a mínima idéia do que eu esteja falando, mas ele é o cara! Não perde uma piada, sabe a hora exata e o comentário exato para qualquer assunto, nem que com isso ele acabe por constranger as pessoas ou ser politicamente incorreto. E embora ele seja uma simples ficção, há algo nele que me aproxima ainda mais: seu espírito irônico é uma espécie de autodefesa, ou melhor, a única forma de se comunicar com o mundo.

Sim, pois para mim a ironia não é uma escolha totalmente consciente. Na maioria das vezes, não tenho outra forma de como falar sem soltar uma ironia. Isso não faz de mim um palhaço, daqueles que precisam ser espalhafatoso para fazer graça. É claro que uma coisa leva a outra, mas não sou sarcástico para ser engraçado, sou sarcástico simplesmente porque não sei outra coisa.

E hoje até gosto de ser irônico, faz parte do meu hipotético “carisma”, muito embora ainda cause problemas. O primeiro, mais simples, é que as pessoas confundem meus atos irônicos com atos depreciativos. Isso leva ao segundo problema: não se compreendido. Por não ser compreendido entende-se não ter o humor igual ao da maioria das pessoas. Gosto do humor inteligente, rápido, rasteiro, que precise ter raciocínio muito rápido para dar tempo de achar graça. Não gosto de nada muito escrachado, que tenha que apelar para o pastelão para fazer rir, e, por isso, gosto cada dia menos do humor feito no Brasil. Por ter vivido longos anos em frente à TV, vendo seriados, gosto do humor americano, que, na grande parte das vezes, ninguém entende. E isso repercute na minha forma de fazer graça (aí sim, a ironia é deliberada para o humor): quando eu quero ser engraçado, ou mesmo espirituoso ninguém entende. Ou pior, entende errado.

Cada dia me sinto mais um estranho num grande ninho chamado universo. E para evitar maiores constrangimentos, eu me seguro para evitar um comentário dentro da igreja ou da escola, scrap, um sms para a amiga que ta namorando (mesmo que definhando), um email, ou mesmo uma resposta para uma banca de qualificação de Mestrado de forma irônica, ou com altas doses de humor negro (ou afro-descendente, como queiram) ou mesmo algo politicamente incorreto. Mas quando me vejo já to lá eu fazendo de novo.

Eu disse que não consigo me controlar.

Quinta-feira, Agosto 14, 2008

Finitude - A Repercussão

"Com tantos problemas, repouso em ti, ó música, e minha alma se regenera" (Poesia que inspirou a foto)

Mentira: so queria mostrar meu novo chapéu e meu Pierrot* .______________//___________

Aliás, achei uma chapelaria na Marechal Floriano que é agora é meu novo point.
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Enfim, respondendo a algumas indagações depois do meu texto (obrigado a tds q responderam, não é pra amaciar o ego, é pra melhorar a redação msm que peço que vcs comentem)

1. Você terminou com sua namorada?

Nelton: Não, esse texto estava engasgado já faz um tempo. Estamos mt bem, diga-se de passagem. Um dia posto fotos do nosso mais novo programa de domingo de tarde: "A Cozinha maluca de Nelton e Nana".

2. Nelton, vc é gay?

N. Não, não sou, nada contra, mas não sou.

3. Nelton, pq vc escreve uma cronica com linguagem de msn?

N. Pq escrevo minhas crônicas na linguagem daqueles que estão lendo. Não estou escrevendo um texto acadêmico, que tenho que saber as 45 regras de portugues para colocar a virgula...ah, vc entendeu a mensagem? Então, me dá um cadinho de sossego, por favor... se ficar falando mt vou começar a falar assim. Ou ainda pior, eu vou estar começando a estar falando em gerundês de telemarketing, que tal?

4. Nelton, vc é homossexual?

N. Eu já disse que não, né?

5. O texto foi pra alguem em específico?

N. Sim e não. A idéia central partiu de um evento com uma pessoa em particular, mas depois descobri que poderia transformar isso numa catarse coletiva, generalizando para outras coisas e pessoas que tenho que aliviar a bagagem.

6. Nelton, sua coca é fanta?

N. Não, não, e Não. Sou coca, sem frescura de Ligt ou Zero... Da pra sossegar e parar de perguntar?

7. Nelton, pq vc transformou seu blog em flog?

N. Pq ngm le meu blog, ou ngm comenta. E olha q no www.fotolog.com/neltonaraujo, qq um pode responder. Aliás, vou até postar essas respostas lá agora.

8. Nelton, vc é gay?

N. ...

9. Essa sua resposta é um indicativo que sim?

N. Não, é um indicativo q já to ficando de saco cheio...

10. Quem é a Carol? A ex que vc despejou td sua raiva e desprezo nesse texto? Ta pegando?

N. Carol é minha grande amiga, já tem uns 12 anos. Eu to namorando e to feliz, embora a Carol seja linda demais (Homens se candidatem... se vc gosta do Botafogo e não tiver problemas em saber q sua namorada joga futebol melhor que vc, te mando um email). Foi ela quem me provocou. E esse texto não teve raiva nem desprezo, tampouco tenho algum desprezo ou raiva a alguma namorada. Embora algumas me odeiem, eu tenho um enorme carinho por todas, pois elas me fizeram ser um namorado melhor. Silvana agradece...

