segunda-feira, janeiro 05, 2009

Na Cadeira...


Sim, eu te espero.

Não precisa ter tanta pressa. Decerto que ficarei aqui, na esperança de teu regresso. Não te sintas pressionada, tampouco circunscrita ao tempo e ao espaço, apenas vá.

Então vás e procures tua felicidade: vasculhe cada esquina que passar cada cantinho escondido... busque com máxima dedicação e força peculiar. Olhe para os mais formosos rostos e encoste-os com o teu cálido rosto; enlace teus dedos com os melhores dedos; entorpeça, com teus beijos, os mais belos lábios que encontrares. Como disse, vás, e com intensidade e busque-o.

Se, por acaso o encontrar, se entregue de corpo e alma, mente e coração.

Eu estarei aqui, do outro lado. Não mais exageradamente ansioso como um Bentinho a espera de sua Capitolina, na verdade tão sereno que me pergunto se devo ficar aqui, sentado, a tua espera. Teus olhos de ressaca logo respondem tal devaneio. Mas não ficarei inerte, como se fosse um produto harmonicamente acabado para ti. Enquanto buscas desenfreadamente tua felicidade, eu estarei correndo as mais longas distâncias, levantarei os mais pesados dos halteres, e empilharei - ao lado da cadeira que uso para te observar - os mais belos livros de poemas, e os recitarei de cor e salteado.

E assim, quando mais tarde regressares, percebendo que a busca foi vã, pois não encontrastes o amado de tua alma, tomarei tuas lindas e delicadas mãos e direi que não foi vã a tua jornada, pois fora necessária para que este momento acontecesse. Logo após, recitarei com alma e intensidade os poemas mais belos que parecerão que foram escritos sob medida para ti. Sentirás, por exemplo, que Salomão pensara em ti quando escrevera seus cânticos de amor, que eras a musa que fizera Fernando Pessoa achar que sua carta de amor (e de todo o resto da humanidade) era ridícula, e que tu foras aquela que Vinicius de Moraes jurara ser de tudo atento. Erguer-te-ei a tal ponto de se convencer, com razão e sem necessidade da hipócrita modéstia, que és a principal das nove deusas que presidiam às artes da Grécia Antiga. Darei abrigo e proteção em meus braços, e sentirás uma deliciosa sensação de paz e conforto ao refestelar tua cabeça em meu peito. E perceberás que os incontáveis quilômetros percorridos deram-me condicionamento suficiente para desejar, incansavelmente, teus beijos mais doces noite adentro.

E então, viverei tão em ti, tão de ti e tão para ti. E saberei que, enfim, sento-me à sombra daquela que tanto havia desejado.

Agora vá, musa minha, vá. Estarei bem aqui, acompanhado pelos meus devaneios, meus desejos e as poesias.

10 comentários:

Ana Claudia disse...

Nelton, vc é único. Nunca te vi tão intenso como nessas suas palavras! Puxa...

nelevan disse...

O texto traz-me à reflexão: Vc é um grande escritor ou um grande professor ou as duas coisas. Parabéns.

Güínever Império disse...

Passei aqui. E gostei.
É claro.

Niña disse...

Belo texto... confesso que me emocionei...

Renatinha disse...

Intensamente fantástico!!!! Adorei!!!
Parabéns!!!

Lylla disse...

Palavras que transpiram você. É, meu amigo, somos dois eternos apaixonados...no sentido platônico! >.<

BARUD, Rômulo disse...

Nossa! Este Nelton eu não conhecia! Fico feliz em conhecer este lado!
Abração brother!

Dhuangel disse...

Fui tomada de uma grande felicidade e orgulho por saber que trouxe ao mundo um ser tão sensivel e romantico.Parabens meu filho..

Mia disse...

surpresa pra vc no meu blog!

Jornalista disse...

Sim,Intenso, místico, profundo, confuso, apaixonado...
"Carpe diem"