11. Nelton, vc é gay?

N. Pra que vc quer saber isso? Já to falando há um tempão q não, mas vc não acredita...Vai, então, acredita q sou gay... eu desisto.
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Bjs a todos e daqui a alguns meses volto com algum texto polemico de novo.

So para que saibam, estou em época de qualificação, fico o dia inteiro dentro do mosteiro da Biblioteca da UFRJ. Qd não to, to correndo, malhando, nadando, beijando na boca ou falando com a namorada no Telefone. Mas um dia apareço de volta.

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* Pierrot é o nome do meu baixolão, vc ainda não sabe? Não quer q eu explique de novo não, né?

Quinta-feira, Agosto 07, 2008

Finitude

Uma grande amiga me disse, ao saber do tema deste post, disse que gostaria de lê-lo, pq em geral ela não sente que eu visto a carapuça do que eu escrevo.

Ledo engano.

Muito pelo contrário, tudo que escrevo são baseados em experiências próprias, dores, alegrias, que eu vivo. Talvez a capacidade de distanciar e me observar sob um ponto de vista irônico, ou doce, ou agressivo, ou apaixonado, generalizando, dê esta sutil impressão. Afinal, são vários Neltons que se manifestam em um só.

Generalizar sempre é perigoso, mas é necessário para quem não tempo, nem vontade – confesso – de fazer um estudo aprofundado. Quem veste a carapuça, amém, quem não veste, aparece no próximo post e vê se se enquadrada. E uma coisa que a grande parte dos homens não sabe, ou não gosta, ou não quer fazer é dar fim as coisas. Ninguém gosta do fim, seja de um bom filme, seja de um bom CD... de um livro então? Nossa, bate até uma depressãozinha leve. Uma novela (e eu sou noveleiro, embora ultimamente não praticante) quando chega ao final, dá até frisson: à hora das revelações e desfechos... mas no início da outra trama, a sensação é de saudade da trama que se findou. (nossa, saiu tão poético... rs).

Mas não nos restringimos só a isso: odiamos dar cabo em coisas mais subjetivas, mais abstratas. A morte é tão mal vista pelos homens menos pelo fato de ser o fim de um ciclo, mas por representar a finitude do próprio ser. Ao nos depararmos com a morte de um ente querido, além da dor de não tê-lo mais entre nós, a alegria de saber que está em outro plano, numa melhor (dependendo da fé de cada um) é sobrepujada por aquela reflexão de que éramos nós que podíamos estar ali, que o tempo escorre pelas mãos, e aí todas aquelas questões filosóficas que varia de pessoa para pessoa.

Mas não precisamos ir a questões extremas para perceber que não queremos largar o cabo da nau. Não precisar cair no lugar comum daquelas quinquilharias e bugigangas que vc não se desfaz nem sob ameaça de morte. Falemos de alma, falemos de emoção: não conseguimos definir bem a hora que devemos dar fim a certos sentimentos a certas pessoas ou a certas coisas. Ex-conjugues que não se tocaram que já acabou, que ta na hora de partir para outra. Conjugues que sabem que a caravela do relacionamento já esta indo pique, mas mesmo assim, não conseguem dar fim, e aí inventam desculpas e pretextos egoístas para pular do barco, como “Vou esperar ela (e) terminar”, “Na próxima oportunidade eu termino”, quando poderiam ter a nobreza de simplesmente dizer a verdade. E, na maioria das vezes, não sabemos findar amizades e sentimentos fraternais que já não valem à pena. Temos aquela visão ultra-romântica de que um amor ou uma amizade (posto que são sentimentos gêmeos) devem durar para sempre, e esquecemos-nos do principal: estes são presentes de Deus, anjos enviados com uma missão, de edificar-nos mutuamente, mas isso não implica dizer que sua hospedagem aqui em nossas vidas é sempre eterna. Mas adianta dizer? Falar alguma coisa?

Não, não adianta, por inércia, por medo da solidão, ou aflição da impotência de ser bem-sucedido socialmente, por gratidão a tudo que houve, ou mesmo, (e acredito que seja a maior razão) por aquela visão esperançosa de que toda aquela “Era de Ouro” vai voltar a se repetir, ficamos batendo na mesma tecla, petrificando nosso coração um pouquinho a cada dia. Cremos que largar o cabo de um relacionamento falido (seja qual for) é um ato cruel, indiferente, desumano, egoísta, quando, na verdade, é a inércia que é desprezível, pois estamos perdendo a oportunidade de sermos felizes no presente, nos segurando nas imagens do passado. Antes que me pergunte se sou contra a investir e insistir num relacionamento, respondo que não. Devemos persistir, relacionamento que é relacionamento passa por crises (e das brabas e sim, no plural!) e não vai ser na primeira crise que devemos largar o barco. Mas temos que ir até onde nossa dignidade permite... Larguemos as carniças que estão atadas as nossas mãos, e levantemos nossos braços para receber os anjos que do céu descem a todo instante.

Não é fácil, não é feliz, dói – e muito -, mas é necessário. E eu sou o primeiro a entrar nesta fila. Há tantas coisas e pessoas que devo largar esquecer, deixar livre para quem busquem sua própria felicidade. Procurar ser uma pessoa melhor, e não desejar o mal do outro. Desejar pagar o mal com bem, mesmo que muitas vezes me veja em situação contrária. Afinal, quem tem luz própria não tem medo de sombras. Mas quem gosta do final?

Se esse texto serve pra vc? Não sei, sei que foi feito pra mim. Visto explicitamente a carapuça, viu Carol?